Portugal tem, desde meados da década de noventa do século XX, condições informacionais para digitalizar dados sobre os alunos que disponibilizem boa informação que reduza o abandono escolar. A informação não é tudo nesse domínio, mas é preciosa. Por que é que isso não aconteceu? Desde logo, porque a construção dos sistemas atomizou-se, ficou a cargo do outsourcing e foi desenhada por especialistas em sistemas de informação e comunicação e não por gestores da informação escolar.
Desperdiçaram-se recursos financeiros avultados, o que existe é informação dispersa e não integrada. Os milhões de dados lançados diariamente nas nossas escolas são "intratáveis", produzem parco conhecimento e sustentam algumas empresas comerciais que se apoderarem do mercado e o condicionam. A entropia informacional transforma num "inferno" o lançamento repetido da informação.
A iniciativa no concelho de Odemira parece meritória porque tenta reunir numa mesma base de dados a informação sobre os alunos desde a sua entrada no sistema escolar e porque é um websolução. Várias escolas têm tentado perseguir um caminho semelhante, mas as constantes alterações na gestão escolar impediram qualquer consolidação.
No entanto, a iniciativa de Odemira pode repetir o que existe. E porquê? Porque a informação determinante sobre cada um dos alunos está longe de se esgotar num programa de discentes; e o mesmo acontece com os restantes actores do sistema. O universo informativo da escola como organização inclui horários escolares, sumários, serviços de apoio social, bibliotecas, utilização de cartões electrónicos, programas educativos individuais, actas de reuniões e por aí fora. E se um sistema não integrar todos os dados, é mais o que se perde do que o que produz conhecimento. E essa decisão fundamental de análise só está ao alcance dos gestores da informação escolar.
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