Mostrar mensagens com a etiqueta gráficos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gráficos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de abril de 2022

Heurística em 3d

A heurística, como arte de inventar ou descobrir, pode também manifestar-se em desenhos a três dimensões ou em gráficos com linhas ou barras.


A figura que se vê a seguir, e o problema colocado, recorda-me as manipulações de vária ordem dos ideólogos do Estado mínimo. O seu discurso anti-professor e anti-funcionário público em geral não sofre oscilações por mais que se comprovem as inverdades nos números ou nos factos, como foi o caso recente do relatório FMI ou das atoardas do primeiro-ministro e de quem o influencia ou guia directamente.



Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


É mesmo assim. Nem com régua os defensores do Estado mínimo lá vão. A despesa com professores será sempre exagerada e nunca se comoverão com a brutalidade dos cortes já efectuados. Mesmo os que dizem que na Educação já se chegou ao limte mínimo, omitirão essa fatalidade e repetirão o chavão da atracção dos "melhores".


Outra forma heurística muito em voga é a demonstração por gráficos. A escolha das escalas, mais ainda no eixo do y, digamos assim, provoca um efeito parecido ao demonstrado por Daniel Kahneman.


Vejamos dois gráficos com os mesmos números de alunos matriculados no 1º anos de escolaridade. A diferença está na escala usada no eixo do y e o resultado permite as mais variadas leituras. Repare-se que quem fez o primeiro gráfico é um blogger comprovadamente comprometido com a causa da escola pública.


 


Este gráfico foi inserido neste post.


 


Este gráfico é de um leitor do blogue a quem agradeço a colaboração.


1ª publicação deste post em 19 de Maio de 2013. 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Só há 20 Professores no Escalão Máximo?

 


Progressão-na-Carreira.png


O relatório anual do Conselho Nacional de Educação conclui, com os dados da imagem, que só havia 0,02% (20 para 100 mil?) de professores no escalão máximo. Estranha-se. Este escalão registou, por lei, zero professores durante anos a fio. Começou a receber professores com os descongelamentos. E só recebeu 20 em qualquer altura inicial? É "impossível". Bem sei que "dava jeito" à justa defesa dos professores. Mas o número seria 0% ou numa percentagem, no mínimo, de uns 4 a 5 por cento. Ou então é uma gralha, embora o fenómeno ganhe contornos reais ao se acrescentar que "têm em média 61,4 anos de idade e 39 anos de tempo de serviço". Mas mais importante é o que destaca o Expresso (embora os dados também devam estar, obviamente, desactualizados) e o que não destaca: cotas, listas e avaliações kafkianas e baixos salários: "O relatório do CNE também olha para a distribuição dos professores pelos vários escalões salariais para concluir que, apesar do elevado número médio de anos de serviço, a maioria (58,4%) encontra-se nos primeiros quatro escalões de uma carreira composta por 10 níveis. E apenas “0,02%” estão no topo. Para esta situação contribuiu o congelamento “prolongado” das carreiras (durante 9 anos) e a não recuperação da totalidade do tempo de serviço (menos de três anos). O CNE dá outro exemplo: no 3º escalão encontram-se 18% dos professores e estes têm em média 48,6 anos e 22,6 de tempo de serviço."


 


PS: esta sociedade está estranha, embora, e no caso dos 20 professores e num país que não sabe quantos funcionários públicos existem porque o hardware é lento, não fosse espantoso que escolas descongelassem uns 20 fora-da-lei-antes-do-tempo-no-modelo-livre-arbítrio.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Pisa 2015: os delírios em gráfico

 


 


 


As extrapolações à volta do PISA 2015 têm episódios risíveis. Recebi por email o gráfico sem referência ao autor. Vem acompanhado da defesa das políticas educativas das figuras em imagem; não publico o parágrafo porque usa uma linguagem imprópria, mas faço-o com o gráfico para dar a opinião solicitada.


