Mercado total, oportunidade de negócio, ultraliberalismo, individualismo, rankings, meritocracia, internacionalização e globalização da língua, e podíamos estar um bom tempo a debitar termos que infernizam as sociedades actuais e, é bom que se sublinhe, a que as crianças não escapam. Não podemos dizer que não fomos avisados e só temos que nos penalizar por termos considerado os avisadores como gente pouco competitiva.
Os resultados vão-se evidenciando, em Portugal também, e ainda há quem resuma, com um sorriso que não se aconselha, a tragédia aos esticanços de mais ou menos corda. O sistema escolar não escapa à voragem e encontrei na 2 do Público uma crónica muito interessante.
O orientador de mestrado do meu filho dizia-lhe muitas vezes que o ambiente entre profs universitários era de cortar à faca e que se sentia muito desmotivado.
ResponderEliminarPenso que desde os educadores aos docentes universitários o desânimo é geral ...
Abraço
É geral, concordo.
ResponderEliminarFui ler. Que coisa Ana.
ResponderEliminarChamar-lhe empreendedorismo para bebés pode ser um pouco forte mas de fato as carateristicas de um empreendedor adquirem-se desde tenra idade. Só quem não percebe nada de desenvolvimento infantil poderá ser idiota ao ponto de não ver isso.
ResponderEliminarCompreendo a questão que coloca e até deve originar uma interessante discussão. Só não me parece ajustado classificar como idiota quem questiona a tal oficina.Não me parece que uma coisa tenha relação com a outra. Pelo que percebi, as pessoas não discutiram o que a Matilde refere.
ResponderEliminarEu diria que as características de um empreendedor são, em boa parte inatas, sendo que a aprendizagem e a experiência acumuladas ao longo da vida vão moldando e potenciando essas (e outras) capacidades inatas.
ResponderEliminarNaturalmente que o facto (sempre com "C", mesmo segundo o AO90, note bem!) de se estar inserido em situações que requeiram essas capacidades desde tenra idade, permitirá desenvolvê-las mais depressa e potencializá-las.
Agora preparar um bebé de 4 meses para ser empreendedor, ministrando um curso como se de uma fábrica de "startups" se tratasse, é no mínimo ridículo, se não apenas um ritual iniciático próprio de uma cultura doutrinadora qualquer... como poderia ser a sua inscrição no Benfica, por exemplo.
Quem não é idiota e já leu alguma coisa de desenvolvimento infantil sabe que até os "inputs" fornecidos à criança ainda no ventre materno terão repercussões no seu desenvolvimento, como a própria apropriação da linguagem, por exemplo.
Em suma, chamar a este curso (pago) "Empreendedorismo para bebés", usando o nível explícito de adjectivação preconizado pela Matilde Campos, não é forte, é desonesto.
Há vários assuntos abordados naquele artigo do Publico com os quais eu não concordo(e eu, apesar de hoje estar fora do sistema em termos contratuais, tenho tentado seguido uma carreira universitária e de investigaçã).
ResponderEliminarO artigo só aborda bem a questão dos papers em áreas onde o ISI é fraco. Porém, que eu saiba, nas melhores universidades do planeta, já não são os papers que contam mas outras métricas. E outros papers fora do ISI são tidos em conta, quando se selecciona ou premeia as pessoas. Elas estão a adaptar-se depressa ao ritmo actual e às suas perversidades. A Universidade Portuguesa é que "apanhou" essa moda e agora não quer outra coisa.
No entanto, meritocracia não é sinónimo de rankingocracia. Isto é, pode-se premiar e seleccionar com base no mérito sem ser por números, quantidades, pilhas, resmas, de resultados, publicações, conferências, workshops, patentes etc etc. Tem é que se dar responsabilidade a quem selecciona e quem selecciona deve ser responsabilizado pelas escolhas que faz.
Há mais um factor importante. Nos tempos que correm a profissão de professor ou investigador é muito concorrida. Há mesmo nalgumas áreas um excesso colossal de procura em detrimento da oferta. Daí a competição feroz. Quando o meio era pequeno e poucos o acediam, era mais fácil ignorar a questão das métricas. Agora não. Todavia, não é preciso estar totalmente subjugado à quantificação quando se pretende ter uma organização essencial e de qualidade. A confusão advêm dessa falta de clareza mental nos gestores e administradores. E já agora, do excesso de avaliação que se tornou a accountability do momento.
Subscrevo. Obrigado.
ResponderEliminarA meritocracia, e os rankings, já agora, são como outros instrumentos: são válidos, depende da cabeça que os utiliza. E este pequeno detalhe faz toda a diferença. Construir uma sociedade ou um sistema assente nesses valores pode ser trágico, como se tem visto.
estamos na fogueira
ResponderEliminarQuando um Prof. do 3º ciclo e do Secundário tem que preparar as aulas para diferentes níveis de ensino, turmas com 30 a 31 alunos, resolver toda a burocracia referente aos alunos (faltas, participações, atendimento aos pais, encaminhamento de processos para a protecção de menores, intervir junto dos alunos com problemas familiares, encaminhamento de processos para analise psicológica, detectar as dificuldades económicas dos alunos ...), participar nas actividades escolares, participar em, reuniões sectoriais , participar em cursos para melhorar os nossos conhecimentos e podermos articular saberes com outras disciplinas... será que no final disto ainda podemos ser professores apenas concentrados nos bons resultados dos alunos?
ResponderEliminarObrigado.
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