quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TSU(namis)

 


 


 


O Governo terá que recuar na proposta de TSU e anda a atenuar uma devastação da mesma família, mesmo que mais grave (é bom que se sublinhe, mesmo que custe: quando os cortes atingiam apenas os funcionários públicos, a contestação estava localizada e submergia no ciúme social): os cortes brutais no sistema escolar, que passam pelo aumento do número de alunos por turma associado à eliminação de disciplinas, à estrutura curricular e ao aumento da componente lectiva nos horários dos professores.


 


Depois do maior despedimento colectivo da história de Portugal, os governantes da Educação desdobram-se para assegurar que os professores com horário zero não serão colocados em mobilidade especial, contrariando o documento das opções do plano para 2013. Como há uma quebra de confiança entre governantes e eleitores, são legítimas as desconfianças dos segundos.


 


 


9 comentários:

  1. Passos Coelho ainda antes da manifestação de sábado falou que as mudanças na TSU teriam de ser modeladas por forma a proteger os que têm menos rendimentos. Agora dizem que isso é recuar?!!
    Quanto à mobilidade especial não percebo porque é que o Prudêncio insiste no mesmo. Até parece que queria que o Ministro dissesse que iria haver mobilidade especial para sentir que tinha razão...

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  2. Francamente Pedro.
    Nem insinue uma coisa dessas. Os professores já têm um histórico de "moeda negocial" que chegue.

    Apenas pretendo sublinhar o que originou tudo isto. Convém não esquecer.

    O estado é de direito democrático, os quadros das escolas foram dimensionados para outro quadro curricular e os professores, através de exigentes provas públicas, assinaram um contrato que não é respeitado. Não têm os grandes escritórios a advogar as suas causas como as PPP.´s, por exemplo, mas temos o dever de denunciar o que nos parece justo.

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  3. Vamos partir do princípio de que o ministro Crato é pessoa de bem, por isso fala verdade, uma verdade sem prazo de validade, naturalmente.

    Qual terá sido então o móbil de uma reforma curricular que se traduziu em tantos professores com horário zero, os quais, não sendo obrigados a qualquer mobilidade especial, permanecem nas escolas, sem actividade docente que justifique a ocupação de uma vaga de quadro, enquanto outros professores, fruto da mesma reforma curricular, viram o seu horário de trabalho alargado, o número de turmas para o perfazer aumentado (e, consequentemente, o número de níveis para preparar), o número de alunos por turma acrescido, não tendo havido, até ao momento, instruções superiores para repartir esta dose pelos pares disponíveis (com horário zero)?

    Que gestão de recursos humanos é esta?
    Quais as mais-valias que daqui advirão para o sucesso escolar dos alunos, para o melhor desempenho dos docentes, para uma escola pública de qualidade ou, por outro lado, para uma gestão financeira da Educação à medida das dificuldades que o país atravessa?

    As recentes declarações do ministro Crato sobre a redução do número de alunos em Portugal e, por acréscimo, a necessidade de menos professores, se forem levadas a sério, deixam antever um aumento do número de professores com horário zero em determinados concelhos do país, a par da contratação de professores para um diminuto número de concelhos em que os quadros sejam ainda insuficientes.

    Continuando a acreditar que as declarações do ministro Crato sobre a não aplicabilidade do regime de mobilidade especial aos docentes não são provisórias, nem têm curto prazo de validade, insisto: como irá o ministro gerir a vida profissional dos docentes que permanecerão com horário zero? Continuará o ministro a preconizar a coadjuvação destes docentes aos colegas titulares de turma, quando acabou de pôr fim à co-docência em disciplinas como Educação Visual e Tecnológica, através do artifício de as separar?

    Porque não terá o ministro Crato consubstanciado estas suas afirmações com o anúncio de propostas concretas e credíveis, destinadas a criar condições para o aumento do sucesso escolar dos alunos e para a satisfação das expectativas destes docentes com horário zero, que se vão sentindo, injustamente, armazenados nas escolas, malogrado todo o investimento que fizeram ao longo da sua carreira?


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  4. Muito simples. O número de contratados irá continuar a diminuir até se chegar ao ponto de termos um sistema com os professores do quadro necessários.
    Por outro lado, acredito que as regras dos concursos gerais possam mudar em termos de obrigatoriedade de concorrer a mais escolas em relação aos professores sem horário.
    Há quem lhe chame "cortes cegos". Eu chamo aproveitar, em tempos de crise e quase falência, ao máximo os recursos disponíveis: eficiência sem desperdícios...

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  5. "... acredito que as regras dos concursos gerais possam mudar em termos de obrigatoriedade de concorrer a mais escolas em relação aos professores sem horário."

    Ninguém tem dúvidas sobre isso.

    Será o primeiro passo para a aplicação de um regime de mobilidade especial na carreira docente (encapotado), mais uma vez através de um número de circo protagonizado por este Governo, uma "malabarice", que não tem olhado a meios para atingir os fins, o que vai descredibilizando todas as afirmações dos seus responsáveis.

