segunda-feira, 24 de setembro de 2012

da descida

 


 


 


 


 


 


 


 


Após um início de inspiração ultraliberal, vamos assistindo a uma desorientação programática com ingredientes impensáveis que se apoderaram do Governo neste momento de emergência nacional. É grave e triste, mas é assim. Grassa a irresponsabilidade e o mais vil oportunismo e isso alastra-se.


 


Do estado de permanente campanha eleitoral de Portas até à organização administrativa do Estado supervisionada por Relvas e passando pela partilha com o Pingo Doce do consultor António Borges ou pelo academismo estratosférico e laboratorial de Vitor Gaspar, o primeiro-ministro só podia apresentar a demissão.


 


E interroguei-me: para onde será a próxima fuga? Lembrei-me, de novo, de José Bragança de Miranda e da Queda sem fim, seguido de Descida ao Maelstrom de Edgar Allan Poe.




"(...)Com efeito, a tecnologia que foi introduzida para viabilizar a estruturação interna do mundo, ao mesmo tempo que a tornava indispensável (a sua introdução para resolver problemas políticos, de justiça, económicos e outros, acabou por fazer da técnica algo incontornável, levando-nos a um ponto de não retorno. Hoje já não é possível voltar atrás, ilusão ainda forte dos "neoludditas" actuais.), alterou profundamente as condições da experiência. Como dizem Taylor e Saarinen, criou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida (dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?"), cuja regra seria: "Na simcult, quem não for rápido está morto"(...)"

4 comentários:

  1. podemos descer mais sem guerra?

    ResponderEliminar
  2. Muito inteligente a reflexão que o Paulo aqui nos propõe sobre a situação que vivemos e os seus protagonistas. Agradeço.

    A propósito, lembrei-me do comentário de Marcelo Rebelo de Sousa ontem na TVI e da retórica clínica ou médica usada para não deixar transparecer a questão política.

    Assim transforma os cidadãos em doentes, os membros do governo em médicos e a austeridade em tratamentos que custam mas que têm de ser ministrados para nos salvar.

    Inacreditável!

    - Isabel X -

    ResponderEliminar
  3. Obrigado Isabel X.

    Não vi, mas pelo descrito é inacreditável mesmo.

    ResponderEliminar