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Título: Como é que o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação da comunicação social
Texto:
Foi em 10.06.2023 que fiz o último post sobre as investidas de Miguel Sousa Tavares (MST) sobre os professores. Prometi que seria o derradeiro. Como pode ler no link que meto no primeiro comentário, dessa vez escrevi assim: "MST mentiu sobre a avaliação dos professores e sobre a carreira(...)numa fase com milhares de professores em "fuga" e sem candidatos a essa profissão tão exigente e difícil. MST analisa sem o mais elementar conhecimento da realidade. São duas décadas desta devassa mediática da profissionalidade dos professores."
Após a recente greve geral, MST escreveu que os professores “adoram fazer greves antes do fim de semana" e que o fazem para "terem quatro dias de fim de semana". Não ia abordar o assunto, mas um comentador habitual do blogue desafiou-me e um anónimo comentou assim - subscrevo-o e transcrevo o essencial -: “Há anos que o jornalista MST, avisado noutras matérias, tem um discurso persecutório e irresponsável em relação aos professores(...)nunca fez o trabalho de casa, sempre se pronunciou com ligeireza(...)o seu discurso, mais emocional do que racional(...)nem a fuga de professores ao sistema o fazem questionar-se, se ser professor é um festim como ele diz, por que razão não há fila de espera?”
E lembrei-me de um podcast - no "Vale a pena", de Mariana Alvim, ou no "Fala com ela", de Inês Meneses - em que ouvi o maestro Martim Sousa Tavares, filho de MST, explicar, com desconforto, estas investidas: "ainda noutro dia falámos disso ao almoço. Acho que o faz só para irritar".
Se a ideia é irritar, consegue quase a unanimidade junto dos professores - claro que haverá professores laranjas que agora justificam as investidas, como antes houve professores rosas que o terão feito.
Usar a irritação e o ódio é destrutivo e deslaça as sociedades, mas granjeia popularidade se se escolher bem os alvos. MST, e muito comentário da bolha político-mediática, foi percursor dessa realidade e também usou informação falsa.
Em síntese, a escolha de MST tem as características do fenómeno que está a degradar as democracias (e repetindo alguma argumentação): as gigantes tecnológicas, que dominam as redes sociais, criaram algoritmos que destacam posts com mensagens, que podem ser falsas, de ódio e irritação. Servem-se do perfil dos utilizadores para os viciarem. Há muito que se sabe tudo isto e há muitos testemunhos de programadores destacados que discordaram e se afastaram. Os criadores das mensagens irritantes usam o racismo, a xenofobia, a misoginia, as informações falsas e por aí fora, no que se tornou no exercício favorito da extrema-direita e das autocracias mais poderosas que tudo fazem para desestabilizar as democracias ocidentais. É uma luta muito desigual, até porque quantos mais posts denunciadores se faz mais se alimenta o monstro.
E no pior que tem o sistema, destaca-se diariamente a decadência que chefia os EUA (ainda esta semana fez uma declaração de irritação e ódio a lamentar-se que não cheguem aos EUA "imigrantes da Noruega ou da Suécia e só apareçam os repugnantes - e mais umas classificações aberrantes - somalis"). Aliás, o pequeno Tutti-frutti da Lusitânia usa os bengalis com o mesmo fim de irritação tiktokiana e não se pode dizer que as gigantes tecnológicas, nem as instituições democráticas, onde se inclui a comunicação social, não estavam informadas.
Em suma, o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação da comunicação social.
Nota: não voltarei ao tema MST.



