Mostrar mensagens com a etiqueta algoritmos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta algoritmos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Como é que o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação da comunicação social 

Captura de ecrã 2025-12-15, às 01.16.34.png


Título: Como é que o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação  da comunicação social 


Texto:


Foi em 10.06.2023 que fiz o último post sobre as investidas de Miguel Sousa Tavares (MST) sobre os professores. Prometi que seria o derradeiro. Como pode ler no link que meto no primeiro comentário, dessa vez escrevi assim: "MST mentiu sobre a avaliação dos professores e sobre a carreira(...)numa fase com milhares de professores em "fuga" e sem candidatos a essa profissão tão exigente e difícil. MST analisa sem o mais elementar conhecimento da realidade. São duas décadas desta devassa mediática da profissionalidade dos professores."


Após a recente greve geral, MST escreveu que os professores “adoram fazer greves antes do fim de semana" e que o fazem para "terem quatro dias de fim de semana". Não ia abordar o assunto, mas um comentador habitual do blogue desafiou-me e um anónimo comentou assim - subscrevo-o e transcrevo o essencial -: “Há anos que o jornalista MST, avisado noutras matérias, tem um discurso persecutório e irresponsável em relação aos professores(...)nunca fez o trabalho de casa, sempre se pronunciou com ligeireza(...)o seu discurso, mais emocional do que racional(...)nem a fuga de professores ao sistema o fazem questionar-se, se ser professor é um festim como ele diz, por que razão não há fila de espera?”


E lembrei-me de um podcast - no "Vale a pena", de Mariana Alvim, ou no "Fala com ela", de Inês Meneses - em que ouvi o maestro Martim Sousa Tavares, filho de MST, explicar, com desconforto, estas investidas: "ainda noutro dia falámos disso ao almoço. Acho que o faz só para irritar".


Se a ideia é irritar, consegue quase a unanimidade junto dos professores - claro que haverá professores laranjas que agora justificam as investidas, como antes houve professores rosas que o terão feito.


Usar a irritação e o ódio é destrutivo e deslaça as sociedades, mas granjeia popularidade se se escolher bem os alvos. MST, e muito comentário da bolha político-mediática, foi percursor dessa realidade e também usou informação falsa.


Em síntese, a escolha de MST tem as características do fenómeno que está a degradar as democracias (e repetindo alguma argumentação): as gigantes tecnológicas, que dominam as redes sociais, criaram algoritmos que destacam posts com mensagens, que podem ser falsas, de ódio e irritação. Servem-se do perfil dos utilizadores para os viciarem. Há muito que se sabe tudo isto e há muitos testemunhos de programadores destacados que discordaram e se afastaram. Os criadores das mensagens irritantes usam o racismo, a xenofobia, a misoginia, as informações falsas e por aí fora, no que se tornou no exercício favorito da extrema-direita e das autocracias mais poderosas que tudo fazem para desestabilizar as democracias ocidentais. É uma luta muito desigual, até porque quantos mais posts denunciadores se faz mais se alimenta o monstro.


E no pior que tem o sistema, destaca-se diariamente a decadência que chefia os EUA (ainda esta semana fez uma declaração de irritação e ódio a lamentar-se que não cheguem aos EUA "imigrantes da Noruega ou da Suécia e só apareçam os repugnantes - e mais umas classificações aberrantes - somalis"). Aliás, o pequeno Tutti-frutti da Lusitânia usa os bengalis com o mesmo fim de irritação tiktokiana e não se pode dizer que as gigantes tecnológicas, nem as instituições democráticas, onde se inclui a comunicação social, não estavam informadas.


Em suma, o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação da comunicação social.


Nota: não voltarei ao tema MST.



 

terça-feira, 3 de junho de 2025

Mikazz o Andrew Tate português

Estamos a chegar a este fenómeno com dez anos de atraso. Ora leia se está interessado em saber que Mikazz é o Andrew Tate (o tal influencer da série Netflix "Adolescência") português. Já agora, perguntem à extrema-direita (e não só) porque é que não quer as crianças e joves sem tiktoks e adição tecnológica. Escrevi assim num texto para o Público, "Sem professores e entregues à selva digital", em 3 de Julho de 2024:
"(...)Portanto, quando li na capa do Expresso, de 24 de Maio de 2024, que "há crianças de 11 anos dependentes de pornografia online; em Portugal, 40% dos rapazes e 26% das raparigas entre os 9 e os 16 anos já viram conteúdos pornográficos através de pesquisas online", esperei, em vão, pelo imediato alarme mediático. Em vão porque estes dados do "EU Kids Online", financiado pela Comissão Europeia, são de 2019 - imagine-se agora. As bolhas política e mediática só se alarmam se puderem culpar as escolas e os seus professores.
No mesmo âmbito, o Conselho da União Europeia agendou o desespero com os influenciadores das redes sociais (estude-se Andrew Tate). São, de longe, os mais "googlados". Radicalizam os adolescentes em valores misóginos e de obediência violenta das raparigas. Os jovens seguem-nos, como o farão na altura de votar numa cultura política sociopata, insensível ao sofrimento, alimentada pelo ódio e sem qualquer sinal de empatia.(...)"



