Se uma pessoa trabalhou 10 a 15 anos consecutivos para uma qualquer organização e se amanhã tem que se dirigir a um centro de emprego porque ficou sem vínculo laboral, é porque foi despedida. Ponto final. Se esse gesto for repetido por milhares de pessoas da mesma condição profissional, é um despedimento colectivo e novo ponto final.
Foi exactamente isso que aconteceu nos últimos três anos aos professores e que se repete amanhã. Os cortes a eito, mais alunos por turma e redução da carga lectiva dos alunos, foram o caminho. São dezenas de milhares de professores inconstitucionais, situação condenada pela Comissão Europeia, e que o Governo, também "inconstitucional", ludibriou vinculando 3 professores.
O recente chumbo do tribunal constitucional aos despedimentos na função pública deixa estes milhares de professores perplexos com a inconstitucionalidade dos despedimentos. Até a mobilidade legislada por Sócrates (é bom que se recorde), estava em vigor há décadas nos professores. Assim de repente, passei, desde a década de oitenta do século passado, por Lisboa, Porto, S. João da Madeira, Chaves, Vila Real, Peso da Régua, Viana do Castelo, Beja, Benedita e Caldas da Rainha até conseguir alguma estabilidade.
Os professores perceberam que são o alvo porque são muitos e porque as nossas "elites" têm um qualquer problema mal resolvido com a escola. Estão cansados de serem os únicos. Não há grupo profissional, no público, no privado, nos encostados ao estado, nas autarquias, nos aparelhos partidários e por aí fora, que tenha sido alvo de um flagelo sequer semelhante. Amanhã recomeça a saga, desta vez com mais uns milhares nos centros de emprego e outros tantos colocados ainda mais longe de casa após 20 anos de serviço docente.
E já agora: será que os professores, e o fundamental planeamento da rede escolar, têm que carregar o caos organizacional de um país com uma trágica e corrupta (tudo comprovado) gestão do território em que, apenas como exemplo gritante, a sua importante administração foi entregue, por Durão Barroso e Passos Coelho, ao inenarrável Miguel Relvas?
Os professores contratados não desistem e no Expresso pode ler-se o seguinte:
Democracia nunca foi o forte dos peões instrumentalizados. Durão, Von Rompuy etc etc
ResponderEliminarCerteiro, certeiro, certeiro. Bom regresso!
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ResponderEliminarVou com 75 anos tenho bem presente o perfil de um homem quem levou os Portugueses a serem dos povos mais atrasados da Europa.
Temos agora uma cópia tirada a papel químico, até no perfil fisionómico.
Nunca pensei no fim da minha vida ainda ver um candidato a ditador mas, diga-se de passagem sem o carisma que o outro poderia ter. Este não passa de um imitador rasca, mas mesmo assim perigoso, se não estivermos atentos...
Então o Ti Basílio virou a voz dos socialistas?
ResponderEliminar"Embora não o diga, o primeiro-ministro está a preparar mais cortes nas pensões – um "roubo" que "o PS não pode nem vai tolerar". Quem o diz é Basílio Horta, em nome dos socialistas e em reacção ao que Passos Coelho afirmou no fim da Universidade de Verão do PSD.
O primeiro-ministro mostrou "pouca preparação democrática", considerou Basílio Horta, neste domingo à tarde, aludindo ao forte ataque que Passos Coelho fez contra o Tribunal Constitucional, por este ter chumbado a lei da requalificação da função pública. Um primeiro-ministro "não tem o direito" de questionar assim um órgão de soberania, de o "criticar asperamente", tem é "de respeitar" a decisão tomada pelos juízes, defendeu o mesmo representante do PS."
Este desemprego docente é uma dura realidade que já há muitos anos se previa (a regressão demográfica não é uma novidade de agora!!!) e que as contingências inerentes à nossa situação de pré-bancarrota apenas fez com que acelerasse...
ResponderEliminarÉ uma novidade? Não...
É o desejável? Claro que não...
Era expectável? Parece-me que sim...
E a notícia do Expresso é bem clara: se antes os "tapa-buracos" eram os contratados, agora serão muitos dos QZP`s e ex-DACL´s a assumirem esse papel. Infelizmente!
Lá vem o comentador Pedro ignorar "...Os cortes a eito, mais alunos por turma e redução da carga lectiva dos alunos,..." e "...têm que carregar o caos organizacional de um país com uma trágica e corrupta (tudo comprovado) gestão do território em que, apenas com exemplo gritante, a sua importante administração foi entregue, por Durão Barroso e Passos Coelho, ao inenarrável Miguel Relvas?...".
