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domingo, 14 de junho de 2020

A Escola e o Limiar da Automatização

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A pandemia fez menos pela substituição de professores por máquinas do que inicialmente se julgava. Apesar de apressadas declarações que pareciam incluídas numa corrida entre países para ver quem se antecipava no sucesso do ensino por internet, a realidade impôs-se: ainda estamos no tempo do ensino presencial com humanos como professores. Mas os pedagogos humanistas não se devem iludir: quem constrói os orçamentos dos estados não cederá na redução dos alunos por turma nem na valorização da carreira dos numerosos professores. A educação, também porque não tem resultados imediatos, é um investimento que os contraria; a dor de cabeça nesse domínio é a crescente e irreversível falta de professores. E é também nesse sentido que a atracção pelas máquinas pode ser uma fatalidade que não ouvirá quem sabe que a aula é presencial e uma simbiose do conhecimento com as emoções.


Dito isto, interrogamo-nos: os professores vão ser substituídos por máquinas? E quando? É imprevisível num tempo veloz, incerto e de fenómenos invisíveis. E não confundamos os efeitos, e as dimensões, das políticas: os 400 milhões de euros que Portugal vai receber para o digital na educação destinam-se a assegurar o que existe e a contemplar com um computador os mais pobres; é um digital que consumirá produtos das indústrias europeias de computadores e de serviços digitais. 


Mas quem domina o mundo tem duas prioridades com investimentos avultadíssimos: neurociência e nanotecnologia; ou seja, saúde - investigar os sistemas genético, hormonal e fisiológico a pensar em doenças e na reversão do envelhecimento - e indústria militar - com o terrorismo como prioritário -. Mas "se a neurociência criará máquinas de ressonância magnética que reconhecerão ódio ou raiva no cérebro das pessoas (nos aeroportos, por exemplo), se a nanotecnologia enviará moscas espiãs biónicas às grutas mais recônditas do planeta e desenvolverá um sistema imunológico biónico, composto por milhões de nano-robôs que habitarão os nossos corpos, desentupirão vasos sanguíneos, lutarão contra vírus e bactérias e eliminarão células cancerígenas", e se não há dificuldade na criação de conteúdos escolares digitais ou na avaliação online de alunos, não será de excluir que essas máquinas e moscas que lêem o pensamento também se instalem nas "salas de aula" e avaliem em tempo real os comportamentos de alunos e de "uberizados-guardadores". E isso será uma tentação orçamental para a massificação em escolaridade de baixa qualidade numa sociedade que tentará alguma compensação com um rendimento básico incondicional da nascença à finitude (70% da mão de obra actual poderá ficar, com a IA, desocupada já em 2030). A aula presencial maioritariamente analógica ficará para a escolarização ecléctica de uma minoria.


Como alguém preconizou, o homem perderá a centralidade no organismo social e a humanidade tornar-se-á uma causa para problemas constantes e complexidades crescentes. E nem se trata de estabelecer um contraste entre humanos e máquinas. Para além dos humanos serem máquinas, os computadores não têm consciência. A questão mais "decisiva", uma vez que se definirá a partir da escola e da educação e numa antiga equação, terá a seguinte formulação: são os humanos que seguem a tecnologia ou é esta que segue os humanos.


Nota: encontrei a imagem na internet sem referência ao autor.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A Escola, as Desigualdades e os Sinais

 


Os colégios para ricos nos EUA estão, ao contrário da rede pública de escolas, a reforçar o ensino da História e da Filosofia. É um sinal importante que deverá obrigar a reflectir sobre o mercado de trabalho do futuro. Noutra latitude, o controverso ministro da educação em França está a reforçar o ensino das humanidades com particular evidência para o Latim e o Grego. Aliás, a primeira é já frequentada por 13% dos alunos. É este ministro que proíbe o uso de telemóveis nas escolas até aos 15 anos e que nas zonas desfavorecidas considera que a medida fundamental é o limite de alunos por turma. Por outro lado, insistiu nas avaliações padronizadas de alunos e instituições que criaram impossibilidades operativas às medidas anteriores. Não sei se nesta altura ainda mantém esses objectivos paradoxais que misturaram caminhos opostos ou divergentes.

domingo, 3 de dezembro de 2017

das coisas óbvias?

 


 


 


Para quem convoque exemplos que clarifiquem o post anterior, fica uma evidência, entre inúmeras, que abrange discussões e perplexidades: para um aluno do 3º ano para cima, é tão óbvio ter explicações como ir à escola.


