Os últimos estudos que indicam a exaustão dos professores portugueses, focando mesmo a proximidade de depressão, referem a maior debilidade em quem lecciona no primeiro ciclo (e nos outros ciclos também, particularmente no secundário, e escrevo isto para que não se estabeleça qualquer ciúme corporativo), por causa da degradação social do seu estatuto, da escola a tempo inteiro (que "degrada" o clima de silêncio na sala de aula), da parafernália de má burocracia que incide particularmente nos atavismos organizacionais desse ciclo de ensino (muito por culpa dos professores, diga-se), e, isto já será conclusão minha, motivada pelas constantes alterações na gestão escolar que fazem com que as escolas do primeiro ciclo mudem todos os anos de sede.
O actual ministro da Educação propõe antecipar os exames do 4º ano e prolongar em mais quatro semanas as aulas para os alunos com mais dificuldades, acompanhando assim o desmiolo dos prolongamenos nos CEF´s, nos Cursos Profissionais e por aí fora e as resposições de aulas, noutros ciclos ensino, mais ou menos estapafúrdias que tentam limpar as consciências dos maus burocratas do MEC e das suas ramificações. Mas será que Nuno Crato pôs alguma vez os pés numa escola (sem ser em registo VIP, claro) ou que pelo menos lê o que se vai estudando sobre a exaustão de alunos e professores?
Eu penso que Nuno Crato está a tentar, da pior forma, emendar a mão da decisão cega de introduzir exames a torto e a direito. A introdução de mais e mais exames é incompatível com o objectivo de combater o insucesso escolar.
ResponderEliminarAssim, toca a fazer os exames e, quem chumbar, fica na escola mais uns tempos, com os escravozinhos do costume, a tentar recuperar para, a seguir, fazer novos exames (da treta?) e conseguirem ter sucesso para concluir o ciclo de aprendizagens.
Isto é tudo uma farsa. Isto é uma política para a educação sem qualquer norte. Isto é continuar a tratar a Educação e o Ensino com os pés.
Enfim, tudo o que tem sido feito de há uns anos para cá e que Nuno Crato se tem encarregado de consolidar e, em muitos casos, agravar, mostra o quão este país não tem mesmo futuro. O MEC é o espelho da governação sem horizonte.
Será que só nos resta esbracejar na lama deste imenso pântano?...
Desculpa, Paulo, mas esqueci-me de "assinar" o comentário. E desculpa a forma azeda...
ResponderEliminarAh!, e acho muito boa a tua reflexão e, se me permites, gostaria de sublinhar esta passagem: "(...) da parafernália de má burocracia que incide particularmente nos atavismos organizacionais desse ciclo de ensino (muito por culpa dos professores, diga-se) (...)".
ResponderEliminarDesse ciclo e dos outros, acrescentaria eu...
Abraço.
Aulas em Julho? Em Évora (ou Beja)? Com 40º once in a while? Não basta o que penamos de frio no inverno ainda nos querem assar? Só podem ter ensandecido de vez.
ResponderEliminarnao se trabalha em junho e julho no alentejo?!
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ResponderEliminarObrigado.
Já agora, e pensando também no comentário da Zoca Perdigão e do Fino, nas matérias onde há exame um aluno do 1º ciclo terá cerca de 700 aulas em cada uma ao longo do ciclo e se não domina os conteúdos fundamentais é porque alguma coisa não está bem e decerto que não se resolverá com mais uma dezena de aulas em ambiente de saturação. Só mesmo o eduquês é que pensa assim, claro.
Obrigado Carlos VC.
ResponderEliminarAbraço.
Deixei uma opinião no comentário mais acima.
ResponderEliminarSou natural de Beja e fiz lá exame do 4º ano em Junho depois só se voltava em outubro e nem por isso se aprendia menos. Os professores tinham tempo para lecionar sem a "parafernália de má burocracia" eram respeitados e valorizados socialmente embora o salário fosse pequeno.
ResponderEliminarExiste, sim.
ResponderEliminarE há quem lhe chame de "pragmático"
"Até porque significa uma de duas coisas: ou o analista andava mal informado e usou argumentos inválidos, sendo injusto na apreciação que fez dos titulares anteriores da pasta que agora ocupa, ou então esses argumentos eram válidos, fundamentados, e optou por abandoná-los em nome de um pragmatismo de que a coerência se ausentou."
(A Educação do meu Umbigo)