ResponderEliminarO senhor só regista a crise demográfica e está farto de saber que no 3º ciclo e no ensino secundário há e haverá mais alunos. O seu governo, senhor Pedro, bem se esforça por desviar esses alunos para as cooperativas privadas.
Ó Pedro, responda lá: porquê só os professores, até agora, pelo menos no estado?
Comentador Pedro, o aumento do desemprego nos professores é BEM superior à "regressão(? qual é o idiota que usa este termo em termo de Demografia?) demográfica. Este desemprego é feito de propósito para não TOCAR em outros interesses. Esses sim bem nefastos a curto, médio e a longo prazo.
ResponderEliminarTudo o resto é blah blah blah ou yadda yadda yadda.
Mais, se existe uma diminuição da população escolar, em termos de ajuste da capacidade de docentes, só deverá ter efeitos a longo prazo no ensino visto que o sistema tenderá para um novo ponto de equilíbrio assim que o número de professores vinculados enquanto o sistema esteve em expansão, sairem do sistema por reforma e serem lentamente substituidos por outros. Isso permite uma substituição controlada e desejável permitindo a integração dos mais jovens ainda em contacto com os mais velhos, tal como é feito nas boas empresas.
Com as restrições na carreira, a parte salarial estará controlada a médio prazo, não havendo NENHUMA necessidade da demagogia demográfica destes cortes, com o intuito de proteger a curto prazo os interesses dos amigos e destruindo a longo prazo o nosso sistema de ensino.
Comentador Pedro, junte-se à carneirada do Governo e goze bem o cheque pelo serviço aos traidores da pátria. Beware.
Fernando, não são só os professores!
ResponderEliminarOs enfermeiros queixam-se...
Os oficiais de justiça queixam-se...
Os militares queixam-se...
Os polícias queixam-se...
Os trabalhadores das autarquias queixam-se...
Os assistentes operacionais queixam-se...
E até os médicos se queixam, pelo menos os mais novos...
Repare-se que a política de agregações não afecta só as escolas. Afectou os tribunais, os centros de saúde, os hospitais, as repartições de finanças, os correios, etc.
A diferença é que nós, professores, somos muitos; logo a nossa capacidade reivindicativa é maior e, logo, conseguimos fazer-nos ouvir com maior facilidade... Mas, todos se queixam...
Se tiver colegas enfermeiros, oficiais de justiça ou de outra profissão da Função Pública vai ver que também se queixam...
É o problema de trabalharmos para um patrão que entrou em falência!
E não ignoremos o problema demográfico e de desigual distribuição da população pelo país!
Alt,
ResponderEliminaros verdadeiros traidores à pátria foram aqueles que deixaram que Portugal fosse à falência e, indirectamente, aqueles que votaram nesses traidores!!! Há quem tenha memória...
E não ignore a quebra na natalidade. Basta fazer contas...
Esses grupos têm tido despedimentos em massa, Pedro? Não brinque. Uma coisa é queixarem-se outra é despedimentos coletivos e mobilidade de décadas.
ResponderEliminarOh homem, outra vez com a natalidade já chateia. As crianças não entram na escola quando nascem....
ResponderEliminarFernando, chegámos a ter quase 140 mil professores, muito acima da média da OCDE. Veja os dados do "Education at a Glance".
ResponderEliminarCom a quebra da natalidade e a assumpção da política da austeridade (por via da bancarrota do país), era inevitável que o número de professores contratados se reduzisse... Não querer ver isto é viver na ilusão!
É a realidade por muito que nos custa aceitá-la...
E você pensa que este concurso nada tem que ver com o que irá acontecer nos próximos anos... Ou pensa que as necessidades de professores apenas têm em conta os números actuais?
ResponderEliminarE não se esqueça que a quebra da natalidade não é de agora e que desde há pelo menos 10 anos que a natalidade não tem cessado de diminuir...
Tem a ver com o futuro? Mete-se 30 em cada sala até com alunos com necessidades educativas especiais, acaba-se com disciplinas, inventa-se um modelo absurdo de gestão e você diz que é o futuro? Não demora muito para voltarmos atrás.
ResponderEliminarCreio que é preciso contextualizar a situação portuguesa como parte integrante do programa político em curso na Europa, sendo o mesmo liderado por fanáticos ultra-neoliberais. Passos, e "sus muchachos," são os nossos entusiastas desse "novo mundo" alucinado. É a "Revolução Tranquila" de que tanto fala Durão Barroso e os outros testas de ferro da Comissão Europeia ao serviço da alta finança e das grandes corporações multinacionais. A Grécia e Portugal (a Irlanda é um caso à parte) estão a ser usados como laboratórios sócio-económicos de programas de destruição dos estados e da democracia tal como os conhecemos, sendo estes, ainda assim, os últimos obstáculos à ditadura dos "mercados".