    Aconteceu assim com o primeiro ministro, em relação ao aumento de impostos sobre o consumo, à TSU, à supressão dos subsídios de férias e Natal, por exemplo, e dissemina-se por todos os quadrantes de actuação governamental, inclusive pela Educação, onde a palavra do ministro Crato se inscreve nestas manobras de diversão a que, infelizmente, nos temos habituado.

    Chamar-lhe-á imperativo nacional, "aproveitar, em tempos de crise e quase falência, ao máximo os recursos disponíveis: eficiência sem desperdícios". Eu chamo-lhe incompetência e má-fé: a primeira, porque não existe capacidade para efectuar qualquer plano credível, cujo cumprimento se traduza na obtenção dos resultados inicialmente previstos.
    A segunda, porque nem as sucessivas experiências de "tentativa-erro", constantemente levadas a cabo por este Governo, inibem os seus membros de declarar, publicamente, aquilo que sabem não poder garantir.

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  6. Ana,
    deve conhecer, como eu conheço, colegas do QZP que todos os anos ficam com horário zero porque não são obrigados a concorrer a outro QZP, quando tempos colegas que para ficarem em quadro de escola se viram obrigados a concorrer para longe de casa... Portanto, concordo com a alteração das regras do concurso para estes e outros casos que poderão ser abordados a seu tempo. Você pode chamar-lhe malabarice ou outra dorma de mobilidade especial; eu chamo-lhe necessidade de justiça e de afectação dos recursos humanos existentes.
    Quanto à incompetência e má-fé apenas lhe recordo que incompetentes foram aqueles (12 anos de governos PS nos últimos 15 anos) que lançaram o país quase na bancarrota. Como não votei neles, não me pesa a consciência... Estes apenas estão a tentar resolver os problemas que os governos PS deixaram...

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  7. Factos, Pedro, vamos a factos, mais uma vez:

    Tenho 27 anos de serviço completos, os primeiros três a 300 kms de casa (da família, das raízes) , os vinte e quatro seguintes a 150 kms de casa, onde decidi permanecer e me encontro, tendo mudado, na altura, com o meu pequeno núcleo familiar para uma “terra de ninguém”. Antes de fazer esta opção, cheguei a tentar deslocações diárias: cinco horas de ida e volta, de comboio, pois não havia recursos para mais. Aguentei um ano.

    Assim, fui professora do quadro de escola (outrora designado de nomeação definitiva) quase toda a minha carreira, devido à opção que acima mencionei.
    Posto isto, vai desculpar-me a minha falta de humildade (agora sim!), mas ninguém melhor do que eu poderá falar da justiça/ injustiça dos que, estando com horário zero, serão obrigados a concorrer nessa espécie de mobilidade especial disfarçada de concurso com outras regras e exigências, que se adivinha para o futuro próximo (o próprio Pedro prevê).
    Não conheço nenhum colega QZP nas circunstâncias que descreve. Pelo contrário, os colegas QZP que conheço, neste concelho onde há cerca de 600 professores, estão todos longe de casa, em média a 100kms, para não terem horário zero.
    Porém, conheço e convivo diariamente com o drama de colegas do quadro de escola que só agora se encontram com horário zero, nenhum com menos de 20 anos de serviço, que tiveram percursos iniciais de carreira semelhantes ao meu e, de repente, fruto de políticas educativas tresloucadas e subversivas, se vêem na eminência de voltar ao passado, como se estivessem a começar as suas carreiras.

    Vê, Pedro, o seu micro-cosmos é mau conselheiro!

    Acrescento ainda que não tenho saudades de governos socialistas, da mesma forma que não me esqueço que quem governou o país de 1986 a 1995, por exemplo, foi o PSD, a quem se devem feitos “gloriosos” como: o desmantelamento do sector das pescas, da silvicultura e da agricultura em Portugal, a troco de algumas ajudas financeiras da CEE, o sucessivo adiamento da reforma do Estado, apesar do desafogo financeiro proporcionado pela entrada de verbas da CEE... a culminar com a entrada do país em recessão em 1993.

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  8. Muito bem. Respeito a sua condição e a sua opinião.
    Quanto a exemplos, cada um de nós tem o seu, uns melhores, outros piores...
    Se não conhece casos como o que relatei eu conheço e bem perto de mim... Inclusivé na família, veja bem!!!
    Quanto ao que se perspectiva nos concursos futuros, espero quie haja mudanças. Nada pode ficar na mesma. Mas, em vez de estarmos com adivinhações, vamos esperar para ver e, aí sim, poder criticar ou elogiar. Um facto é que a mobilidade especial não avançou para os professores, ao contrário do que muitos disseram...
    Gosto de criticar a realidade que existe e não suposições ou meias-verdades.

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