Gráfico obtido no blogue do Arlindo Ferreira.
As palavras estão gastas e cansa o retorno (eterno ou efémero?) de Nuno Crato à relação entre a natalidade e o número de professores, omitindo sempre os achamentos essenciais, a estrutura curricular, a número de alunos por turma e a gestão escolar (sobre este último e decisivo assunto nem se sabe o que pensa).
Se cruzarmos os dados dos dois gráficos (é interessante fazer esse exercício), vemos que a natalidade desceu para cerca de metade de 1970 a 1990 (de 20,8 para 11,7), que de 1990 a 2010 teve uma ligeira quebra (de 11,7 para 9,2) e ninguém garante (a não ser o empobrecimento e o estímulo emigratório) que a curva não continue estável (o contrário levaria ao nosso desaparecimento e nem valia a pena estarmos com coisas).
Por outro lado, neste milénio o número de matrículas no 1º ano de escolaridade atingiu um pico em 2006 e só agora é que esses alunos chegam ao 2º ciclo. Ou seja, nos próximos sete a oito anos vamos necessitar de professores como nunca nos 2º e 3º ciclos e no ensino secundário e mais ainda se conseguirmos que cerca de metade dos alunos não abandonem a escolaridade no 10º ano. Ainda a partir deste gráfico concluímos que em 2016 precisaremos do mesmo número de professores que tínhamos em 2007 porque os alunos matriculados em 2010 eram em número semelhante a 2001.
Mas Nuno Crato está investido como secretário das finanças. Querem ver que depois de equacionar que os alunos do 3º ciclo passem para o politécnico também foi inspirado na passagem de alunos do final do 1º ciclo para o ensino profissional, digo dual, digo vocacional.
Aconselho a leitura de um post que escrevi num momento também fastidioso sobre este assunto.
Educação: Ministro admite mais saídas de professores
Parece que o Paulo quer voltar aos tempos em que tinhamos professores com 10 horas de redução lectiva e 2/3 turmas. Assim, claro que continuaríamos a precisar de muitos professores.
ResponderEliminarEm tempo de crise há que racionalizar os recursos humanos. Durante muitos anos tivemos o "abandalhar" de recursos humanos na educação com professores a terem quase metade do horário com reduções lectivas, mais umas centenas afectos aos sindicatos, mais aqueles que se reformavam aos cinquenta e poucos anos de idade, isto já para não falar de professores que efectivavam em QZP e ficavam sem horário. Enfim, uma "bandalheira" com uma avaliação "faz de conta" e que durou até aos tempos da Lurdinhas. Até aí poucos se queixavam da vergonha que tinhamos e os resultados dos alunos nem eram melhores do que os de agora.
Crato apenas erra por sobrevalorizar a questão demográfica, sendo que a questão de racionalizar os recursos existentes é também importante.
"Crato apenas erra por sobrevalorizar a questão demográfica, sendo que a questão de racionalizar os recursos existentes é também importante." Foi sobre isso que escrevi Pedro. Concordo com algumas das restantes observações.
ResponderEliminarBem: da tal avaliação de prestação de contas é melhor nem falarmos Pedro. Por favor :)
ResponderEliminarO trabalho liberta.
ResponderEliminarVamos voltar às turmas de 40.
Relevante, Pedro (...descontem-se as sucessivas fábulas da avaliação).
ResponderEliminarÉ algo relevante Lúcio. Mas o Pedro deve fazer o mesmo exercício para os outros grupos profissionais (médicos, juízes e por aí fora). É que assim, o ciúme social passa a ciúme profissional.
ResponderEliminarO desempenho de determinados cargos deveria continuar a dar horas de redução lectiva, após reflexão cuidada (os dois tempos lectivos concedidos a um director de turma, por exemplo, são uma anedota). Corrigir os "abandalhamentos" não consiste, certamente, em castigar todos pelos erros de alguns. Nuno Crato nem sequer tem a hombridade de declarar que toma medidas por razões unicamente orçamentais, declarando que o aumento de alunos por turma não é pedagogicamente mau ou repetindo a falácia da baixa de natalidade.
ResponderEliminarPara que os resultados dos alunos melhorem, as políticas educativas e sociais têm de mudar. Os professores, que são também responsáveis por esses resultados, estão constantemente sujeitos a alterações e invenções constantes, em vários campos (administração escolar, organização escolar, currículos), o que torna o seu trabalho ainda mais difícil, com prejuízo para os alunos.
Concordo Fernando.
ResponderEliminarJá debati por aqui várias vezes com o Pedro estes temas (onde detalhei muito o que acabas de escrever) e ontem respondi a correr e apenas sublinhei o erro grave que o Pedro admite a Crato.
Lá mais em baixo meti um comentário que me parece que o Pedro deve ter em atenção.