quarta-feira, 11 de abril de 2012

mudar sem testar?

 


 


 



 


 


Tanto se criticou o anterior Governo por mudar, no sistema escolar, sem testar - Nuno Crato era até contundente - que só nos podemos surpreender por se estar agora a repetir a receita. Sabemos que quem chegou de fora, a Troika, veio dizer-nos que já era tarde para termos direito a pensar. Mas que raio: exigia-se algum trabalho de casa, até porque há matérias, exames, cortes de disciplinas e por aí fora, que permitiam alguma testagem sem prejuízos nos indicadores financeiros de curto prazo.


 


Para além do desespero despesista, haverá outros motivos que levem a que se mude sem testar. Incompetência (que não me parece ser o caso de Nuno Crato), dogmatismo ideológico, crença na verdade absoluta, medo do contraditório, ausência de liderança, soberba e principalmente uma inaceitável falta de respeito pelas pessoas atingidas e pela credibilidade dos sistemas e das organizações. E que diríamos se mudar sem testar resultasse em despesismo financeiro num país falido?

6 comentários:

  1. E se de repente se extinguisse a matemática porque depois do plano da matemática, de mais horas,de apoios, etc, as percentagens de sucesso têm sempre piorado nesta disciplina.
    Foi o que foi feito no 3ºciclo com as disciplinas de educação tecnológica e educação artística, mesmo sendo as disciplinas onde normalmente o sucesso é maior.

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  2. Estamos em estado de profunda desorientação. O que conta é cumprir os indicadores financeiros impostos pela Troika.

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  3. maria Fernanda Fernandes12 de abril de 2012 às 10:25

    Caro Paulo:

    Há 'coisas' das quais discordo: «Incompetência (que não me parece ser o caso de Nuno Crato)».

    Outras com que concordo: «dogmatismo ideológico».

    Mas, na generalidade, subscreveria o que escreveu (como em muitas outras ocasiões).

    Cumprimentos.
    Maria Fernanda Fernandes

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  4. Obrigado Cara Maria Fernanda.

    O segundo parágrafo tem uma intenção mais generalista e a referência a Nuno Crato é apenas para ser fiel ao que ainda quero acreditar. Para festa já chegam os antecessores.

    Cumprimentos.

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  5. Creio que se muda sem testar desde a reforma de Veiga Simão, na longínqua década de 70 do século passado.
    Parece um malfadado desígnio da Educação, em Portugal: ver o sistema educativo transformado em tubo de ensaio, sem que qualquer experiência tivesse sido devidamente concluída e avaliada, de modo a que fosse realmente possível corrigir os pontos fracos e potencializar os fortes.
    Não se conseguiu eliminar o abandono escolar, mas aumenta-se a escolaridade obrigatória.
    Não se conseguiu reduzir a taxa de reprovações/ retenções, mas estende-se a avaliação externa (exames) a todos os ciclos.
    Não se conseguiu justificar os elevados níveis de iliteracia, mas alteraram-se os programas, nomeadamente de Língua Portuguesa, e a própria terminologia linguística.
    Enfim, nunca se conheceram conclusões sobre as inovações introduzidas, mas continuou/continua a inovar-se, a inventar-se.
    Se até aqui o “laboratório” tem resistido às experiências, receio que o que está a desenhar-se agora resulte numa verdadeira explosão, que fará colapsar o que resta do sistema de ensino público, sendo o catalisador principal a criação destes híper-mega-ajuntamentos de escolas, onde a identidade, a proximidade, o sentimento de pertença, a articulação… perderão todo o sentido.
    Ontem tive o primeiro cheirinho do que vai seguir-se na minha (nossa) vida profissional: fui alertada para a necessidade de promover a escolha de manuais escolares comuns à minha escola e à escola “herdada” ou que vai “herdar-nos”.
    Poucos se conhecem, poucos se contactam e nada é igual ou parecido, nem a organização dos grupos disciplinares, que, num lado se organizam em torno de áreas disciplinares, independentemente dos grupos/ciclos a que pertençam, no outro em torno dos tradicionais grupos de docência, previstos no ECD.
    Não há quaisquer manuais comuns, nem tão pouco da mesma editora… mas tem que passar a haver, por decreto.
    Foi-me transmitido que seremos postos em contacto uns com os outros, assim, sem mais nem quê, e que teremos de nos organizar. Boa! Às dezenas?! Vai ser espectacular. Viva a cooperação e o trabalho colaborativo!

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  6. Obrigado Ana :) Mais um comentário que me merece uma leitura atenta. Obrigado.

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