A fuga ao estudo das humanidades acentua-se e é um elemento perturbador que indica um retrocesso civilizacional. Se será mais ou menos grave dependerá das tendências do futuro próximo.
Sabe-se que cerca de 40% dos alunos que frequentam os Cursos Científico-Humanísticos não aspiram ao ensino superior. Em 2009, que são os dados mais recentes do MEC, e penso que a tendência agravou-se, os alunos desses Cursos já só eram 39% das pessoas matriculadas em "Educação e Formação" e dentro destes (não existem dados, a menos que não os consiga encontrar) imagino que 20%, se tanto, frequentam o de Humanidades. Dentro de uma década escassearão os professores para estas áreas, mas ainda mais grave será a eliminação do conhecimento e da investigação em saberes dos domínios da História, da Filosofia, da Geografia, da Antropologia e por aí fora e já nem incluo o Latim ou o Grego.
É evidente que quanto mais cedo (em relação à idade dos alunos) desprezarmos esses saberes nos currículos, mais se retrocederá. Em última instância, as escolas para ricos disponibilizarão currículos completos e as escolas para pobres especializar-se-ão em currículos alternativos, vocacionais, duais e por aí fora (as mudanças de designação parecem obedecer apenas a destinos financeiros com o aumento do mínimo de alunos para a constituição de uma turma).
Pode ver um quadro do link indicado como os dados referentes a 2009.
No mesmo site encontrará um relatório com a evolução de 2005 a 2009 donde retirei o quadro seguinte. Fazendo as contas e comparando com o quadro anterior, verifica-se que os números de 2009 não se equivalem. Mas vamos considerar que, no próximo quadro, o ano de 2009 refere-se a 2008/09 e o de cima a 2009/2010. A ser assim, a tendência de quebra acentua-se. Esperemos pelos dados de 2012 e 2013 e será ainda mais elucidativo quando olharmos para os de 2014.
Concordo com as tuas preocupações, Paulo.
ResponderEliminarE não sou suspeito, pois sou da chamada área das ciências experimentais...
Aliás, já se vão notando os efeitos nefastos da ausência de uma educação na área da política, onde os valores democráticos fossem cultivados, promovendo uma cidadania efetiva. Saber argumentar, refletir, apresentar propostas inovadoras sem Filosofia ou História, será o mesmo que ouvir papagaios a "falar".
ResponderEliminarJá somos dois Carlos.
ResponderEliminarConcordo Filomena.
ResponderEliminarCliquei no teu nome e fui parar a um blogue teu. Mais logo ou amanhã passo por lá com mais tempo.
É uma grande verdade.
ResponderEliminarE desde que as escolas públicas apostaram nos cursos profissionais, a redução do número de alunos matriculados nas Humanidades ainda se agravou mais...
É Pedro: tudo se liga.
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