quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

sem sociedade e sem escola

 


 


 


 


Usei parte deste texto noutros posts.


A redundância tem limites.


 


 


 


Não sou pessimista, mas quem anda pelas escolas regista o estado de desesperança. Se já não tínhamos sociedade, parece que também já temos menos escola.


 


Os governos deste milénio agruparam escolas a eito porque estavam ancorados em maiorias absolutas e porque foram abençoados por cooperações estratégicas e pela opinião publicada. Deram corpo a políticas que misturaram a agenda neoconservadora com salpicos de engenharia social. Os resultados desastrosos acentuaram a ausência de sociedade na Educação das crianças, a desautorização inédita dos professores e a eliminação do decisivo critério de proximidade relacional.




Por mais alertas que se fizessem, a sociedade portuguesa armazenou as crianças e ausentou-se da sua Educação. Não há nada melhor que uma escola possa oferecer a uma família ausente do que um tutor. E sabe-se como essa decisão apenas espelha um estado de desespero e de caminho para o abandono escolar; são raras as excepções.


 


caderno de encargos da escola tornou-se insuportável, como há muito não me canso de escrever. Se até aqui o problema era civilizacional e de ensino, agora passou-se para o domínio da sobrevivência. 


 


É interessante o registo de António Nóvoa que apela a mais sociedade. Chega a afirmar que se continuarmos neste caminho, teremos "ensino no privado e social no público".


 


A inversão da tragédia só se consegue com actos. Não sei se na sociedade o caminho é o apontado por António Nóvoa, mas tenho a certeza que a recuperação da esperança escolar não se fará com as políticas de proletarização dos professores e de ausência de democracia no ambiente escolar.


 


 


Sampaio da Nóvoa defende transferências de competências das escolas para as autarquias


 


"O reitor da Universidade de Lisboa (UL) defende que as escolas têm "excesso de missões", que deveriam ser transferidas para outras instituições, como as autarquias ou famílias. Só assim, considera Sampaio da Nóvoa, os estabelecimentos de ensino conseguem estar focados na aprendizagem. "À escola o que é da escola. À sociedade o que é da sociedade", defende.(...)"

12 comentários:

  1. Parece-me uma visão excessivamente pessimista. Claro que o ideal seria termos turmas pequenas e escolas com menos de 500 alunos. Mas, como diz o outro: "Não somos ricos!"
    É bom que se compare a Escola Pública de há 20 anos com a de agora. É importante recordar e contextualizar...

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  2. Faz no próximo dia 17 de Fevereiro dois anos que tive o prazer de assistir a uma conferência de António Nóvoa, no ISCTE-IUL, onde, pela primeira vez, o ouvi dizer: "À escola o que é da escola. À sociedade o que é da sociedade".
    Foram dois anos verdadeiramente dramáticos os que decorreram entretanto, transformando a realidade em algo de inacreditável a que apenas se poderá aplicar o lema de António Nóvoa se reformulado para: "Nem à escola o que é da escola, nem à sociedade o que é da sociedade".

    Se já naquela ocasião as palavras de António Nóvoa me pareceram de um enorme lirismo, tendo em conta a reduzida dimensão humanista que, cada vez mais, se impunha à sociedade, hoje o professor arrisca-se a pertencer a uma espécie de clube de poetas mortos ao fazer esta apologia, pois nem o conceito de escola, nem o de sociedade têm qualquer eco no espírito de quem decide os destinos dos portugueses e governa o país, lamentavelmente.

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  3. O sr Pedro não desgruda. Sempre a bater no ceguinho!
    Arre, é pior que a sarna!
    Dêm um caramelo ao sr Pedro, por favor!
    Abraço do norte, Paulo Prudêncio:):)

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  4. De facto, o post do Pedro está deslocado, nem sei bem de onde... Até julguei que, ao comentar aqui as palavras do professor António Nóvoa, quem se tinha enganado no local era eu!

    Ainda assim, não deixa de ser curioso que o Pedro recomende que se compare a escola pública de há 20 anos com a de agora, muito melhorada julgo eu que o Pedro quis dizer, considerando o parágrafo anterior do seu comentário, quando, no passado dia 2 de Janeiro, o próprio Pedro publicou um post, no seu blogue, que começa assim:

    "Este post é dedicado a todos aqueles que ainda não perceberam que é possível fazer-se melhor com menos. É tudo uma questão de se apostar numa boa e correcta gestão dos recursos existentes."

    Ó Pedro, nas suas apreciações algo não bate a bota com a perdigota! Como faremos mais com menos (para ser fiel às palavras originais desta apologia) sem retroceder há vinte anos atrás ou muito mais?!?

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  5. Obrigado Ana. Ainda reli duas vezes antes de comentar.

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  6. Cada um interpreta como quer. É que o debate sobre a Escola Pública não é proporiamente o debate de uma qualquer ciência exacta. E os debates são como as cerejas...
    O Paulo percebeu muito bem o que eu quis dizer. É que quem falou nos governantes deste milénio foi o Paulo.

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  7. Ana, como faremos mais com menos ou como faremos melhor com menos? É que qualidade não é o mesmo que quantidade...

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  8. Pedro, essa pergunta tem de dirigir ao Governo, pois certamente quando os seus membros preconizam mais com menos não estão a recomendar mais trabalho aldrabado e/ou mal feito, com menos dinheiro e recursos. Ou estarão?!

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  9. Concordo Ana. A formulação presente é simples: muito menos com menos. Pagar-se-á.

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