domingo, 27 de janeiro de 2013

publicidade, anedotas e comícios

 


 


 


 


Sou de um tempo em que a publicidade interrompia os filmes e era um excesso e uma perda de tempo. Desenvolvi um mecanismo mental de rejeição que já nem decifro as mensagens, apesar de reconhecer que tenho perdido coisas muito boas.


 


Acontece-me o mesmo com as anedotas. Talvez a brejeirice machista ligada a esse fenómeno me tivesse irritado tanto que estimulei um bloqueio que nem os sorrisos amarelos disfarçam e que quem me conhece bem já desistiu do uso desse meio de socialização.


 


Nas manifestações acontece-me o mesmo com as intervenções vindas dos palanques, que são sempre ruidosas e com vozes à beira de um ataque de rouquidão.


 


Ontem, na manifestação, existiu mais um coro de berraria. Só mais tarde dei conta do racismo do líder da CGTP, que classificou de escurinho o representante do FMI. É grave e inadmissível. Não sei se o homem já se retratou. Deve pedir desculpa e demitir-se de seguida. A expressão é indesculpável. É o tipo de racismo que vem bem de dentro.

20 comentários:


  1. Então o Arménio Carlos chamou "escurinho" ao senhor preto do FMI?

    E isto é....racismo?

    Como é que é?

    E o Arménio Carlos devia demitir-se por lhe ter chamado o "rei mago escurinho" do FMI?

    Calhando, poderia tê-lo chamado de "moreno tropical", não?

    Mais simpático?

    E prende-se esta gente com pentilhices do caraças, em vez de se preocuparem com o que fazer para ir para a frente com uma luta absolutamente necessária.

    Intelectualices......


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  2. Penso que o Salassie devia vir a público desmontar o politicamente correcto do "escurinho" e dizer:

    " Pá, Arménio! Eu não sou escurinho nem moreno tropical. Eu sou preto mesmo. Não dá pr'á ver?"

    Ao que alguém lhe poderia responder:

    "ó Salassie, o problema não é cromático. O problema é outro...."

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  3. "A expressão é indesculpável. É o tipo de racismo que vem bem de dentro."

    Tu acreditas no que escreveste, Paulo?

    Agora a sério....um tipo de racismo que vem de dentro????

    Continuando a brincar, porque só assim sei lidar com isto, explica lá como é o racismo que vem de fora.

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  4. Ia responder ao teu primeiro comentário exactamente com a mesma interrogação: a sério?

    Francamente, Fernanda.

    Racismo que vem de dentro é uma espécie de eufemismo. Este racismo é profundo, não é aquela coisa cromática como a cor do cabelo ou dos olhos.

    Cresci numa sociedade dominada por racismos vários. Sei bem o que passavam os meus amigos que eram vítimas da coisa.

    Não conheço o homem da CGTP. Excedeu-se. Foi lá para as boas vindas e nunca mais se calava. Espalhou-se e deve assumir o erro.

    Foi grave e ponto final. Se fosse uma pessoa de direita a cometer um erro daqueles o que dirias?

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  5. Tal como tu, vivenciei racismo ao longo da minha vida.

    Primeiro, porque nasci em África; depois, porque conheci a África do Sul e o apartheid. Depois, porque estudei e observei.

    Chamavam-me "branca de 2ª", o que, francamente, nunca me causou qualquer trauma.

    O que acho estranho é não te teres referido a outras intervenções feitas na manifestação e tenhas retido a do "escurinho" do discurso do Arménio Carlos, que não conheces mas que não te coíbes de chamar de racista.

    É como ler a sequência do alinhamento das notícias de um qualquer Correio da Manhã.

    Se um gajo de direita chamasse escurinho a alguém?

    Qual era o problema, desde que não fosse daltonismo?

    Sabes o que é bem, bem pior?

    É chamarem-nos de piegas, preguiçosos, privilegiados, de pouco trabalhadores e de auferirmos grandes salários e reformas.

    Aí, Paulo, quando um governante desta direita diz isso a toda a hora, aí sai uma caralhada valente.

    "Cabrão deste copinho de leite!"

    Pá, Paulo, aí uma mulher não é de ferro!

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  6. Fiz 3 posts sobre a manifestação (o último acabei agora) e apenas escrevi sobre isso da CGTP que foi o que vi numa peça televisiva. Não ouvi os discursos.

    Desculpa, mas se tens essa vivência tens de discordar com veemência do que foi dito. Não vou fazer do incidente o cerne do que está em causa. A profissionalidade dos professores merece mais.

    A linha editorial deste blogue procura a coerência.

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  7. "Fiz 3 posts sobre a manifestação (o último acabei agora) e apenas escrevi sobre isso da CGTP que foi o que vi numa peça televisiva. Não ouvi os discursos."

