Apercebi-me pela hora de almoço que o Tribunal de Contas tinha publicado o relatório com os denominados custos (não serão investimentos?) anuais por aluno no ensino não superior. Não li o documento e limitei-me a concluir com base nos blogues e jornais online que frequento, onde o tal custo é superior nas cooperativas de ensino se comparado com as escolas do Estado.
Acabei agora de consultar o relatório e percebo que é um bom instrumento de investigação, mas que há uma série de variáveis independentes que ficam por estudar e podia ficar a noite toda à volta disso.
Vou lendo leituras diversas e há quem considere que os custos nas escolas do Estado são superiores se não se considerar o primeiro ciclo. Têm alguma razão, embora uma parte dos professores que leccionam em agrupamentos de escolas do Estado com primeiro ciclo sejam contratados noutros grupos disciplinares e as despesas com instalações também se inscrevam nos outros ciclos da escolaridade.
Os números desta última polémica resumem-se assim: escolas do Estado: 4921,44 euros (2º e 3º ciclos e ensino secundário) e 2771,97 euros (primeiro ciclo) o que corresponde a um valor médio de 4415 euros; escolas das cooperativas de ensino: 4522 euros.
Qualquer que seja o ângulo político de análise (os números acabam por se equivaler), surpreendem-me, confesso, estes números. E ao que indica o relatório, e com os cortes que Nuno Crato efectuou nas escolas do Estado, a surpresa será ainda maior quando se analisarem os dados do ano em curso.
Conheço alguma coisa do ensino nas cooperativas, mas mais em detalhe do que se movimenta na zona onde resido.
Considerando a precarização contratual e o estatuto profissional dos professores das cooperativas de ensino associada à baixa remuneração, temos de concluir que o lucro destas actividades é ainda mais substancial do que aquilo que se podia supor. E esta constatação ainda mais se acentua quando se sabe que há colégios privados (mas privados mesmo e com propinas) em que o valor atinge os 2223 euros euros, cerca de metade das cooperativas de ensino.
Este post foi publicado pela primeira vez em 26 de Outubro de 2012.
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