sábado, 17 de novembro de 2012

e ainda há quem não perceba o servilismo

 


 


 


 


 


Se há algo que não dignificou (sem surpresa, claro) o presidente da República e o primeiro-ministro foi o elogio de quem não fez greve. Tenho quase a certeza que Merkel não o faria e nem sei se não ficou perplexa com o servilismo que encontrou ou com a epifania que pretende montar o ensino dual de forma instantânea.


 


Ainda neste milénio, a Alemanha assistiu a greves de 15 dias consecutivos em alguns lands, com adesão total e em período de grave crise financeira (foi o primeiro país a ultrapassar os proibidos 3%), e o regime democrático que nasceu do pós-guerra assenta num sindicalismo forte (não existem centrais sindicais coloridas nem sindicatos de vão de escada) comprometido com os objectivos da organização, com presença nos conselhos superiores das empresas e num regime de co-gestão com patrões que não são accionistas. Não é por acaso que a gestão alemã consegue uma alta produtividade dos trabalhadores portugueses.


 


E podia ficar por aqui o dia todo a pesquisar e a tropeçar em inúmeras greves: a sério e muito respeitadas no país.


 


Em Portugal não é assim e a nossa fraca consciência cívica é aplaudida pelos mais altos dignitários da nação (Cavaco e Coelho nunca fizeram greve, aposto) que confundem seguidismo e amorfismo com descomplexidade competitiva. 


 


Não admira que a primeira página do Expresso nos dê conta de uma das causas para o estado em que estamos. Até arrepia.


 


 


 



 


 

9 comentários:

  1. nem mais... certeiro...

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  2. Admitindo que estes valores eram fiáveis, poderia dizer que me orgulhava de pertencer à ínfima minoria de 9,2% de "grevistas sem vergonha" (quase é assim que são tratados pelos senhores do Poder). Realmente está a tornar-se demasiado frequente apontar o dedo aos grevistas como se de tratantes malfeitorea se tratassem que mais não fazem do que contribuir para a desgraça do país, nomeadamente para a descida do PIB...

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  3. Não chegámos até aqui por termos feito poucas greves. Chegámos aqui porque muitos foram atrás da conversa de Sócrates e elegeram-no duas vezes seguidas. Ainda por cima, já no tempo do Guterres, ele é que mandava no governo... Incompetência pura!

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  4. Atendendo a que Guterres se limitou a continuar o despesismo de Cavaco Silva, que governou com o Orçamento Geral do Estado, com o dos fundos comunitários e com o das inúmeras privatizações, tendo deixado o terreno minado por sistemas automáticos de aumento da despesa pública, dir-se-ia que Sócrates mandava no Governo há muito tempo atrás... ou, se calhar, sempre mandou!

    Não sei se chegámos até aqui por termos feito poucas greves. Mas por incompetência pura, a que não escapa ninguém, não tenho quaisquer dúvidas. A grande diferença é que, nessa época, ainda vivíamos tempos de consolidação da democracia e agora vivemos tempos da sua pura destruição.

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  5. Não chegámos aqui por causa das greves, seguramente. Muitas ou poucas.
    Chegámos aqui por incompetência de muitos, corrupção de vários e negligência de alguns.
    Não chegámos a situações ainda piores, porque houve algumas greves e outros actos de luta e de cidadania corajosos e patrióticos. Disso não tenho qualquer dúvida.

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  6. Isso tem um dose acentuada de maniqueísmo Pedro.

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  7. Exacto Ana. Muito objectivo, de me permites.

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