    Bom, então não vale a pena continuarmos a "falar".

    "A linha editorial deste blogue procura a coerência."

    Eu sei e admiro isso. Mas, de vez em quando, naturalmente, falha-se. E aí, não consigo, como comentadora, calar-me em nome da coer~encia, precisamente.

    Onde falhaste na coerência foi nesta afirmação:"... e apenas escrevi sobre isso da CGTP que foi o que vi numa peça televisiva. Não ouvi os discursos."

    Nas peças televisivas vê-se e ouve-se e retém-se o que nos induzem a ver, a ouvir e a reter.


    Mais uma vez, a 3ª, repito que não me causa qualquer trauma de racismo a afirmação proferida por AC, na sequência e no contexto do seu discurso.


    "A profissionalidade dos professores merece mais."


    Eu agora diria numa frase o que penso desta afirmação. Mas ia sair uma coisa politicamente pouco correcta e até algo racista.

    boa noite

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  8. O professor Marcelo deve ter lido este post e esta troca de argumentos entre o Paulo e a Fernanda, pois abriu o seu comentário da semana, na TVI, a cascar no Arménio Carlos por causa do "escurinho".
    Teve (des)graça a argumentação do professor Marcelo, espantado por esse deslize vir de um homem de esquerda. Será que ele quis dizer que racismo é coisa de homem de direita?!? Sendo ele quem é...
    Enfim, está visto que não foi só alguma comunicação social que tentou ignorar a manifestação. Até Marcelo a mencionou só para salientar o deslize do Arménio.
    Desculpa, Paulo, mas esta história faz-me lembrar alguns alunos meus quando, ao relembrar a flexão verbal, em especial o Condicional dos verbos, aprendem a mnemónica de ser o modo da Maria (que ensino para ver se não o confundem e fixam melhor), identificando-o depois nos próprios testes como o "Modo da Maria"!!!

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  9. Dou de barato que o Sr. Carlos é quase sempre infeliz no que diz, mas, sinceramente, onde está o racismo nesta tirada? De resto, a falta de piada está, isso sim, na analogia dos três "troikos" com os reis magos.
    Quanto ao argumento do "comentador" Marcelo, é de uma enormidade a toda a prova: o problema da anedota (?), alega ele, é ter sido dita por "um homem de esqueda, por um comunista". Palavra de honra!; há mais preconceito no Sr Sousa do que racismo no Sr. Carlos...

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  10. Sejamos coerentes Pedro; mas tentemos ser sempre coerentes.

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  11. Caro PGTP

    A propósito, permito-me sugerir-lhe a leitura da crónica de José Diogo Quintela no "Público" de hoje: corrosiva, lúcida, pedagógica - como quase sempre.

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  12. Já li, Caro Lúcio obrigado. Concordo com a adjectivação e acrescentaria o registo humorado. Apenas me parece que o politicamente incorrecto é que tomou o lugar do politicamente correcto. Estamos no vale tudo e relativizamos em excesso. Recorda-me o relativismo cultural.

    Neste caso, e em todos os outros em que se discriminam, temos de nos pôr no lugar do outro.

    Aconselho, já agora, a leitura do texto da página 34, sobre a universidade de harvard, em que se defendem as comunidades de aprendizagem com um primeiro critério: integridade.

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  13. "Neste caso, e em todos os outros em que se discriminam (...)"
    Pois, mas o problema está precisamente aqui: o Paulo jura a pés juntos que chamar "escurinho" a alguém (que, por acaso, tem pele preta) é discriminação. Eu penso que não. (...a menos que ter pele preta seja um defeito - suspeita justificada em quem tudo faz para omitir qualquer referência à pigmentação do maior órgão do corpo de alguém). Quando aceitarmos que ter pele preta é uma característica como qualquer outra (ser alto, baixo, gordo, branco, careca, magro, narigudo, bochechudo, novo, velho...) os engulos politicamente correctos em relação às alusões à cor da pele (o indicador mais óbvio de alguém) deixarão de fazer sentido. Quanto ao mais, mantenho: o sr. Arménio Carlos faz amiúde figura de idiota - no caso, por se ter assenhorado de um palanque que moralmente não lhe pertencia e por ter feito uma piada com os Reis Magos cujo valor simbólico manifestamente desconhece.

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  14. Espero que um dia venha a ser assim Lúcio.

    O racismo está ainda tão patente, e tem dilacerado tanto, que estamos longe da "naturalidade" que o Lúcio defende.

    Ainda é bem diferente do alto, magro, novo e talvez quase parecido com gordo e velho.

    Concordo com o conteúdo do comentário.

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  15. Concordo, mas "nunca juro a pés juntos", :) :) Obrigado :)

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