Se cerca de metade dos alunos não passa do 10º ano, o nosso grande desafio continua a focar-se na conclusão do ensino secundário e nem vou agora discutir a importância das vias profissional e vocacional e do que provoca este atraso estrutural e civilizacional.
Se não resolvermos os problemas a montante (a sociedade ausente e o sucesso escolar nos outros ciclos de escolaridade), não sairemos do buraco em que estamos. Se isto não é prioritário para um país, então estamos pior do que imaginamos.
É evidente que mais alunos no ensino secundário exige mais professores, como conclui a tal de OCDE, o que contraria Nuno Crato e o poder vigente. O ministro vai-se isolando, restando-lhe, a exemplo de M. L. Rodrigues, um núcleo de radicais.
Previsões da OCDE contrariam Nuno Crato
"A percentagem de alunos entre os 15 e os 19 anos vai aumentar 10% ou mais por comparação com a última década. A previsão é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e contraria as projecções apresentadas pelo ministro Nuno Crato nos últimos dias(...)"
O grande desafio será, sobretudo, explicar por que haverá mais 10% de alunos dos 15 aos 19 anos a frequentar o Ensino Secundário em Portugal, mas uma constante redução da percentagem de alunos que concluem este nível de ensino.
ResponderEliminarA escolaridade obrigatória bem pode estender-se até aos 18 anos que não constitui qualquer garantia de conclusão do Ensino Secundário por parte dos jovens.
A escolaridade obrigatória (12º ano OU 18 anos de idade) aumenta na razão inversa das medidas de promoção do sucesso escolar, ao contrário do que Nuno Crato apregoa, medidas essas como: o aumento do número de alunos por turma, a extensão das provas de avaliação externa (vulgo exames nacionais) sem alternativa credível para alunos com mais dificuldades, inclusive com necessidades educativas especiais de carácter permanente, a desvalorização de algumas componentes fundamentais da formação integral do aluno (como a educação artística e tecnológica), a constante reformulação dos currículos/programas curriculares em disciplinas transversais como o Português, por exemplo, cujo último programa curricular no Ensino Básico entrou em vigor em 2011/2012, mas já é contrariado pelas respectivas Metas de Aprendizagem e ainda aguarda mais alterações, enfim, medidas que visam a aplicação prática do pregão governamental “fazer mais com menos” que, na realidade, se traduzirá em “fazer mais... poupança com menos... investimento”.
Escrevi assim no dia 7 de Setembro de 2002:
ResponderEliminar"(...)Sabe-se que existem graves problemas de natalidade e alterações nos fluxos migratórios que se vão reflectir durante esta década no pré-escolar e no primeiro ciclo. Nos ciclos seguintes temos a batalha do abandono escolar precoce para vencer e o ensino secundário, e considerando as diversas vias existentes ou a estabelecer, deverá continuar a crescer em número de alunos. Portanto, se temos professores a mais deve-se em primeiro lugar aos cortes brutais promovidos por Nuno Crato, à sua incapacidade em modernizar a traquitana do MEC e à acção multi-funções dos professores que dão corpo à escola transbordante. Começa a dar ideia que o ministro se sente já um advogado do que prometeu implodir.(...)"