 


Os alunos testados no PISA têm 15 anos e frequentam anos entre o 7º e o 11º. A subida constante portuguesa responsabiliza alunos, encarregados de educação e professores. As políticas ajudam, mas se forem de sinal contrário, como é o caso dos fotografados, atrapalham. E nos dois casos parece que atrapalharam muito, uma vez que a sua influência, mesmo que residual, só pode ser verificada, obviamente, no triénio seguinte. Lurdes Rodrigues sucedeu a um período "sem governo" (2000/2006), mas que regista uma subida substancial em 2009. Parece que o sistema português funciona melhor "sem ministério", uma vez que quando a ministra (2006/2009) saiu os resultados estagnaram no fim do triénio seguinte (2012). Sucedeu-se outro "sem governo" com Isabel Alçada (2009/2012). Saiu e os resultados do triénio que se seguiu melhoraram (2015). Apareceu Crato (2012/2015) e veremos a sua influência, por reduzida que seja, em 2018.


 


pisaevol-1024x649


 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Pisa 2015: salas de aula sobrevivem a Lurdes, Crato e afins

 


 


 


Os alunos portugueses, com 15 anos em 2015, "obtiveram os melhores resultados de sempre nos testes PISA". Apesar das "reformas" perpetradas por Lurdes Rodrigues, Crato e afins, das causas do burnout e dos professores portugueses serem a classe profissional mais devassada pela comunicação social na última década, os alunos portugueses estão, pela primeira vez, acima da média da OCDE com elogios à ambição escolar dos encarregados de educação e à capacidade dos professores (elogiada também pelos seus alunos): "são os melhores a adaptar as aulas aos alunos". Conclui-se que as salas de aula vão sobrevivendo aos "reformistas" radicais de sinal contrário.


 


Nota: os testes PISA "valem o que valem" (como as sondagens) e há críticas fundamentadas a este modelo de análise de dados (uma espécie de subprime destes assuntos). Concluem-se dois dados gerais: estamos nos três últimos lugares no insucesso escolar e os tais países dos arautos da privatização afundam-se. Como dado humorístico, sublinha-se que os alunos testados desde 2000 (Portugal subiu quase sempre em cada triénio) nunca fizeram exames no quarto ano e, provavelmente (só mesmo os que reprovaram três vezes até ao sexto ano), só uma pequena parte da última amostra fez no sexto ano; e sobreviveram.


Legenda das linhas do gráfico: ciências a verde (a maior subida), leitura a vermelho e matemática a azul (uma estagnação); dados desde 2000 referentes a Portugal.


image


 


image


 

domingo, 7 de agosto de 2016

Jogos Olímpicos, televisões e audiências

 


 


 


 


Os jogos são transmitidos pela RTP e pelos canais desportivos pagos. Leio críticas à programação que "deixa para os pagos as melhores transmissões". Não vou confirmar, mas é provável que discordaria. Percebe-se a imensidão de transmissões e a dificuldade em tratar todos os desportos da mesma forma. É esse o espírito olímpico e vou ficar pela RTP. Quem não tem relações privilegiadas com as GALP´s, fica pelas televisões (é risível saber que a empresa de petróleos ofereceu bilhetes para jogos de futebol). Nem sei se o escândalo da silly season lusitana estará a influenciar as audiências in loco dos jogos tal a generalização de bancadas vazias; ou com mais precisão ainda: os melhores lugares sem clientes. É um hábito antigo oferecer viagens e bilhetes para convidados. Ainda há dias uma recepcionista se admirava por pagarmos um hotel com cartão de débito e por termos apenas uma preocupação com a factura: que o hotel não fuja aos impostos. A recepcionista lá confessou: as facturas são quase todas pagas por grandes empresas. O gráfico seguinte explica alguns deslumbres e a tentativa de reposição de hábitos?


 


Captura de Tela 2016-08-07 às 14.15.14.png


 


Gráfico daqui

sexta-feira, 6 de maio de 2016

segunda-feira, 4 de abril de 2016

recuemos a 2013 para explicar a polémica dos alunos por turma

 


 


 


Têm-me solicitado que explique melhor os mais 750 milhões de euros por ano motivados pela redução de alunos por turma.


 


Imaginemos que, em 2013, Nuno Crato não era ministro e se candidatava a director de uma escola. Com o modelo em curso, Nuno Crato, para quem "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", teria todo o apoio do MEC, e bastava-lhe o de uma minoria da "comunidade escolar", para constituir turmas com esse número; e até por excesso e nunca por defeito, naturalmente. Beneficiaria de todas as possibilidades legais para "obrigar" os professores às suas descobertas. É precisamente por causa de casos destes, em que Portugal é fértil, que deve existir um limite máximo legal de alunos por turma.


