Se Nuno Crato diz que há 105 mil professores nos quadros do ensino não superior, com a eliminação dos cerca de 12 mil lugares conhecidos hoje o sistema escolar passará a contar com 93 mil professores nos quadros (não se sabe o que acontecerá aos que permanecerem nas vagas negativas). Mesmo que mais alguns professores sejam contratados, teremos números parecidos com 1976.
Se considerarmos que em 2005 tínhamos cerca de 190 mil professores, em 2014 teremos cerca de metade mesmo considerando os denominados professores contratados.
Se alguém argumentar com a suposta descida do número de alunos internem-no ou peçam-lhe, por favor, para não usar o Excel. Recomendem-lhe a leitura deste post.
Republico um gráfico deste post recente sobre as previsões para o ano corrente. Acrescentei-lhe a vermelho o panorama para o próximo ano.
Desde ontem que estou perplexa com esta publicação de vagas.
ResponderEliminarPor exemplo, no grupo 300 (Português – 3º Ciclo e Secundário), tradicionalmente um grupo de professores mais “velhos”, com muitas aposentações nos últimos anos, apresentam-se 839 vagas negativas e apenas 16 vagas a concurso, quando a carga lectiva semanal da disciplina até foi das poucas a aumentar recentemente.
Para além disto, a disparidade de vagas de escola para escola também me parece duvidosa.
Na minha parvónia, constituíram-se dois (mega)agrupamentos no Verão passado, um com uma EB 2,3 e uma Secundária, outro com duas EB 2,3 e uma Secundária. No meu (mega)agrupamento, o mais pequeno, são dadas 24 vagas negativas na generalidade dos grupos de recrutamento e nenhuma vaga positiva. No (mega)agrupamento vizinho, o das três escolas, não há qualquer vaga negativa e até há uma vaga positiva num grupo de recrutamento. Só quem não vive a realidade de perto e não conhece a situação actual de todas estas escolas é que não se intriga com estes números. Até que ponto terão os directores/CAP podido condicionar estes números? Até que ponto terá o MEC deturpado os dados fornecidos pelos directores?
Tenho colegas de grupo com horário zero que não têm qualquer vaga positiva para onde concorrer num raio de cem quilómetros pelo menos. Mas em algumas dessas escolas houve colocações pelo ano lectivo inteiro de professores que não pertencem ao quadro da escola. Será que houve assim tantas baixas por doença prolongada ou destacamentos por condições específicas que determinaram essas colocações provisórias por todo o ano lectivo em curso? Onde se meteram essas vagas que existiram/existem este ano em algumas escolas e que agora aparecem negativas?
Será uma vergonha se, no próximo Verão, persistirem professores com horário zero, sujeitos às regras de mobilidade especial que anunciam alargar à classe docente, e depois vierem a surgir vagas para professores contratados (mão de obra mais barata, na perspectiva do MEC) nessas escolas onde, embora se saiba que existem vagas, elas não aparecem agora a concurso.
Será assim que o MEC planeia a drástica redução do número de funcionários públicos, fechando vagas dos quadros e depois preenchendo-as com funcionários ocasionais e descartáveis? No Ensino isto já vem sendo feito há muito tempo, lamentavelmente. Só faltam agora mais uns truques de malvadez para aplicar a dita mobilidade especial à carreira docente e pôr professores do quadro, mais velhos, a auferir menos vencimento gradualmente, até dispensá-los de vez.
Desta máfia que nos (des)governa já nada é impossível, desde o caricato das férias em duodécimos, porque o Verão não pode ser em Novembro... até ao que ainda nem conseguimos imaginar. Aliás, veremos se o próprio Natal não acaba adiado!
«[...] não se sabe o que acontecerá aos que permanecerem nas vagas negativas».
ResponderEliminarAté aqui o número de vagas negativas tinha como efeito a vaga não ser preenchida caso o professor saísse da escola. Uma vaga negativa não implicava a perda do lugar no quadro. O que determinava existir ou não horário era a existência empírica (passe a redundância) das turmas. O eco que se faz nos jornais: «escolas vão perder 12000 professores», confunde professores com vagas não recuperáveis. Será uma tentativa de determinar a priori o número de professores pelo estabelecimento artificial do número reduzido de vagas? Isso significaria que a tutela limitaria a oferta formativa aos quadros restantes e imporia um número arbitrário de redução de professores à realidade das escolas em vez de se guiar pelas necessidades reais destas últimas.
Já uma vez o disse, mas volto a dizer: o gráfico que o PORDATA apresenta junta os professores do público com os do privado...
ResponderEliminarQuanto à redução do número de professores, só pode ser novidade para os mais distraídos. É algo inevitável. Já nos podemos dar por contentes se não houver ninguém dos quadros a ir para a mobilidade especial.
Reforço que uma coisa é o que gostaríamos de ter; outra coisa é aquilo com que podemos contar...
Sei Pedro.
