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domingo, 29 de maio de 2016

do desinvestimento nos serviços públicos

 


 


 


Há umas duas décadas alastrou-se aos serviços públicos a primazia da ideia de negócio. A gestão foi o primeiro objectivo. A alegação repetida com critério: eliminação do corporativismo e do despesismo.


 


A agenda mediática introduziu impedimentos para o exercício dos cargos: médicos a gerir hospitais, juízes a gerir tribunais, professores a gerir escolas, bancários a gerir bancos, engenheiros a gerir a EDP, a PT ou obras públicas e por aí fora. Quem seriam, então, os gestores? Saltitantes especializados em tudologia e boas relações com a partidocracia. Sabiam de offshores e swap´s e tinham treino de casino. Os resultados falam por si.


 


 


PS: para os DDT´s, os colégios "privados" são a gota que os assusta e que descartam se der muito nas vistas. O que os preocupa são as descomunais EDP, segurança social, saúde e banca.


 


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

estado social ao fundo?

 


 


 


A actual maioria, e de resto o arco dos poderes europeus no que levamos de milénio, fez o que estava ao alcance, e até para lá disso, para diminuir o estado social e favorecer os tais um por cento que não param de se endinheirar (claro que há uns quantos que caíram em desgraça). É factual e não adiantam meias-palavras: puseram-se do lado mais neoliberal que escolheu a Europa como alvo primeiro.


 


O sistema de saúde está em estado-de-falhas-graves-diárias. É uma espécie de estado de sítio. Ontem foram os directores do Hospital Amadora-Sintra que se demitiram.


 


É evidente que a Educação não apresenta casos tão dramáticos. Mas os cortes a eito (curriculares, mais alunos por turma e aumento dos horários dos professores) associados ao empobrecimento, e ao desinvestimento nas escolas "não-parque-escolar", fazem-se sentir e recordam um passado que se julgava distante. Dá ideia que se nada acontecer, o plano inclinado do sistema escolar chegará também a números negativos.


 


Houve, no que levamos de inverno, salas de aula, e outros espaços lectivos, com um clima impossível, pavilhões desportivos gelados e gabinetes de "trabalho" com temperaturas negativas. Um professor, mesmo que bem agasalhado, que passasse noventa minutos num gabinete assim, sabia que tinha uma forte probabilidade de adoecer. Se isso acontecesse, se fosse ao médico e se este "exigisse" uma baixa, os três primeiros dias seriam sem salário.


 


Há professores com a carreira congelada há mais de uma década, em que as famílias não aguentam mais cortes financeiros e que se apresentaram ao serviço em estado febril e com outros sintomas gripais graves. Bem sei que este discurso não parece bem num país do euro, mas a realidade é ainda mais crua do o que o que acabou de ler; bastava relatar histórias de actores de outros grupos do sistema escolar.


 


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

será este o mais com menos de Crato?

 


 


 


 


A primeira edição deste post


foi em 20 de Maio de 2013.


 


 


 


 


Começamos a perceber melhor o mais com menos de Nuno Crato. Se lermos com atenção o exemplo da imagem, veremos que os mercados valorizarão bem mais um sistema escolar sem alunos que "não querem aprender".


 


Deve ser por isso que o ministro não percebe o anuncio de greve por parte das organizações dos professores. Para Crato, o que está feito é definitivo e basta dialogar sobre o futuro. Aliás, o diálogo é uma circunstância que lhe veio à mente pela primeira vez e ao fim de quase dois anos de governação além da troika.


 


 


 



 


 


Daniel Kahneman (2011:215), "Pensar, Depressa e Devagar".


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


 


 


A primeira edição deste post foi em 20 de Maio de 2013.


 


 


 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

e as pessoas, pá?

 


 


 


 


 


 



 


 


Será que estes milhares de professores não têm direito a descansar e a recarregar baterias? Não é só a tradicional bagunça organizacional dos finais de ano lectivo acrescentada das PPP´s da rede escolar, são, como sempre se disse, os cortes a eito verificados no verão de 2012.


 


Os aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma, a revisão curricular e os mega-agrupamentos institucionalizaram um inaudito desrespeito pela profissionalidade dos professores e exigem um qualquer ponto final. O sistema escolar atingiu um rol tal de brutais injustiças, perpetradas na última década, que a coisa já só vai lá com um reset.