 


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Imagem encontrada no site


da Faculdade de Ciências


da Universidade de Lisboa

sábado, 2 de dezembro de 2017

do tempo de humanidade(s); e de artes

 


 


 


O sistema escolar desespera por um tempo de humanidade(s) - e de artes -: nos currículos, mas simultaneamente na ideia de escola. Se o Governo já cumpriu uma agenda e tenta a oxigenação do algoritmo de Costa&Centeno no sítio, quem diria, que o travou e desprezou, é tempo de olhar para o futuro do sistema escolar contrariando a absolutização do presente imposta recentemente. À desumanização da ideia de escola instituída por Sócrates&Rodrigues, seguiu-se a desumanização curricular de Passos&Crato. Esta última observação serve de memória para a primeira linha a inscrever no programa de afirmação do algoritmo.


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Imagem encontrada no blogue Dúvida Metódica

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

o inverno da investigação

 


 


 


Dentro de duas décadas, se tanto, não teremos investigadores dedicados às Humanidades e Ciências Sociais e será difícil contratar professores para essas áreas.


 


A perplexidade com o desleixo do MEC acentua-se quando percebemos a preocupação de Nuno Crato com a formação de alguns professores do primeiro ciclo (onde há excesso de oferta) enquanto reduz a carga curricular nas Humanidades e Ciências Sociais (para não falar das Artes, das Expressões ou das disciplinas das ciências experimentais) e provoca ainda uma hecatombe na investigação nessas áreas. Entretanto, um SE do Governo propõe-se aliciar imigrantes de "elevado potencial" e despreza os jovens adultos que emigram diariamente.


 



"1. Este ano o Inverno chegou à investigação das Humanidades e Ciências Sociais com a força de uma hecatombe. Um autêntico desastre, de consequências imprevisíveis, a revelar uma total desorientação por parte de quem nos governa! A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), sob tutela do Ministério da Educação e Ciência, com responsabilidades no financiamento da pesquisa em Portugal, perdeu o controlo sobre o processo de atribuição de contratos de investigação por cinco anos.(...)No que respeita às ciências sociais e humanas, há dois aspectos interligados que podem ajudar a perceber as referidas faltas de autonomia e autoridade. Refiro-me à remodelação do Conselho Científico na mesma área, que se politizou partidariamente e para o qual o ministro da tutela começou por nomear a sua própria mulher e um amigo de juventude, director de um centro de investigação sempre mal classificado pela própria FCT."


 


 



 


 


 


 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

do retrocesso civilizacional

 


 


 


 


 


 


A fuga ao estudo das humanidades acentua-se e é um elemento perturbador que indica um retrocesso civilizacional. Se será mais ou menos grave dependerá das tendências do futuro próximo. 


 


Sabe-se que cerca de 40% dos alunos que frequentam os Cursos Científico-Humanísticos não aspiram ao ensino superior. Em 2009, que são os dados mais recentes do MECe penso que a tendência agravou-se, os alunos desses Cursos já só eram 39% das pessoas matriculadas em "Educação e Formação" e dentro destes (não existem dados, a menos que não os consiga encontrar) imagino que 20%, se tanto, frequentam o de Humanidades. Dentro de uma década escassearão os professores para estas áreas, mas ainda mais grave será a eliminação do conhecimento e da investigação em saberes dos domínios da História, da Filosofia, da Geografia, da Antropologia e por aí fora e já nem incluo o Latim ou o Grego.


 


É evidente que quanto mais cedo (em relação à idade dos alunos) desprezarmos esses saberes nos currículos, mais se retrocederá. Em última instância, as escolas para ricos disponibilizarão currículos completos e as escolas para pobres especializar-se-ão em currículos alternativos, vocacionais, duais e por aí fora (as mudanças de designação parecem obedecer apenas a destinos financeiros com o aumento do mínimo de alunos para a constituição de uma turma).


 


Pode ver um quadro do link indicado como os dados referentes a 2009.


 



 


 


 


No mesmo site encontrará um relatório com a evolução de 2005 a 2009 donde retirei o quadro seguinte. Fazendo as contas e comparando com o quadro anterior, verifica-se que os números de 2009 não se equivalem. Mas vamos considerar que, no próximo quadro, o ano de 2009 refere-se a 2008/09 e o de cima a 2009/2010. A ser assim, a tendência de quebra acentua-se. Esperemos pelos dados de 2012 e 2013 e será ainda mais elucidativo quando olharmos para os de 2014.


 


 


 


 


 


 


 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

da blogosfera - de rerum natura

 


 


Da falta de humanidades à miséria dos políticos


 


"(...)Faltam Humanidades no nosso sistema de ensino. A cada reforma curricular, disciplinas como História, Filosofia, Psicologia ou Sociologia perdem terreno e exigência no currículo dos alunos.(...)"