 


A estimativa de custos da página 45, os tais 753.290 milhões, do estudo do CNE, carece, desde logo, da observação de uma passagem de Adam Smith (2010:80) em Riqueza das Nações: alunos não são alfinetes.


 


Se usássemos uma regressão linear múltipla e se considerássemos os alunos por turma a variável dependente e incluíssemos o número de salas, de escolas, de professores por turma, de alunos por escola e por ano de escolaridade, de professores com insuficiência de serviço e por aí fora como variáveis independentes, verificaríamos da complexidade de se chegar a conclusões numéricas como as que são apresentadas no estudo do CNE.


 


O estudo tem a virtualidade, da página 30 à 41 no capítulo 5, de explicar a sensatez que é reduzir gradualmente o limite máximo de alunos por turma e até de acordo com o parágrafo da página 6, da autoria de David Justino, que é mais avisado do que as conclusões da página 45: "(...)A manutenção do controlo burocrático e centralizado da constituição de turmas deveria naquele contexto dar lugar a um critério mais geral de distribuição de recursos cuja afetação seria da inteira responsabilidade das escolas e agrupamentos, em função das características dos seus alunos e das opções de desenvolvimento educativo consagradas nos seus projetos educativos(...)".


 


A lei em vigor estabelece um limite máximo que não é cumprido pela maioria das turmas dos diversos ciclos, como é o caso que apresento no gráfico que acompanha o post. Se Nuno Crato, por absurdo, dirigisse todas as escolas do país, usaria a metodologia do estudo do CNE, encheria as turmas de acordo com a lei que fez aprovar, cortaria mais uns 10 a 20% no depauperado orçamento da Educação e teria direito a umas belas férias no Panamá financiadas pelas farmacêuticas da área da burnout.


 


Captura de Tela 2016-04-04 às 15.56.56.png


 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

da falência do modelo de gestão

 


 


 


 


Em 2005, o PS neoliberal iniciou a confessada guerra aos professores da escola pública. Encontrou uma inesperada resistência e foi perdendo batalhas. Em 2009, já em desespero e contra aquilo que ridiculamente considerava uma coutada comunista, destruiu um modelo de gestão que ia na primeira década de vigência, e de maturidade, e avaliado com nota muito positiva pelo próprio MEC. Lurdes Rodrigues criou a cadeia militar (assim classificada pela própria) com o controle vertical de directores escolares que ficaram também dependentes do pior da partidocracia local e de um método de selecção que exige júris qualificados e não imaturos. A PàF manteve, obviamente, o núcleo do processo e aguardam-se as ideias do "novo" PS onde coabitam Lurditas D´Oiro com públicos opositores ao devaneio (Santos Silva, por exemplo, que foi Ministro da Educação).


 


O blogue ComRegras publica os resultados de uma sondagem "concorda com o método de eleição do Diretor do Agrupamento/Escola?". O método actual é rejeitado pela maioria dos inquiridos. Obtém a última posição como se observa na imagem. Tem aqui a ligação ao post com uma análise do Paulo Guinote.


 


19230835_NkLyO.png


 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Finlândia vai sair do euro? Olhemos o gráfico

 


 


 


A Finlândia cumpriu todo o ritual austeritarista via CE, OCDE e FMI e está na maior crise financeira das últimas décadas (não é alheia, por exemplo, a situação da Nokia) e não pode, como noutras alturas, desvalorizar a moeda por causa do euro. Para além disso, este tratado orçamental limita outros caminhos. Com a PàF lá do sítio, os tais "verdadeiros finlandeses", em tarefas governativas, a situação agravou-se e bem nos lembramos desses bons alunos no eurogrupo. Os finlandeses olham para o gráfico e vêem os vizinhos suecos sempre a crescer com uma particularidade: não estão no euro.


