Acompanho há algum tempo a mediatização à volta da privatização da rede escolar. Quem conhece a constituição portuguesa, e concorda com o texto como é o meu caso, sabe que está previsto o ensino gerido por particulares (privado ou cooperativo). São poucos os que advogam a "impossibilidade" desse tipo de ensino.
Desde que se tornou demasiado evidente a privatização de lucros associada à ilegalidade na edificação de escolas e à precarização ilegal de professores, a mediatização foi em crescendo atingindo anteontem mais um pico. São processos que também acontecem nas democracias. É evidente que era bom que não fosse assim. As reacções pessimistas são as habituais: não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora.
Sejamos francos: existe matéria divulgada pela comunicação social a que ninguém ficou indiferente e, pelo que se sabe, o poder judicial também. Há um ano, no mínimo, que anda a investigar e fica a ideia que o processo investigativo vai para além das vontades partidárias. É a justiça a funcionar e, pelo que se lê, há pessoas dos mais variados géneros partidários a serem investigadas.
É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. Os que fazem do exercício da cidadania um dever, têm o quarto poder (hoje mais vasto do que nunca) para dar corpo ao seu "optimismo". Sim, porque sem algum optimismo e sem uma crença, mesmo que mínima, na democracia, não é possível ajudar a que a justiça funcione.
PIM! PIM! PIM!
ResponderEliminarPaulo, tens toda a razão naquilo que escreves.
ResponderEliminarLembro que, além das pessoas ligadas aos partidos, supostamente responsáveis por decisões que beneficiaram alguns em prejuízo do interesse público (são muitos milhões a seguirem em certo sentido...), há que punir criminalmente a pequena corrupção, neste caso, aqueles que praticaram, e continuam a praticar, ilegalidades.
Estes pequenos carrascos são uma espécie que tem de merecer o completo repúdio das pessoas de bem porque são eles que humilham, maltratam, mentem, enganam, camuflam, desdenham, usam as pessoas que se encontram a trabalhar condicionadas pelas mais incríveis situações.
Estes casos foram amplamente divulgados nas reportagens da Ana Leal e têm de permanecer bem vivos na nossa memória, pois são um exemplo de moderna escravatura, sempre em benefício de alguns.
Lamentável como os encarregados de educação não abrem os olhos, de uma vez por todas, e se mantêm iludidos com as palavras destes verdadeiros aldrabões.
Se fossem verdadeiros cidadãos, reparavam que os seus filhos estão a ser educados num ambiente de medo, de exploração e de ilegalidades diversas e contínuas.
Se fossem verdadeiros cidadãos revoltar-se-iam contra este estado de coisas, em que o dinheiro de todos nós não é aplicado, como deveria ser, na educação dos seus filhos (incluindo melhoria de instalações - ver o que se passa com a não construção de um ginásio num certo colégio e a qualidade de certos laboratórios de ciências - e pagamento devido e justo aos profissionais da educação - sobretudo professores que são aqueles que verdadeiramente educam as crianças e jovens.
Se fossem verdadeiros cidadãos reparariam que as festas de Natal, os bailes de gala e muitas outras actividades festivas são pagas pelo dinheiro das pessoas e não as podem aceitar como merecidas e sim vê-las como um produto propagandístico, utilizado para camuflar a podridão que vai grassando.
Dizem-me que houve lágrimas em certo ambiente colegial, aquando das buscas da PJ e das respectivas apreensões de computadores e telemóveis.
Não nos devemos comover nem um bocadinho, porque deveremos pensar, isso sim, nas lágrimas verdadeiras daqueles que foram e são explorados de forma tão vil.
Devemos, também, pensar nas lágrimas verdadeiras de todos os professores honestos e excelentes profissionais que se viram, de um dia para o outro, numa situação de horário-zero ou a cumprir horas num ciclo de ensino onde não possuem nem habilitação nem motivação para trabalharem.
Devemos, também, pensar nas lágrimas verdadeiras de todos os professores que não conseguem colocação nos concursos nacionais (aqueles que têm regras claras e iguais para todos), também porque as turmas não estão na Escola Pública, mas sim no ensino particular, pagas a peso de ouro (para quando o levantamento do verdadeiro montante aplicado na educação dos alunos e quantos milhões - do nosso dinheiro - têm alimentado a gula destes parasitas da sociedade?).