"O jovem português Mikazz era o "deus" de um grupo online que promoveu massacres em escolas no Brasil e fez apologia ao nazismo. Adolescente é suspeito de orquestrar ataques em escolas, maus tratos a sem-abrigo e animais. Terá disseminado também centenas de ficheiros com pornografia de menores e promovido a auto-mutilação em direto e a discriminação contra mulheres."


sábado, 11 de janeiro de 2020

Do Admirável Mundo Novo dos Algoritmos

 


É importante a discussão sobre a prevalência dos algoritmos em algumas áreas, nomeadamente na saúde e na justiça onde se poderá recuar em direitos: desde a relação do local de residência com a propensão para cometer crimes até à relação do custo da taxa moderadora da saúde ou do preço subsidiado dos medicamentos na relação com os hábitos de vida.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Blogues, Templates e Algoritmos

21611298_EVP33.png


 


 


O novo modelo do meu blogue insere no fim dos posts uma rubrica "Mais para ler" que inscreve até quatro posts antigos deste blogue. A selecção é feita por um algoritmo do SAPO que o responsável do blogue não controla. É muitas vezes uma surpresa e um exercício de memória num blogue que vem de 2004. Por exemplo, o post de hoje sobre Guernica obteve as escolhas que pode ver na imagem. Quem gostar de passar pelas memórias pode sempre ver a data de publicação dos posts. Ontem, mais uma vez como exemplo, o post "Do Dever de Indignação" escolheu em primeiro lugar um post de 2009.


Actualização: o pesente post, por exemplo, mereceu do algoritmo o que pode ver mais abaixo no "Mais para ler".

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Substituir os rankings pela inclusão

 


 


 


Substituir os "rankings pela inclusão como a medida principal na avaliação externa das escolas", como diz o Público, é uma decisão que só peca por tardia. Há muito que se sabe que "os resultados dos alunos em exames não avaliam escolas". Mas não basta substituir. É necessário incluir três variáveis inquestionáveis: a inclusão é, antes de mais, uma obrigação da sociedade e só será bem sucedida na escola se se dirigir a todos - alunos, professores e outros profissionais - e se a avaliação externa estimular a desburocratização. Já temos história suficiente para perceber que foi a hiperburocracia (e a desconfiança nos professores) que provocou o instabilidade de programas de inclusão e a documentada exaustão de todos; alunos também. Simplificando: quantos professores leccionam turmas do 8º ano? Qual é, hoje, o saldo orçamental da escola e em modo digráfico? Se uma escola não tem respostas deste género à distância de um clique, nem vale a pena continuar a avaliação externa.


Mas esta substituição remete-nos para um dos fenómenos escolares mais chocantes da última década. Os rankings "estimularam" a exclusão de alunos de quem se esperava fracos resultados académicos (incluíndo os da educação especial). O choque foi da responsabilidade de profissionais pagos integralmente pelo orçamento de estado em escolas públicas ou nas tais "privadas". Espera-se que esta substituição atenue o fenómeno.


 


45751693694_175824ddca


 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Do perfil do aluno

 


 


 


Parece-me aceitável uma discussão abrangente do perfil do aluno. Aliás, um algoritmo sensato exige um perfil com mais de 60% de responsabilidade para a sociedade. A percentagem escolar engloba currículos que foram afunilados principalmente com a troika - mas também antes disso - e que tardam a recuperar uma carga equilibrada.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

"a culpa é dos currículos ou dos professores?", pergunta o Público

 


 


 


 


Ainda recentemente, dirigentes partidários e sindicais usaram os bons resultados internacionais dos alunos para defenderem as causas dos professores. E agora? Como é que fazem nos maus resultados? Os professores não precisam de entrar no argumentário demagógico que descredibiliza a política. Conhecem muito bem as percentagens comprovadas do sucesso escolar - não vou repetir em detalhe -: 60% para a sociedade (por defeito, para não eliminar o contraditório), 30% para a organização escolar e 10% para os insubstituíveis professores que, como repete o estudo, são amplamente reconhecidos por alunos e familiares. Para a defesa fundamentada das causas, basta a sala de aula no período abrangido: mais alunos por turma, mais turmas por professor em horários ao minuto recheados de inutilidades, congelamento das carreiras (facto exclusivo que os media se apressaram a falsificar e inverter), programas indecentes de aposentações, modelo "impensado" de gestão das escolas, hiperburocracia, atenuação do descontrole parental e do flagelo da desnutrição, tudo fazer na tal décima do sacrossanto acesso ao superior, substituição de assistentes sociais, psicólogos, médicos e electricistas de redes de computadores. Quando os dirigentes usam os resultados dos alunos para se justificarem ou promoverem, o que é que esperam da mediatização?