ResponderEliminarCheguei um pouco atrasado. O Pedro continua com uma visão periférica deslocada para a direita e que lhe impede uma leitura mais abrangente e menos dogmática e a tocar no fanatismo. É evidente que meter o argumento natalidade neste problema é mesmo um forma desesperada de tentar ter razão neste assunto e de fugir às questões levantadas no post.
ResponderEliminarMas que culpa têm os professores do caos organizacional a que chegou o país? Já irá nuns 20 a 30 mil despedimentos.
Exato. Obrigada!!!
ResponderEliminarEis que que chegou o dr Pedro! E eu a pensar que estava a palestrar na universidade de verão!
ResponderEliminarBem que a laranjada podia arranjar um tachito ao dr Pedro...Perante tamanha fidelidade, o dr Pedro bem merecia estar no Palácio das Laranjeiras.
ResponderEliminarDecididamente, o dr Pedro não sabe o que é o desespero de quem, após anos de trabalho, leva um pontapé no traseiro e ainda é tratado como parasita.. A pessoa de bem que é o dono deste blogue, impede-me de dizer para onde está virada a visão periférica do dr Pedro.
Tens de ser mesmo boa pessoa, Paulo Prudêncio:)
Este Pedro só vê de um olho e inclinado à remela.
ResponderEliminarCá para mim é fulaninho a bater-se a algum tachinho, quiçá numa PPP. Sim, porque essas não levaram o país à falência!!!!!!!!!!!!!!!!
Peço desculpaste, mas este Peter Pan é um personagem criado por mim para uma peça de teatro intitulada Peter and Wendy , que originou um livro para crianças publicado em 1911, e de várias adaptações destes para o cinema.
ResponderEliminarO personagem é um pequeno rapaz que se recusa a crescer e que passa a vida a ter aventuras mágicas...
se calhar já arranjou um tacho, por isso a visão do Pedro é para a direita.
ResponderEliminarCaro Paulo, aqui não se trata de ser de direita, do centro ou da esquerda, mas sim da capacidade de se ter uma visão que seja o mais realista, contextualizada e imparcial do período difícil que vivemos, numa lógica que não seja meramente corporativa...
ResponderEliminarEm relação à redução do número de professores em quase 30 mil nos últimos anos, aconselho-o a reler o estudo "Education at a Glance" de 2012 para compreender a evolução registada.
Quanto à natalidade, qualquer demógrafo poderá explicar-lhe melhor que qualquer carta educativa do país, de uma região ou de um concelho tem em conta as perspectivas do número de alunos a pelo menos 20 anos... E volto a frisar que nunca me cingi apenas à questão demográfica, mas também à necessidade de se "fazer mais com menos", numa lógica de racionalização dos recursos existentes que já era algo previsto há muito tempo e que a entrada da troika em Portugal apenas acelerou.
Mas, enfim cada um tem a sua opinião. Uns mais idealistas, outros mais realistas... Uns mais utópicos, outros mais pragmáticos...
Quanto à culpa dos professores? Nenhuma... Mas, não tenha dúvidas que as asneiras cometidas durante muitas décadas no sector da Educação, com a conivência dos sindicatos (recordo apenas as reformas de colegas nossos aos cinquenta e poucos anos de idade), originou esta situação: uma espécie de volte-face, em que pelas asneiras de uns pagam os outros... Mas isso já é outra conversa...
Pedro: já discutimos muito a questão da demografia e até o relatório "Education at a Glance 2012". Há um forte desinvestimento na Educação, muito para além da troika, e os números de 2013 serão elucidativos. É bom que se sublinhe que os governos de Sócrates "escolheram os professores" e que o actual acentuou muito a tragédia. Sobre isso o Pedro não acrescenta uma palavra. Usa sempre os mesmo argumentos o que, naturalmente, aborrece as pessoas.
ResponderEliminarOh! Pedro nâo se pique com ser de direita, pronto é do centro, mas o Pedro ficava muito mais feliz se tivesse um pouco de utopia, assim deve ser um grande chato, lamento.
ResponderEliminarObrigado Maria do Norte.
ResponderEliminarEntre o pragmatismo e a utopia, prefiro o pragmatismo... Sem dúvida!!!
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