 


finland_sweden_3504429b.jpg


 


Via Evans-Pritchard

terça-feira, 22 de setembro de 2015

dia 1 - sondagem "MadeToOrder" para as legislativas

 


 


 


 


Captura de Tela 2015-09-22 às 14.01.29.png


 


 


Encomendámos ao centro de sondagens "MadeToOrder" uma estimativa eleitoral diária até 2 de Outubro de 2015. 
O dia 1 coloca o Bloco de Esquerda (32,30%) à frente da CDU (31,70%).
Neste primeiro dia destaca-se o nível elevado da abstenção.
A sondagem foi realizada pela "MadeToOrder" para os blogues da Educação entre os dias 12 e 15 deste mês. Obtiveram-se vinte inquéritos válidos de amigos do editor do blogue Correntes. A margem de erro é de 99,9 por cento. 
Ficha técnica da sondagem: Sondagem realizada pela "MadeToOrder" para os blogues da Educação entre os dias 12 e 15 deste mês. O Universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos, recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental em lares com telefones fixos. Obtiveram-se vinte inquéritos válidos de amigos do editor do blogue Correntes, sendo 54% dos inquiridos mulheres, 30% da região Norntete, 29% do Centro, 35% de Lisboa, 2% do Alentejo e 4% do Algarve. Os resultados obtidos foram ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários e região na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 100%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 20 inquiridos é de 99,9%, com um nível de confiança de 0,1%. A taxa de resposta é estimada dividindo o número de inquéritos realizados pela soma das seguintes situações: inquéritos realizados; inquéritos incompletos; e recusas.

sábado, 20 de setembro de 2014

do recente milagre português

 


 


 


Já há conclusões sobre o "Relatório Estado da Educação 2013" do Conselho Nacional de Educação que, ao que me parece, ainda não é público. O Paulo Guinote já fez alguns posts que concluem no sentido do plano inclinado fortíssimo do sistema escolar nos últimos anos: os números apenas confirmam o óbvio. Retirei o quadro seguinte, sobre o número de professores de educação especial, deste post.


 


 



 


 


Bem sei que não se deve ironizar à volta de assuntos sérios, mas conclui-se que de 2012/2013 para 2013/14 o MEC terá conseguido, por exemplo, que crianças surdas passassem a ouvir e que as de baixa visão se transformassem em alta visão. É uma "normalidade", com ganhos de eficiência, como não se cansa de repetir Nuno Crato.


 


 


 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

o cerco à escola pública em números

 


 


 


 


 


Paulatinamente a agenda "tudo está mal na escola pública" acentuou-se no que levamos de milénio e só o esforço de muitos impediu que caíssemos no desastre sueco. O discurso do mercado da Educação ganhou terreno com o actual Governo.


 


Há concelhos, como o de Caldas da Rainha, em que a relação público-privado é elucidativa dos efeitos negativos para a escola pública e para os seus alunos e profissionais. 


 


O João Daniel Pereira, do movimento "Em defesa da escola pública do Oeste", fez mais um estudo muito pertinente que teve a gentileza de me enviar por email. Fez referência aos quadros (são de 2013 e da Direcção-geral da Estatística da Educação e Ciência), que a seguir apresento, nas redes sociais durante o verão e num comentário por aqui.


 


No seu email o João Daniel diz o seguinte:


 


 


"(...)em relação ao nosso concelho, há números avassaladores.(...)No fundo, prova-se, através da evolução do número de alunos e do número de docentes, a investida dos interesses privados no concelho. Só professores a menos no ensino público são 190 em 9 anos, ou seja, menos 22%. É um escândalo! Destaco o 2.º Ciclo, de 190 passámos para 96 docentes, uma redução de 50%. No 3.º Ciclo e Secundário, de 420 docentes passámos para 330.(...)"


 


 


Os quadros têm abundante matéria para discussão.


 


Fiz uns sublinhados para os dados que o João Daniel referiu e acrescento mais uns detalhes.


 


O número de alunos matriculados aumentou entre 2005 (ano de inauguração do Grupo GPS no concelho) e 2013. O número de alunos do ensino secundário aumentou, mas o número de alunos matriculados no regular diminuiu. Os indicadores de sucesso escolar têm muitas variáveis. Mas há um dado em relação ao 2º ciclo que é evidente: a percentagem de insucesso escolar ou desistência duplicou entre 2005 e 2013.


 


Ou seja, também os números de uma década são elucidativos acerca do cerco à escola pública.


 



 


 


 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

das contas do défice

 


 


 



 


 


Metade da redução de pessoas na administração central, entre 2001 e 2013, foi em cortes a eito em professores do ensino não superior. Cerca de 49000 pessoas saíram desse sector, sendo que perto de 22000 eram educadores e professores dos ensinos básico e secundário. Uma razia comprovada, derivada do aumento do número de alunos por turma, da diminuição da carga curricular dos alunos, dos agrupamentos de escolas e do aumento dos horários dos professores.


