A esquerda inebriou-se com o facilitismo do "tudo deve obedecer à lógica de mercado" menos os monopólios que garantem poder ilimitado às oligarquias que gravitam na esfera dos governos e deixou-se seduzir por ideias meritocráticas do género SIADAP que deixaram o seu lado do combate político refém da desmobilização, da anti-cooperação e da incapacidade para apontar caminhos alternativos.
A democracia dá trabalho e a esquerda seguiu o trajecto mais imediato, sedutor e bem-pensante das teses meritocráticas e deixou que essa totalidade empurrasse a política para o vazio constituído pelo fatal caminho único. É uma esquerda que bem precisa de psiquiatra, mas o modelo de avaliação que criou, ou ajudou a criar, está também sem paciência para traumas e coisas trabalhosas.
ah ah ah !!!
ResponderEliminarCaro Paulo,
ResponderEliminarO teu "post" deixa-me um bocado perplexo. De que esquerda estás a falar ao certo? De uma certa social-democracia europeia que capitulou por completo às mãos do programa da direita neo-liberal do qual, de facto, acabou por ser uma zelosa executora? Referes-te, entre nós, ao PS? Mas nada disso é "a esquerda". A esquerda - expressão vaga e enganadora, como se vê - pode ter muitas culpas no cartório, mas está longe de aderir em uníssono ao lema de que "tudo deve obedecer à lógica do mercado".
Viva Caro Mário.
ResponderEliminarÉ como dizes.
Fiz um raciocínio indutivo a partir do desenho do Quino, do Siadap (consultas médicas em avaliação quantitativa) e da necessidade de psiquiatria de uma boa parte da esquerda (da sua consciência, mais propriamente :) que a deixa sem alternativas):
a que referes, em primeiro lugar, mas não só:
há outra parte que usou a omissão ou que, e ainda no âmbito SIADAP, utilizou a burocracia (a má, a excessiva, a de repetição acéfala, etc) como instrumento de uma suposta igualdade de oportunidades (ainda hoje estão convencidos que estavam no caminho da "verdadeira esquerda").
Sei que é arriscado fazer raciocínios indutivos. Mas a falta de coragem para encarar de frente a impossibilidade de generalizar a meritocracia e fazer disso discurso é, na minha modesta opinião, um ponto chave e que pode produzir um verdadeiro corte com o status quo.
E no caso SIADAP nem é tão difícil assim: basta privilegiar a avaliação das organizações, dos grupos, e por aí fora. Dá muito mais trabalho, exige tempo e etc, mas os resultados são mais mobilizadores e não empurram os incapazes (sempre os outros, claro) para o atlântico.
Viva Paulo,
ResponderEliminarse por "esquerda" continuas a querer dizer PS, o teu post está correcto.
Infelizmente, categorizar o PS português, ou de qualquer outro país, como "esquerda" corresponde a uma enorme mistificação e mentira que apenas serve os propósitos da direita dos interesses e de uns quantos "esquerdistas" que têm um objectivo único na vida: desacreditar o PCP e toda a sua prática quotidiana, ao longo das últimas décadas.
Abraço
Viva Francisco.
ResponderEliminarPercebo tudo isso. Nas organizações, como os partidos políticos, haverá pessoas que concordam com o que escrevi no post; muitas ou poucas é que não sei. Mas há um aspecto fundamental: houve poucas discordâncias, muito poucas mesmo, em relação à génese da questão. Não me estou a referir à oposição pela oposição, estou a centrar-me nos conteúdos e nas propostas alternativas.
Abraço também.