Logo se percebeu que os cortes de 4 mil milhões só podiam ter duas origens: invenção maquiavélica ou radicalismo ideológico; pior ainda se as misturarmos. A invenção distrai as classes média e baixa enquanto se operam cortes brutais nos salários e pensões e permite, como se vê, a suavização dos prazos assim que os pagamentos de Fevereiro se efectivem. O radicalismo ideológico do Estado mínimo é pior. Vai para além do momento, crê no modelo e acredita que é uma questão de tempo. A combinação das origens é trágica e só pode ser vencida fora do arco do poder, como se viu no 25 de Abril de 1974.
Não é por acaso que uma brigada de socratistas (A. Santos Silva, M. L. Rodrigues ou F. Assis), e depois de não ter a benção de A. Costa, vem a terreiro desesperada com algum possível desvio ao centrão e tem o desplante de considerar que cantar a "Grândola, Vila Morena" durante um ou dois minutos é impedir alguém de falar (queriam o quê? Que o povo vos levasse para o Campo Pequeno?).
MLRodrigues foi ao ponto de apelar aos sindicatos que "estruturam" a contestação, recordando-nos os tempos em que o seu MEC estava invadido por sindicalistas que faziam "jogo duplo". Vale-nos que esta gente sem poesia, sem coluna vertebral e "vendida" às benesses das oligarquias não engana as pessoas como se viu em 2008 e no 15 de Setembro de 2011. O actual Governo deve cair, mas a tralha (pesei bem, sim) socratista não deve pensar que é em sua memória; as famílias são afins.
O objectivo último é a chamada reforma do Estado, processo esse que vai levar a uma transferência para o sector privado de parte da Educação, Saúde e Segurança Social públicas. Resta saber se o caminho seguido nestes últimos (quase) dois anos, e as consequências que daí têm surgido, se inserem nessa estratégia ou se são resultado de alguma incompetência...
ResponderEliminarConcordo com o raciocínio. Por vezes, queremos acreditar que quem se mete numa "revolução" destas não o faz de ânimo leve (leia-se incompetente). Como os homens que se acham providenciais (leia-se incompetentes, leia-se com baixa inteligência emocional ou social) acabam sempre em tragédia, é natural a apreensão. O que é grave é que a tragédia já se tornou irreparável para muitas pessoas.
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