quinta-feira, 24 de maio de 2012

tal como se previa

 


 


 


É evidente que existiu o célebre telefonema de um dirigente escolar para o MEC a perguntar o lado onde se colocava o selo branco e serão inúmeras as situações semelhantes que fazem com que os pulmões do poder central se encham de "sabedoria".


 


Mas quando se constrói um modelo de gestão escolar com base na exigência de formação especializada no modo como lidar com a má burocracia ou acreditando que a chave está em pessoas que nada têm a ver com a docência, só podemos concluir: a traquitana do MEC não só não implodiu, como continua a convencer os decisores políticos que a nossa bancarrota não é também causada pelo monstro de má burocracia dos subsistemas estatais e que as exigências desse tipo de especialização dos gestores escolares é uma panaceia para resolver problemas a que a traquitana é alheia e que até está cansada de aturar. E sentenciarão: escolas, salas de aula e professores são entraves que não se dão bem com as inovações.


 


Esta inversão é difícil de derrubar.


(Os responsáveis políticos que se têm sucedido confundem preconceituosamente liberalismo com providencialismo e legitimidade democrática com comunidade educativa. Advogam, para argumentarem a favor da exclusão de pessoas, uma espécie de gestão de alto rendimento inspirada no futebol de grande consumo, como se o que mais se elevasse nos treinadores mais mediatizados não fosse a melhoria do desempenho das pessoas e das organizações).


 


Quem sabe de escolas, sabe duas coisas: só se conheceram bons gestores escolares em quem sabia de sala de aula e as lideranças são legitimadas por quem lida todos os dias com as pessoas e não por quem ouviu falar da sua existência ou leu uns papéis e umas certificações.


 


E vem isto a propósito do novo decreto de gestão escolar que foi, hoje, alvo de conferência de imprensa. Haverá outros aspectos a referir, e que têm sido exaustivamente detalhados, mas as primeiras conclusões são as previsíveis: os últimos Governos do PS satisfizeram a agenda da AD no sistema escolar e a má burocracia, e tudo o que isso significa, continua a empurrar-nos para o fundo, elimina-nos o sonho e a inteligência e a indústria que move milhões continua bem viva.


 


Só mais uma aviso prévio: e depois não digam que foram os professores que partidarizaram a vida das escolas. Mais logo, espero desenvolver este assunto.


 


Escolhi dois links que só aparentemente é que não se relacionam com o estado a que chegámos.


 


Governo reforçou poderes de directores e professores


 


"(...)Mais poder para os directores e um conselho pedagógico mais profissionalizado, ou seja, constituido só por professores, são as principais alterações ao diploma de autonomia das escolas.(...)"


 


"Nunca lidei com tanta burocracia", diz director artístico


 


"(...)O diretor artístico da companhia alemã Pan.Optikum, que apresenta na sexta-feira o espetáculo "TRANSITion" no festival Imaginarius, em Santa Maria da Feira, garante que, em 15 anos de atividade internacional, nunca lidou com país mais burocrático do que Portugal.(...)"


 

Sem comentários:

Enviar um comentário