 



Nota para dois factos do período de escolaridade abrangido (2011-2016): aumento da pobreza e opções de Nuno Crato. 



Captura de Tela 2017-12-06 às 16.14.58


 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Da queda nos testes internacionais

 


 


 


O Público informa que a "avaliação internacional mostra que alunos do 4.º ano estão pior na leitura. Entre 2011 e 2016, a média dos alunos portugueses desceu 13 pontos na avaliação da literacia em leitura feita pelo PIRLS. É a segunda maior queda em 50 países analisados. Metas e mudanças na avaliação poderão ter influenciado o desempenho dos estudantes."


Há nesta conclusão uma responsabilização das obsessões cratianas. Os retrocessos civilizacionais (medir as palavras lidas por minuto, por exemplo) fundamentados nas epifanias de Nuno Crato, provocaram afunilamentos curriculares que originaram o que escrevi há dias: para um aluno do 3º ano para cima, é tão óbvio ter explicações como ir à escola.


É precipitado concluir nestas matérias. Há, contudo, uma explicação que não me canso de repetir:



A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades, na mesma sociedade e organização, com 100 professores diferentes, os resultados oscilariam muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É também por isso que é um logro que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que tudo se resolve mudando o conteúdo físico dos 30%. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% não há ensino.


 


 



Nota: no período 2011 a 2016 houve, objectivamente, muito menos sociedade.

domingo, 3 de dezembro de 2017

das coisas óbvias?

 


 


 


Para quem convoque exemplos que clarifiquem o post anterior, fica uma evidência, entre inúmeras, que abrange discussões e perplexidades: para um aluno do 3º ano para cima, é tão óbvio ter explicações como ir à escola.


 


Figura 1 cristina CIUHCT


 


 


Imagem encontrada no site


da Faculdade de Ciências


da Universidade de Lisboa

sábado, 2 de dezembro de 2017

do tempo de humanidade(s); e de artes

 


 


 


O sistema escolar desespera por um tempo de humanidade(s) - e de artes -: nos currículos, mas simultaneamente na ideia de escola. Se o Governo já cumpriu uma agenda e tenta a oxigenação do algoritmo de Costa&Centeno no sítio, quem diria, que o travou e desprezou, é tempo de olhar para o futuro do sistema escolar contrariando a absolutização do presente imposta recentemente. À desumanização da ideia de escola instituída por Sócrates&Rodrigues, seguiu-se a desumanização curricular de Passos&Crato. Esta última observação serve de memória para a primeira linha a inscrever no programa de afirmação do algoritmo.


Word-Cloud-1-625-wide


 


Imagem encontrada no blogue Dúvida Metódica

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Da soberania e da Catalunha

 


 


 


Se é difícil a soberania de um Estado europeu, como será com uma soberania europeia? A encruzilhada do velho continente tem uma estreita e histórica relação com a paz. A ideia de igualdade é o algoritmo a recuperar. Nas democracias há saudáveis grupos de contestação, mas não existem instrumentos capazes de institucionalizar o algoritmo.

sábado, 1 de julho de 2017

Se temos 2 milhões e 500 mil pobres

 


 


 


"Portugal é o país europeu com uma maior associação entre chumbos e pobreza", diz o Público numa edição em que também se conclui que "em 16 anos nunca se chumbou tão pouco como no ano lectivo passado". Se também se sabe que temos 2 milhões e 500 mil pobres (500 mil crianças), será óbvia a conclusão que nos diz que as alterações administrativas para o sucesso escolar mudaram os números (os números) e ponto final. 


Repito um algoritmo que já tem quase uma década.



A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades, na mesma sociedade e organização, com 100 professores diferentes, os resultados oscilariam muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É também por isso que é um logro que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que tudo se resolve mudando o conteúdo físico dos 30%. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% não há ensino.



 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

da correria dos pais e dos educadores

 


 


 


O filósofo John T. Bruer critica as modas educativas que nada têm de ciência e que são apresentadas como talDa música à matemática e passando por uma segunda língua, as sociedades estão cheias de modismos destinados às crianças que resultam em mais stresse para pais e encarregados de educação.


Continua a ser importante uma sociedade presente e com tempo para as crianças. É fundamental uma educação equilibrada e, principalmente, que contrarie o modelo criança-agenda.


