Após um início de inspiração ultraliberal, vamos assistindo a uma desorientação programática com ingredientes impensáveis que se apoderaram do Governo neste momento de emergência nacional. É grave e triste, mas é assim. Grassa a irresponsabilidade e o mais vil oportunismo e isso alastra-se.
Do estado de permanente campanha eleitoral de Portas até à organização administrativa do Estado supervisionada por Relvas e passando pela partilha com o Pingo Doce do consultor António Borges ou pelo academismo estratosférico e laboratorial de Vitor Gaspar, o primeiro-ministro só podia apresentar a demissão.
E interroguei-me: para onde será a próxima fuga? Lembrei-me, de novo, de José Bragança de Miranda e da Queda sem fim, seguido de Descida ao Maelstrom de Edgar Allan Poe.
"(...)Com efeito, a tecnologia que foi introduzida para viabilizar a estruturação interna do mundo, ao mesmo tempo que a tornava indispensável (a sua introdução para resolver problemas políticos, de justiça, económicos e outros, acabou por fazer da técnica algo incontornável, levando-nos a um ponto de não retorno. Hoje já não é possível voltar atrás, ilusão ainda forte dos "neoludditas" actuais.), alterou profundamente as condições da experiência. Como dizem Taylor e Saarinen, criou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida (dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?"), cuja regra seria: "Na simcult, quem não for rápido está morto"(...)"
podemos descer mais sem guerra?
ResponderEliminarMuito inteligente a reflexão que o Paulo aqui nos propõe sobre a situação que vivemos e os seus protagonistas. Agradeço.
ResponderEliminarA propósito, lembrei-me do comentário de Marcelo Rebelo de Sousa ontem na TVI e da retórica clínica ou médica usada para não deixar transparecer a questão política.
Assim transforma os cidadãos em doentes, os membros do governo em médicos e a austeridade em tratamentos que custam mas que têm de ser ministrados para nos salvar.
Inacreditável!
- Isabel X -
Também temo isso.
ResponderEliminarObrigado Isabel X.
ResponderEliminarNão vi, mas pelo descrito é inacreditável mesmo.