 


Há um estudo interessante a fazer.


 


Se aumentou significativamente a rubrica dos consumos intermédios do Estado, podemos considerar que as 20 e tal mil pessoas a menos que não são professores passaram a despesa por outsourcing. Ou seja, deixou de fazer o Estado para dar lugar a empresas com boa convivência no aparelhismo partidário.


 


 



 


 


 


 


 

sexta-feira, 14 de março de 2014

isto já é gozar

 


 


 


O FMI, que anda a dizer que tirou mais aos ricos, considerou que as classes médias, que iam respirando nos países mais pobres da Europa, eram ricas e decidiu nivelar por baixo em termos salariais.


 


E ao contrário dos seus estudos, os ricos nesses países vão ganhando cada vez mais a começar pelos banqueiros e pelos directores executivos das empresas monopolistas. Para acentuar a provocação, a ministra das finanças "não vê a troika como um problema". Dá ideia que são declarações articuladas com o Gaspar do FMI.


 


 


 


 



 


 


 


 


 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

heurística em 3d, linhas ou barras

 


 


 


 


 


A heurística, como arte de inventar ou descobrir, pode também manifestar-se em desenhos a três dimensões ou em gráficos com linhas ou barras.


 


A figura que se vê a seguir, e o problema colocado, recorda-me as manipulações de vária ordem dos ideólogos do Estado mínimo. O seu discurso anti-professor e anti-funcionário público em geral não sofre oscilações por mais que se comprovem as inverdades nos números ou nos factos, como foi o caso recente do relatório FMI ou das atoardas do primeiro-ministro e de quem o influencia ou guia directamente.


 


 


 



 


Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


 

 


É mesmo assim. Nem com régua os defensores do Estado mínimo lá vão. A despesa com professores será sempre exagerada e nunca se comoverão com a brutalidade dos cortes já efectuados. Mesmo os que dizem que na Educação já se chegou ao limte mínimo, omitirão essa fatalidade e repetirão o chavão da atracção dos "melhores".


 


Outra forma heurística muito em voga é a demonstração por gráficos. A escolha das escalas, mais ainda no eixo do y, digamos assim, provoca um efeito parecido ao demonstrado por Daniel Kahneman.


 


Vejamos dois gráficos com os mesmos números de alunos matriculados no 1º anos de escolaridade. A diferença está na escala usada no eixo do y e o resultado permite as mais variadas leituras. Repare-se que quem fez o primeiro gráfico é um blogger comprovadamente comprometido com a causa da escola pública.


 


 


 


Este gráfico foi inserido neste post.


 


 


 


 


 


 


Este gráfico é de um leitor do blogue a quem agradeço a colaboração.


 


 


 


1ª edição em 19 de Maio de 2013. 


 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

ainda os cortes nos do costume

 


 


 


 


 


Metade da redução de pessoas na administração central, entre 2001 e 2013, foi em cortes a eito em professores do ensino não superior. Cerca de 49000 pessoas saíram desse sector, sendo que perto de 22000 eram educadores e professores dos ensinos básico e secundário. Uma razia comprovada, derivada do aumento do número de alunos por turma, da diminuição da carga curricular dos alunos, dos agrupamentos de escolas e do aumento dos horários dos professores.


 


Há um estudo interessante a fazer.


 


Se aumentou significativamente a rubrica dos consumos intermédios do Estado, podemos considerar que as 20 e tal mil pessoas a menos que não são professores passaram a despesa por outsourcing. Ou seja, deixou de fazer o Estado para dar lugar a empresas com boa convivência no aparelhismo partidário.


 


 


 



 


 


 


 


 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ainda as leituras do PISA 2012

 


 


 


 


 


 



 


 


 


 


O gráfico do Público, que já tinha publicado ontem, é o que melhor resume o relatório PISA 2012 nos média portugueses que consultei. Quando se olha para um gráfico tem que se considerar as escalas usadas nos eixos que podem dar uma imagem das barras, colunas, linhas, curvas e por aí fora que iludem quem conclui com precipitação e que ajudam à manipulação.