Felizmente, muita desta gente ignóbil não se inibe de ostentar os seus ganhos - os sinais de fortuna que deixam ver são evidentes. Assim, tornam-se presas fáceis da justiça, assim ela continue a fazer o seu caminho.
E se o senhor presidente da câmara, por algum acaso, ler estas linhas, aceite um conselho de um humilde e honrado professor: tome uma atitude de uma vez por todas. Ao exercer um cargo público, eleito pelos cidadãos, tem de se colocar ao serviço do interesse público e não de interesses privados cheios de contornos ilegais.
O sistema a funcionar no seu melhor!
ResponderEliminarObrigado FF.
ResponderEliminarQue tempos João. As democracias têm, infelizmente, destas coisas. É um regime que assenta muito do seu sucesso na confiança nas pessoas. Temos ainda um longo caminho a percorrer. Vamos ver como isto se desenvolve.
ResponderEliminarAguardemos pelo veredicto da justiça.
Sinto-me em pleno fascismo, onde há colegas a denunciar outros colegas, onde as pessoas se alegram com o mal dos outros. Cada vez mais odeio a minha classe. E sim, sou professor do colégio do misterioso denunciante pidesco.
ResponderEliminarComo ja escrevi várias vezes, os professores estão todos do mesmo lado. Queiram ou não. Cedo ou tarde perceberão isso. Era melhor que tivesse sido cedo para não ser tardia a descoberta.
ResponderEliminarExcessos nos estados de alma? Tenho registado de todos os quadrantes.
Este processo ultrapassa os professores (embora sejam professores a maioria dos supostos acusados). Vamos aguardar pela justiça.
O senhor anónimo sente-se em pleno fascismo? Não duvido. Se é professor num colégio do Grupo GPS deve sentir isso mais a revolta pela corrupção que ostentam os seus patrões. Diga-nos lá como foi colocado em funções pagas pelos contribuintes. Qual foi o concurso público? Não compreende a revolta dos seus colegas das escolas públicas? Talvez compreenda agora. Lembra-se da campanha dos colégios GPS em 2009? Somos melhores porque somos privados.
ResponderEliminarBoa sorte para o Ministério Público e Polícia Judiciária. O Povo Unido, o que paga a essa corja sem fim, está contigo.
ResponderEliminarVamos aguardar pela justiça, repito.
ResponderEliminarÉ caso para pensar assim.
ResponderEliminarPor vezes pergunto-me se o pais não passa de um grande estádio de futebol, onde os adeptos, acicatados pela comunicação social, criam ódios e desconfiança e colocam tudo e todos no mesmo saco, somente porque não são do seu clube...portugalito dos pequeninos dirão muitos, gente de ação dirão outros...
ResponderEliminarQuando se discutem pessoas e eventos e não ideias, temos a diferença entre mentes brilhantes e mentes medíocres, pelo menos já assim o afirmava Eleanor Roosevelt.
É preocupante como um educador confunde as noções de fascismo e de "pidesco".
ResponderEliminarEntão, denunciar ilegalidades, ter coragem em dizer a verdade é uma forma de fascismo e quem o faz é "pidesco"?
Segundo o dicionário: "Fascismo: tendência para o excesso de autoritarismo ou para o controlo ditatorial".
Não será o anónimo uma vítima de fascismo? Terá inveja de quem ergue a voz, sem medo, clamando por justiça, transparência e igualdade?
A circunstância de se apresentar como "anónimo" retira-lhe toda a credibilidade. Em vez de se refugiar nesse estado, não deveria parar para pensar nos motivos que o levam a não ter coragem para assinar pelo seu próprio nome?
Terá medo de represálias por parte de quem lhe garante o emprego?
Não será, repito, o anónimo vítima de "excesso de autoritarismo ou de controlo ditatorial"?
É que os professores que têm lutado contra a corrupção e a mentira têm nome e dão a cara (a começar pelo autor deste blogue que, desde sempre, tem manifestado a sua opinião de forma aberta e nunca anónima...)!
Quando os professores do ensino particular se consideram professores como os seus colegas do público, têm razão para o fazer, mas... falta-lhes aquilo que sobra no nosso meio: tomar uma posição, adoptar atitudes e comportamentos que mereçam o reconhecimento e a admiração dos seus pares.