ResponderEliminarNa altura respondi assim: "(...)No Pordata temos 23.198 no privado em 2011 (cerca de 12.000 em 1989) e creio que em 2013 serão menos. Mesmo que retirássemos o valor do privado em 2011 a descida seria abrupta na mesma.(...)"
Quantos serão em 2013? E em 2014?
Olhe Pedro: vamos aguardar pelo relatório da IGEC, já tarda, que raio, sobre as ditas privadas.
E pensei nisso quando fiz o post. Que sejam 15 mil. Não passará de 110 mil no total e em 2005 tínhamos 190 mil. Por isso o cerca de metade.
Isso do que podemos ter é com base nas folhas de cálculo "maradas" do ministro das finanças? Ou é com a ideia de aumentar o abandono escolar (que deve incluir o secundário)?
Muito obrigado Ana.
ResponderEliminarSubscrevo.
Isto é o tal além da troika. Um espalhanço comprovado e muito grave.
ResponderEliminarEsta coisa do que podemos ter e do andámos a viver acima das nossas possibilidades, já me anda a dar cabo do juizo. O que será preciso para explicar que bastava passar os juros da dívida para metade e nada disto seria necessário. Pagamos 9 mil milhões por anos de juros, se renegociar-mos as taxas e pagar-mos metade alcançaremos de imediato o tal equilibrio financeiro de que tanto falam estes ignóbeis governantes. Podemos até corrigir tudo de uma vez se quiserem, mas o burro do espanhol quando já estava habituado a não comer é que morreu, talvez queiramos o mesmo para a nossa sociedade. É que estes governantes e a ideologia europeia que lhe subjaz querem.
ResponderEliminarmas é mais que evidente que a estes corruptos pouco importa a educação, eles para se formarem usam as influências do mundo podre deles e desde que aprenderam a roubar o povo criando ( leis ) para roubarem a vontade nada mais lhes interessa.AS ARMAS ,AS ARMAS ONDE ESTÃO OS CONJURADOS ??? ps ( cuidado com a pide ....SIS)
ResponderEliminarmas é mais que evidente que a estes corruptos pouco importa a educação, eles para se formarem usam as influências do mundo podre deles e desde que aprenderam a roubar o povo criando ( leis ) para roubarem a vontade nada mais lhes interessa.AS ARMAS ,AS ARMAS ONDE ESTÃO OS CONJURADOS ??? ps ( cuidado com a pide ....SIS)
ResponderEliminareles andam aí veem tudo ouvem tudo.......se isto não é uma ditadura não sei o que será...o povo tem que parar de se lamentar e começar a agir porra somos homens ou quê??? até quando vamos deixar esses gatunos oprimirem o povo ?? o governo português é o unico de toda a europa que escravisa o seu povo e o pior lugar para os portugueses viverem é em portugal fonix temos deixar de ser educados e começar a limpar esses bastardos..POSSIVELMENTE VOU TER A POLICIA A BATER A PORTA
Não invistam na educação, não... Já se vê o estado deste país. E para não variar, são sempre os professores a levar por tabela.
ResponderEliminarConcordo.
ResponderEliminarConcordo Hélia.
ResponderEliminarPercebem-se os comentários do Conjurado e do Feliz Alberto Ramos de Matos.
Giro giro era adicionar uns valores ao gráfico, a saber:
ResponderEliminar- número de nascimentos por ano
- número de alunos em cada ciclo por ano
Talvez assim se compreendesse de uma vez por todas se o tal número de professores que havia "em 1973" faz ou não sentido nos dias de hoje.
É curioso que nestas discussões, só se ouve falar nos professores, coitadinhos, snif, snif, mas nem uma palavrinha sobre os alunos.
Parece que a Educação se tornou num gigantesco jogo de Tetris: há é que "encaixar" os professores, o máximo deles, em qualquer lado, a fazer qualquer coisa. Ajustar o seu número, avaliar, mexer no status quo é tabu! Naturalmente que há situações justas e injustas, mas no meu simples e ignorante ponto de vista, o início de uma discussão sobre Educação deveria começar nos alunos (o seu número, a sua evolução, a sua localização, o seu perfil, etc), e não nos professores, sejam ou não em mesmo número de "1973".
O xtremis tem passado pelo blogue? Se pesquisar em gráficos ou noutra etiqueta que inclua o assunto, verá que não se fala só de professores.
ResponderEliminarTenho escrito que o objectivo primeiro deve ser eliminar o abandono escolar e conseguir que os alunos que "não querem aprender" o façam. Os que nascem com boas retaguardas acabam sempre por o fazer.
Mas que se saiba não há ensino sem professores.
Vá ver os números de 1973 e vai ficar surpreendido.
Diz que é tabu "(...)Ajustar o seu número, avaliar, mexer no status quo é tabu! (...)". Desde 2005 o número de professores passou de quase 190 mil para perto de 100 mil. Para tabu não está nada mal.