 


É notório que existiu uma estagnação ou regressão nos alunos portugueses de 2009 para 2012, mas se considerarmos as últimas duas décadas (fomos testados a primeira vez em 2000) o resultado é muito positivo para a escola pública, embora se deva considerar o progresso socioeconómico da nossa sociedade com o aumento da classe média e com a atenuação da pobreza com programas do tipo do rendimento mínimo garantido (RMG). Este último programa foi muito criticado pelos que repetiam vezes sem conta: os problemas da escolarização não se resolvem "atirando" dinheiro para cima e usavam o chavão "temos que investir melhor". Preocupavam-se com as migalhas com que alguns enganavam os serviços do Estado que atribuíam o RMG, enquanto se entretinham a contratualizar PPP´s com a cobertura financeira do BPN.


 


Quando o relatório enaltece os rápidos progressos dos portugueses está a referir-se a essas duas décadas. É um tempo curto em Educação, sem dúvida. Talvez a estagnação ou retrocesso verificado de 2009 para 2012 explique o que foi tentado a partir de 2003 (o Governo de então tinha pouco crédito para perpetrar o que desejava e o seu chefe fugiu na primeira oportunidade) e concretizado depois de 2005 (Sócrates era o rei do arco da governação e beneficiava de uma cooperação estratégica com a presidência da República). Os resultados da tragédia que se iniciou em 2011, com o plano mais inclinado da história da democracia, ver-se-ão lá para 2016 ou 2019.


 


A descida continuada da Suécia nestes estudos deixa os suecos sem alternativa. Têm de reverter, penso que já o estão a fazer, a ideia de generalizar a "liberdade de escolha". Tem sido sei lá o quê ler os portugueses advogados da privatização sueca e para quem a escola pública é o adversário a abater (é mais a cobiça ao orçamento, como se sabe). As justificações para o caso sueco já vão na imigração e são tão ridículas como as declarações de um dos SE do actual MEC a reivindicar os bons resultados com uma certeza: a prova de acesso para os professores é um dos principais contributos para que Portugal chegue ao topo do mundo PISA. Mas o que é isto?


 


Aconselho este texto do Paulo Guinote.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

à volta do pisa 2012

 


 


 


 


O relatório PISA 2012 tem detalhes que interessa sublinhar. É evidente que estes estudos não devem ser tomados como bíblias. Como é habitual, parece-me que um modo significativo de postar sobre o assunto é recorrer a gráficos de fácil legibilidade acompanhados de umas setas e de uns breves comentários.


 


 



 


 


Verifica-se a queda continuada dos EUA e da Suécia nos resultados a matemática, leitura e ciências. Se os segundos são o modelo escolhido pelos adeptos portugueses de "tudo está mal na escola pública", os primeiros estariam muito mais abaixo se apenas se considerassem os estados do tea party tão do agrado dos referidos portugueses que querem deitar mão ao orçamento do Estado para a Educação.


 




 


 


Este gráfico reforça o anterior e integra os países por grupos que interessa considerar.


 



 


Este quadro relaciona os resultados a matemática com o nível socioeconómico dos países. Estes dados permitem concluir que uma sociedade empobrecida e ausente associada a uma escola incompleta em termos curriculares apresenta uma quebra de resultados. Se continuarmos com cortes curriculares, com a manutenção do número elevado de alunos por turma e com o empobrecimento em curso, o PISA 2015 poderá indicar um retrocesso.


 




 


Os alunos portugueses com cerca de 15 anos em 2011 estavam satisfeitos com a escola. Mais do que os suecos e muito mais do que os dos EUA ou da Alemanha. Os países que obtêm os melhores resultados disputam os últimos lugares neste parâmetro. Dá ideia que o meio da tabela numa conjugação das 2 variáveis não é um resultado que se rejeite.


 


 


 



 


Em relação às expectativas dos encarregados de educação sobre a frequência dos ensino profissional ou superior por parte dos seus educandos, os portugueses projectam-se mais, naturalmente, no ensino profissional. O que é interessante observar é que os alemães têm uma expectativa baixa em relação aos dois tipos de ensino, sendo mesmo muito residual em relação ao ensino superior. Não é de estranhar que andem em busca de quadros nos outros países europeus, talvez como consequência do tal ensino dual precoce que o actual MEC queria importar.