Podem começar por também denunciarem as ilegalidades. Por que não o fazem? Porque têm de manter o emprego, certo? Isso é compreensível, mas está na hora de abrirem bem os olhos e perceberem quem é que vos quer fazer mal: se quem os humilha e maltrata, se os colegas que, através da sua luta, também conseguem ganhos para os docentes do ensino particular.
Não se sentem, nem por um momento, usados?
Então, leiam isto (pronto, é a comunicação social que inventa... aliás, a comunicação social só tem inventado coisas sobre o ensino particular, pelo menos, desde 2009... aliás, é a comunicação social, os jornalistas corajosos que vêm defendendo a verdade, que ostenta uma fortuna em carros topo de gama...):
"Critério de atribuição dos subsídios eram pouco claros antes de ser fixado um valor por turma e estão debaixo da mira dos investigadores
Os magistrados do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) que há um ano estão a investigar a gestão dos colégios GPS suspeitam que os seus responsáveis poderão ter inflacionado, durante anos, os valores dos gastos com professores para conseguirem maiores subsídios do Estado.
Segundo averiguou o i, os critérios da concessão de subsídios que estavam em vigor antes de as regras serem alteradas, no final de 2010, estão a ser vistos à lupa pelos investigadores. José Sócrates e Isabel Alçada, então ministra da Educação, mudaram as normas e estabeleceram que esse subsídio era o equivalente a um montante fixo por turma. Mas a legislação que vigorou entre 1980 e 2010 não era tão clara: estabeleciam um valor variável, por aluno, tendo em conta vários aspectos como o custo de manutenção e funcionamento. As despesas com professores, ao que o i apurou, acabariam por contar para o cálculo - quanto mais altas fossem, maiores os benefícios.
O i sabe que os relatórios da Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) sobre os colégios GPS deram pistas essenciais ao trabalho dos investigadores que na passada terça-feira conduziram mais de duas dezenas de buscas pelo Centro do país.
As seis auditorias, recorde-se, traçaram um retrato arrasador dos estabelecimentos de ensino particular financiados pelo Estado para garantirem ensino gratuito a alunos que supostamente não teriam lugar na rede pública.
Foram detectadas irregularidades como cobranças indevidas de taxas de matrículas, excesso ou escassez de alunos, falta de professores e irregularidades nos horários: cerca de 85% tinham períodos de trabalho consecutivo de mais de oito horas.
Os procuradores da 9ª secção do DIAP de
Brilhante!!!
ResponderEliminarBrilhante o texto do Paulo Prudêncio!!!
ResponderEliminarJoão Pereira, diz que "Quando os professores do ensino particular se consideram professores como os seus colegas do público, têm razão para o fazer, mas... falta-lhes aquilo que sobra no nosso meio: tomar uma posição, adoptar atitudes e comportamentos que mereçam o reconhecimento e a admiração dos seus pares." e, noutro comentário , afirma "Dizem-me que houve lágrimas em certo ambiente colegial, aquando das buscas da PJ e das respectivas apreensões de computadores e telemóveis.". Pergunto - o tomar uma atitude e ser digno do "vosso" respeito é vender a alma ao diabo? É ter duas faces, sem que se saiba qual delas é a verdadeira? Se os depoimentos da TVI se baseiam em gente desta, então estamos muito mal.
ResponderEliminarNão diria acicatados pela comunicação social, porque esta faz o seu papel no jornalismos de investigação. Diria, se me permite, acicatados por quem beneficia realmente com estas coisas. A imagem do estádio é interessante e também é bom olhar para quem frequenta os camarotes. Nem sempre corre bem, lá isso também é verdade.
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarCara "Joana", se bem entendi, "vender a alma ao diabo" significa ajudar nas investigações que se destinam a apurar a verdade e a ajudar a justiça.
ResponderEliminarTodos percebemos que há uma "casta" no ensino particular, um grupo fechado em si mesmo que vai construindo o seu caminho, trabalhando arduamente, sem dúvida, mas sempre com a função propagandística elevada ao paroxismo, não vão os encarregados de educação abrir bem os olhos.
Mas também percebemos que querem defender o seu direito ao emprego. Lembro que há muitos professores que não tiveram essa enorme possibilidade de conseguir uma colocação sem concurso público.
Nas Caldas da Rainha trabalham, seguramente, dezenas de docentes que, tendo sido colocados nas escolas públicas da cidade, optaram por aqui construírem a sua vida. O mesmo acontece em muitas outras cidades pelo país fora. Mas, nos últimos anos, praticamente nenhum docente passou para os quadros das Escolas Públicas.