 


17061567_DuOf8


17061570_RogWQ 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

dos alunos e do sucesso escolar

 


 


 


 


"90% dos alunos considera que o sucesso escolar se deve mais ao seu esforço do que aos professores. Apenas 10% considera que ser bem sucedido se deve aos professores". Ora aí está um estudo que a plêiade de especialistas em Educação, de governantes da última década a comentaristas profissionais e passando por sei lá quem mais, tudo fará por ignorar. Tenho insistido neste algoritmo, construído com elementar bom senso, que vai no sentido do estudo mas que "desempregava" toneladas de burocratas escolares. Como se observa no desenho, os alunos reconhecem a autoridade escolar dos professores.


 


cartoon29-600.gif.png


 


 

sábado, 21 de maio de 2016

do abandono escolar e das repetições

 


 


Num momento em que se aplaude uma solução tutorial-exclusivamente-escola para uma pequena componente da praga do insucesso e abandono escolares, recupero um algoritmo que escrevi há uns seis anos.


 



A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.


 


Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.


 


Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.


 


É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico ou contratual dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.


 


11240456_1607991426154835_803042280_n.jpg


 


quarta-feira, 16 de março de 2016

ainda a assustadora falta de autonomia dos nossos jovens

 


 


 



"(...)Os adolescentes portugueses são dos que se sentem mais apoiados pela família, têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros pontos do globo e, mais dos que os outros, quando têm relações sexuais usam preservativo. Boas notícias, portanto. Mas — e esta é a primeira má notícia — a escola em Portugal é pouco amada.(...)"


 



Esta passagem do Público evidencia uma hierarquia que os investigadores sublinham nos países com sérios problemas educativos e, por consequência, com um excessivo caderno de encargos da escola: seleccionam a sociedade como primeira componente crítica e não as famílias; e insistem muito neste detalhe, como refiro aqui. E basta pensarmos um bocado nos países que não fazem do bem comum e da organização valores preciosos: quantos decisores públicos, e privados, claro, e aos mais diversos níveis, apoiam a sua família como o descrito e são completamente negligentes na acção cívica ou política? Podíamos ficar agora a tarde toda a elencar o interminável rol de "erros graves de planeamento", ou até de "actos corruptos", que dificultam muito as tarefas educativas das famílias e as de ensino das escolas.


 


liberdade e dependência cartoon de Odyr Berrnardi

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

há demasiadas crianças em risco

 


 


 


A desconfiança nas escolas tem diversas causas, mas a primeira relaciona-se com a inabilidade das sociedades em educar as crianças. A relação tem uma proporcionalidade directa. Uma sociedade que se demite de educar, remete para a escola a tarefa na totalidade.


 


Esta natural impossibilidade explica duas consequências: "perseguição" à profissionalidade dos professores, normalmente através da hiperburocracia e de outros fenómenos causadores de "síndrome de burnout", e aumento do consumo de psicotrópicos (ritalina e afins) em crianças agenda.


 


19104657_GWQbQ.png


 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

demasiadas crianças tomam psicotrópicos

 


 


 


A desconfiança nos professores tem diversas causas, mas a primeira relaciona-se com a inabilidade das sociedades em educar as crianças. A relação tem uma proporcionalidade directa. Uma sociedade que se demite de educar, remete para a escola transbordante duas tarefas: educar e ensinar na totalidade. Esta impossibilidade explica duas consequências: "perseguição" à profissionalidade dos professores, normalmente através da hiperburocracia e de outras inutilidades causadoras de "síndrome de burnout", e aumento do consumo de psicotrópicos (ritalina e afins) em crianças agenda.


 


Captura de Tela 2015-12-15 às 18.55.08.png


 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Do problema educativo português

 


 


 


 


Nem que fosse apenas para as elites, os diversos sistemas escolares sempre conheceram bons resultados nos que aprendem em qualquer sistema: por fortes apoios económicos ou por ambição escolar.


 


O grande desafio das sociedades é reduzir o número dos "que não querem aprender". Esse objectivo das democracias exige tempo, atravessa gerações e tem de ser contínuo. Se já temos história a propósito da importância das sociedades, das famílias, da qualidade do ensino e das aprendizagens, o mesmo não podemos dizer da administração e gestão escolares e das redes de escolas.


 


O problema educativo português, e dos seus sistemas em geral, tem duas causas evidentes: a uma sociedade ausente acrescenta-se o desprezo pela organização como um valor precioso.


 


O nosso sistema registou as opções dos seus governantes: centradas no ensino e na carreira dos professores ou nas aprendizagens com uma sobrecarga de informação inútil por desconfiança em quem ensina. O que ainda não se conheceu foi uma governação com princípios de gestão e administração associados às ciências da Educação. É aí, se me permitem, que está o cerne de uma imperativa reforma.


 


image.jpg