Convenço-me que já são poucos os que não classificam como trágica a passagem de Lurdes Rodrigues e José Sócrates pelas políticas do sistema escolar e que este Governo acentua com a crença ideológica do estado mínimo. Os últimos Governos do PS foram uma oportunidade perdida que deixou a esquerda à deriva e que impede uma oposição credível à nova vaga devastadora da escola pública que se aproxima.
Não é fácil para o actual PS libertar-se dessa herança e encontrar as convicções e as políticas que possibilitem e regresso ao equilíbrio é à sensatez. O ex-presidente Jorge Sampaio está preocupado e não deve desconhecer o que o actual Governo se apressa em escamotear insistindo nos números de 2009: Portugal investiu, em 2012, 3,8 do PIB (regredimos mais de 20 anos numa queda abrupta) em Educação que é o valor mais baixo da Europa.
O ex-presidente disse, em 2005, que os professores trabalhavam pouco, promoveu uma viagem ao Chile que inspirou os mentores do monstro da avaliação de professores e, em Outubro de 2009, classificou a avaliação de professores como uma das causas da bancarrota.
Dá ideia que está a alterar as suas convicções. Foi lamentável o que se passou, repito. O que leva anos a construir pode destruir-se num ápice e exige um esforço redobrado para reerguer.
Portugal não terá prosperidade sem investimento na Educação
Paulo, não percebo esta gritaria que se faz acerca do que se gastou na Educação em percentagem do PIB. Sim, porque não é de investimento que estamos a falar (investir é construir escolas, bibliotecas, equipar as escolas, etc), mas sim de gastos com despesas correntes e os salários correspondem a mais de 70% dessas despesas.
ResponderEliminarOra, se nos cortaram com os subsídios de Natal e de férias seria lógico que a despesa com a Educação reduzisse de forma abrupta. Não vejo novidade nisso... Bastava terem mantido os subsídios e os gastos tinham estado ao nível dos anos anteriores! E não seria por causa disso que teríamos tido melhor educação. Ou teríamos tido?
Pedro, resumo com a seguinte interrogação: os pagamentos a pessoas não são investimento?
ResponderEliminarSão, Pedro. As pessoas são o principal investimento, principalmente em educação.
Não foram apenas os cortes nos subsídios. Foram cortes nos salários, despedimento colectivo de mais de 10000 pessoas no verão, reformas com penalizações de professores desconsiderados, cortes curriculares por justificar num país civilizado, modelo de gestão para uma escala desconhecida no mundo, alunos por turma, aumento da carga lectiva e por aí fora.
Como sempre acontece num sistema com efeitos a médio e longo prazos, quando se medirem os resultados de tudo isto já os responsáveis estão numa qualquer FLAD.
Não haverá professor que se preze totalmente esquecido de todos os que, como Sampaio, proferiram verdadeiros dislates sobre a sua classe profissional e se tornaram merecedores de nenhum crédito.
ResponderEliminarAinda assim, de toda a conversa da treta que Sampaio profere neste artigo, é indiscutível que será “um erro histórico dar livre curso às ideologias do mercado que tendem a diminuir os compromissos do Estado com um ensino público de qualidade para todos".
E por ensino público de qualidade deve entender-se muito mais do que construir escolas, bibliotecas, equipar as escolas, como o comentador Pedro menciona. Ensino público de qualidade não se consegue com 30 alunos por turma, indiferenciadamente, com professores com cada vez menos tempo para preparar aulas com as exigências da modernidade, com professores sem horário disponível para prestar apoio educativo individualizado aos alunos com mais dificuldades, com desvalorização de determinadas áreas do saber, embora fundamentais para a formação integral dos jovens discentes, enfim, com tudo aquilo “que leva anos construir”, mas “pode destruir-se num ápice e exige um esforço redobrado para reerguer”. As escolas, as bibliotecas, os equipamentos melhores, esses adquirem-se em poucos meses, depois de qualquer período de carência. A formação integral, as aprendizagens e o modo como são ou não efectuadas pelos jovens, que só passam pela escola uma vez na vida, podem ter repercussões por várias gerações consecutivas.
Concordo Ana. A defesa da escola pública é uma luta desigual e sabemos disso. O que não pensava, muito sinceramente, é que chegássemos a este estado.
ResponderEliminarPois...
ResponderEliminarE a quase inexistência de gente mais nova na manifestação de sábado deu que pensar.
Não estava atento a esse detalhe, mas ouvi falar nisso. Pode ter alguma explicação: saíram milhares de contratados e talvez os que restam estejam estejam desistentes.
ResponderEliminarEspero que a situação mude. Já se fizeram muitos estragos, alguns irreparáveis. O sistema escolar não aguenta muito mais tempo com esta desesperança; seria um retrocesso.