Quero com isto dizer que os professores do ensino particular têm à sua disposição os mesmos mecanismos de colocação que os seus colegas do público: os concursos, que têm regras claras e iguais para todos.
Repito: compreendemos as vossas angústias e preocupações, e muitos de nós ainda mantêm uma certa dose de comiseração pela situação de precariedade em que muitos se encontram.
Agora, não há a imagem de "vender a alma ao diabo", porque o diabo nesta história é aquele que tem carros topo de gama e pratica múltiplas ilegalidades.
Há uma opção a fazer, cada vez mais obrigatória: ou se mantêm cúmplices desse sistema e dos senhores que enriqueceram à custa do dinheiro dos cidadãos (e podem afundar-se com eles, sem perdão à vista) ou assumem uma posição de transparência e de verdade.
Assim tenham a coragem para o fazer!
E, já agora, porque não uma reunião com os professores das Escolas Públicas para que, olhos nos olhos, possam transmitir as vossas ideias e defender os vossos pontos de vista?
Ou será que, ao fazê.lo, poriam o seu emprego em risco?
Clap! Clap! Clap!
ResponderEliminarClaro que permito. Uma discussão, saudável claro está, passa por podermos construir ideias em conjunto e não deflagrar e despejar comentários acometidos por um calão ofensivo e mesmo brejeiro, como tenho verificado nestes casos.
ResponderEliminarSendo professor de outras andanças, pois formo futuros professores, tenho tido interesse em seguir este caso e outros; porque envolvem a Educação do país e isso sim, é tema demasiado importante para usar da palavra de forma falaciosa e pouco documentada.
Como investigador, porque há muitos anos que faço da investigação em educação profissão, verifico que cada vez mais se usa o termo "investigação", sem muitas vezes o ser; deixam-se demasiadas perguntas por fazer, demasiadas variáveis por controlar, demasiadas incongruências por averiguar...e é aqui que tenho sempre muito cuidado com o que é veiculado pela comunicação social, pois há muito que se vem percebendo que essa mesma comunicação social tem interesses económicos, seus e de seus mandatários. Infelizmente neste país, "come do bolo quem está por cima", mas quando os ventos mudam, costumam "espernear desenfreadamente" e em todas as direções, basta olhar para o majestoso exemplo da política central - quando o exemplo é o que se vê...o que se pode esperar?!?!?!. Mas isto daria muitas investigações.
Julgo que acima de tudo, o debate deveria ser feito com correção e elevação em benefício da evolução e não tão somente do "ganhei, tinha razão, toma!", coisa que nem sempre tem acontecido; mais uma vez, talvez devido ao exemplo maravilhoso da classe política.
Que seja a justiça a determinar os factos e, acima de tudo, tal como defendo, que essa justiça se baseie em facto fidedignos e não contaminados pelos "clubismos". E que no final, se pegue no que foi aprendido e se evolua, pois consumir recursos para ficar na mesma...
É interessante, se me permites, a tua proposta João Daniel.
ResponderEliminarSe acompanha o blogue, conhece a linha editorial. É um espaço livre para a opinião e para o contraditório. Tenho 22452 comentários e devo ter apagado uns dois ou três. Como editor, não me posso queixar de quem comenta; nem dos anónimos.
ResponderEliminarSabemos da dificuldade em investigar e do controlo das variáveis. Sabemos dos interesses económicos ligados à comunicação social e como é difícil fazer o denominado jornalismo de investigação que tanto tem ajudado a democracia. Concordo com tudo isso.
Neste caso, e do que leio e dos contactos que vou tendo, boa parte da investigação partiu de dados recolhidos pela Inspecção-Geral da Educação nas seis auditorias que realizou. Portanto, não se limitou à comunicação social. Como deve saber, fui entrevistado para este processo. É público. Percebi a dificuldade da comunicação social, mas também registei esforço, profissionalismo e respeito pela isenção e pelo contraditório.
Esperemos pela justiça.
E também concordo que se evolua e que os recursos sejam bem consumidos. É pena que esse espírito não estivesse presente desde o início. Pareceu-me que existia alguma soberba, uma boa dose de preconceitos contra a escola pública e outras coisas mais que cabe à justiça apurar.