domingo, 3 de março de 2013

é com relativa perplexidade

 


 


 


 


É com relativa perplexidade que leio a argumentação que desvaloriza a manifestação de ontem. Alguns governantes, mais os fanáticos ideológicos, acompanhados de comentadores do friso mainstream fazem um papel algo arriscado. Tenho ideia que não estão a ler a realidade. Devem ter as lentes embaciadas ou viradas para outro meridiano.


 


Gostei especialmente de dois registos blogosféricos.


 


O Paulo Guinote é definitivo no contraditório com os anti-que-se-lixe-a-troika: "A manifestação que falta - De apoio ao Governo e à política actual, de louvor à troika. Se quiserem posso ceder o meu terraço… Tem coisa de 15 metros quadrados… dá para quase 50, vistos de helicóptero...(...)".




O Mário Carneiro captou muito bem a atmosfera do 2 de Março: "Lisboa. Os rostos fechados predominaram sobre as palavras de ordem, sobre as cantilenas e até sobre a «Grândola Vila Morena». Pairou o ar pesado de quem sofre, de quem se sente enganado, de quem ainda contém a revolta. Os momentos de festa e de humor escassearam. O silêncio imperou durante partes significativas do desfile. Por vezes a marcha parecia fúnebre. Só os passos se ouviam.





Era importante que estas duas descrições da realidade não escapassem a quem diz que governa o país e que evitassem seguir o caminho da confrontação sugerido por Marcelo Rebelo de Sousa.











Foto de Luiz Carvalho.

4 comentários:

  1. Antonio Pereira Gonçalves3 de março de 2013 às 19:12

    Paulo, penso que a desvalorização das manifestações de ontem se insere na táctica da construção de realidades: embora fossem grandes as manifestações, há uma maioria da população que não participou e muitos que não tiveram contacto (directo ou indirecto) com elas. Esses são o principal público alvo, são esses que é necessário convencer da sua insignificância e da sua inutilidade.

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  2. Penso que devemos desvalorizar a pretensa desvalorização das manifestações grandiosas de ontem.
    Os pretensos desvalorizadores apenas revelam uma enorme inquietação. Um enorme receio. Uma enorme surpresa pelo facto de haver descontentamento e revolta em todos os sectores da sociedade. O controlo da situação escapou-lhes, parece, de vez.
    Aliás, basta acompanhar a comunicação social. É por demais evidente que até os jornalistas também são parte integrante do enorme movimento de condenação das medidas de destruição do nosso país.
    Resta, a esta gente, a protecção cobarde de um PR refugiado em Belém e de alguns sectores políticos e financeiros portugueses mas, sobretudo, de uma certa Europa a quem convém este estado de coisas.
    A injustiça e a miséria está, de facto, a atravessar-nos de uma forma dolorosa. E os mais vulneráveis merecem urgente actuação!

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  3. Interessante esse ângulo de análise. Obrigado.

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