 

domingo, 14 de julho de 2013

a matriz privatizadora e a liberdade para ensinar

 


 


 


Levará anos a recuperar a relação de confiança entre os professores e um qualquer Governo (onde se inclui a traquitana do MEC). O principal argumento que nos empurrou para esta insuportável desconfiança foi a matriz privatizadora do orçamento da Educação que integrou, no arco da governação, testas de ferro que paulatinamente desbravaram o caminho para o negócio na lógica das piores PPP´s. Nem se trata da privatização da gestão escolar conhecida noutras latitudes que, mesmo sem a caça ao lucro em ambiente corrupto, já provou que aumenta a segregação social e a despesa e não melhora os resultados escolares globais.


 


Haverá quem defenda de forma generosa a Parque Escolar, o modelo de gestão escolar em curso, os agrupamentos de escolas e os novos contratos de autonomia. Acredito que haverá.


 


Mas o que está na matriz dessas decisões é reduzir custos e criar escala para privatizar. A Parque Escolar já é uma sociedade anónima e proprietária de dezenas de escolas públicas. O modelo de gestão escolar transporta para dentro das escolas o pior da política partidária local, desaproxima as decisões fundamentais da maioria dos professores e, portanto, desmobiliza-os. Os agrupamentos vão terraplenando a história das escolas e criam escala que compense a guloseima. Os contratos de autonomia passarão, através da relação entre indicadores e massa salarial, o ónus da precarização dos professores (despedimentos e requalificações) para a descrita lógica local. O sistema escolar estará a ficar no ponto, digamos assim.


 


Isto é muito perigoso. Não direi que os professores devem ter, como nas sociedades mais avançadas, um estatuto semelhante aos magistrados. Quando ouço os defensores da empresarialização da gestão escolar apercebo-me que lidam mal com a liberdade dos professores para ensinar. Não percebem, tal a ânsia com a medição e o controle milimétrico da produção da primeira linha, que esse risco é vital para a democracia e para a igualdade de oportunidades. É difícil, como tentou Hanna Arendt, fazer com que percebam o que está em causa e o que move quem pensa de modo diferente. É natural. A obsessão com o lucro parece irresistível e dá ideia que só pára mesmo depois das catástrofes.


 

domingo, 31 de março de 2013

duas décadas quase perdidas

 


 


 


 


 


Portugal tem, desde meados da década de noventa do século XX, condições informacionais para digitalizar dados sobre os alunos que disponibilizem boa informação que reduza o abandono escolar. A informação não é tudo nesse domínio, mas é preciosa. Por que é que isso não aconteceu? Desde logo, porque a construção dos sistemas atomizou-se, ficou a cargo do outsourcing e foi desenhada por especialistas em sistemas de informação e comunicação e não por gestores da informação escolar.


 


Desperdiçaram-se recursos financeiros avultados, o que existe é informação dispersa e não integrada. Os milhões de dados lançados diariamente nas nossas escolas são "intratáveis", produzem parco conhecimento e sustentam algumas empresas comerciais que se apoderarem do mercado e o condicionam. A entropia informacional transforma num "inferno" o lançamento repetido da informação.


 


A iniciativa no concelho de Odemira parece meritória porque tenta reunir numa mesma base de dados a informação sobre os alunos desde a sua entrada no sistema escolar e porque é um websolução. Várias escolas têm tentado perseguir um caminho semelhante, mas as constantes alterações na gestão escolar impediram qualquer consolidação.


 


No entanto, a iniciativa de Odemira pode repetir o que existe. E porquê? Porque a informação determinante sobre cada um dos alunos está longe de se esgotar num programa de discentes; e o mesmo acontece com os restantes actores do sistema. O universo informativo da escola como organização inclui horários escolares, sumários, serviços de apoio social, bibliotecas, utilização de cartões electrónicos, programas educativos individuais, actas de reuniões e por aí fora. E se um sistema não integrar todos os dados, é mais o que se perde do que o que produz conhecimento. E essa decisão fundamental de análise só está ao alcance dos gestores da informação escolar.


 


 


 


sexta-feira, 15 de março de 2013

irreconhecível

 


 


 


 


Portugal está irreconhecível e o sistema escolar não escapa a esse estado desolador e desesperançado. Vale o privilégio de se lidar com crianças e jovens, apesar de também transportarem o ambiente do país. Batemos no fundo.

terça-feira, 5 de março de 2013

diz-se da economia

 


 


Ouço um jornalista dizer que para se fazer a economia crescer não são precisos euros; é uma questão de estratégia. O mesmo jornalista é da opinião que o actual Governo está a errar com fómulas de investimento semelhantes às de Sócrates e com as mesmas pessoas e vícios. Ora é exactamente o que se passa no sistema escolar e também é mais ou menos o mesmo tipo de "escola" que o desgoverna há anos a fio (com uma nuance mais pidesca a anterior e salazarenta a actual).