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domingo, 30 de outubro de 2022

Da Política e do Seu Sentido (2)


"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não." 


Hannah Arendt (1906-1975


quinta-feira, 16 de junho de 2022

Da Política e do Seu Sentido



"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não." 


Hannah Arendt (1906-1975



domingo, 24 de abril de 2022

Sentido da Política


"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não." 


 


Hannah Arendt (1906-1975


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Das candidaturas à vinculação extraordinária

 


 


  


A constituição garante o ensino assegurado por particulares (privado ou cooperativo). Desde que se mediatizou a privatização de lucros das cooperativas associada às ilegalidades na edificação de escolas e à ausência de concursos públicos na contratação de professores (precarizados), a discussão sobre o assunto provocou indignação. Apesar dos pessimismos (não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora), o actual Governo agiu de forma corajosa e informada na rede escolar. Há escolas públicas oxigenadas após anos condenadas à desertificação.

Ninguém ficou indiferente ao quarto poder. Quem faz do exercício da cidadania um dever, tem esse múltiplo poder para dar corpo ao seu optimismo. Sem este estado das almas moderadas, e sem crença na democracia, não era possível "ajudar" a justiça a funcionar e desafiar o poder político para um trajecto difícil que está longe de consolidado: dirá, com fundamento, o imprescindível pessimismo crítico e a propósito dos critérios para os concursos que vincularão extraordinariamente professores com anos a fio de contratos nas escolas públicas. Veremos como sentencia em definitivo a mesa negocial.


 


Já usei parte deste texto noutro post. 


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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

da palavra do dia: liberdade

 


 


 



Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:



"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"



Por exemplo, não sabemos se o homem é naturalmente bom e a prevalência do mal obriga-nos a desconfiar.


Por outro lado, e não raramente, assistimos ao convite para o fim da história. É a ânsia de liberdade individual. É a ideia de que, finalmente, está tudo resolvido a caminho da felicidade plena. Também não raramente, essa distracção, se assumida colectivamente, empurra-nos para tragédias.


Por isso, a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade. É crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de perceber ou de transformar.


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Do sentido da política

 


 


 



"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não." 


 


Hannah Arendt (1906-1975


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

do dever de repetir

 


 


 


Há mudanças imperativas no domínio legal. Não vai lá doutro modo. Há procedimentos a eliminar com urgência. A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas, ou em modo de repetição em plataformas digitais, anula o indivíduo sem acrescentar atributos cooperativos e gregários. Institucionaliza a inutilidade. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. A má burocracia prolongada é o principal motor da desmobilização, da saturação e do burnout


 


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sábado, 22 de outubro de 2016

dos pessimismos e dos optimismos

 


 


 


A constituição portuguesa prevê o ensino gerido por particulares (privado ou cooperativo). São poucos, naturalmente, os que discordam. No entanto, e desde que se "destapou" a privatização de lucros associada às ilegalidades na edificação de escolas e na contratação de professores, a polémica mediática sobre o assunto cresceu. Apesar dos pessimismos (não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora), houve mudanças com o actual Governo. Vêem-se resultados. Há escolas públicas a respirar após anos a fio condenadas à desertificação.


 


Sejamos claros: ninguém ficou indiferente ao quarto poder e o poder judicial também não. É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. Quem faz do exercício da cidadania um dever, têm o múltiplo quarto poder para dar corpo ao seu optimismo. Sem esse estado das almas moderadas, e sem crença na democracia, não era possível "ajudar" a justiça a funcionar e desafiar o poder político para um trajecto difícil que está longe de consolidado: dirá, com fundamento, o imprescindível pessimismo crítico.


 


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domingo, 22 de maio de 2016

A liberdade como princípio, a liberdade como fim

 


 


 



A Liberdade como princípio, a Liberdade como fim (do facebook de José Matias Alves)


 


(...) 


Três liberdades e mais três. A liberdade é um substantivo, mas é também um verbo de acção. A escola pública tem de saber repensar-se, renovar-se, abrir-se.



Em primeiro lugar, repensando-se no espaço público. Há mais educação para além da escola. Hoje, precisamos de reforçar os laços entre a escola e a sociedade e assim renovar um compromisso social em torno da educação. É uma mudança decisiva, que exige uma efectiva capacidade de decisão das pessoas, das autarquias e das instituições no interior deste espaço público da educação. Não gosto muito da metáfora das «cidades educadoras», mas é a que melhor ilustra a dimensão de partilha e de co-responsabilização que marca a educação nas sociedades contemporâneas. 



Em segundo lugar, renovando-se como «coisa pública». 
A escola não é um «serviço» ou uma «mercadoria», é uma instituição da res publica. Quando se compara a escolha da escola com a escolha das malas, dos sapatos, do jornal, do carro ou da casa, como já se escreveu, perde-se todo o sentido, social e cultural, individual e colectivo, do acto de educar. 



Em terceiro lugar, abrindo-se ao futuro. Vivemos um tempo de profunda mudança geracional, em grande parte pela forma como o digital está a transformar as vidas das crianças e dos jovens. Michel Serres diz mesmo que, nas últimas décadas, nasceu «um novo ser humano que vive, pensa, comunica e ... aprende de maneira totalmente diferente». Os edifícios escolares vão desaparecer ou, pelo menos, vão transformar-se radicalmente. Os tempos escolares vão ser organizados de modo totalmente diferente. O trabalho dos professores vai sofrer alterações profundas. A escola pública tem de estar à altura desta revolução da aprendizagem que está a acontecer debaixo dos nossos olhos e perante uma certa «indiferença» da nossa parte. 






A escola pública tem de ser, cada vez mais, um espaço de liberdade. Hoje, as sociedades têm um nível de educação, instituições culturais e científicas e meios tecnológicos que permitem concretizar o sonho, que muitos outros sonharam antes de nós, de uma escola que é 


 


Igualdade 
Diversidade 
Aprendizagem 
Participação 
Autonomia 
Criação 


 


A liberdade tem uma característica única e singular: só existe em mim se existir também nos outros. Não posso ser livre se os outros viverem sem liberdade. A escola pública é o lugar da liberdade, de todos e não apenas de alguns. A liberdade como princípio. A liberdade como fim. 


 


António Nóvoa


Universidade de Lisboa


 


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quinta-feira, 30 de julho de 2015

a liberdade evolui?

 


 


 


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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 



"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."


 


 


 



(Não é a primeira vez que


transcrevo esta história


num post).



 

terça-feira, 19 de maio de 2015

das continuidades e das descontinuidades

 


 


 


O que val ler escrevi-o em 3 de junho de 2011. Desde aí, o clima continuou a descer. Como sou uma pessoa com relativa esperança, gostava de voltar a viver num país em que o seguinte descolasse da realidade:


 



Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos foi de premeditação inconsciente embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.


 


A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão na carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade.(...)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

a propósito da liberdade

 


 


 


 


Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:


 



"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"



 


Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.


 


Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual, consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e de que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.


 


Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.


 


 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

caminhos silenciosos

 


 


 


Na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.


 



"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"



 




Jardine (2007:57), Foucault e Educação.



 


 


 


 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

da liberdade

 


 


 




 

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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 



"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."


 


 


 


(Não é a primeira vez que


transcrevo esta história


num post).


 

 



segunda-feira, 21 de abril de 2014

largo do carmo

 


 


 



 


 


Já assisti a duas sessões em que esteve bem presente o espírito do 25 de Abril de 1974. A celebração do 16 de Março nas Caldas da Rainha em que foi orador Joaquim Vieira (preso político e exilado em Paris nessa altura) e o lançamento do livro "Os rapazes dos tanques", no CCC das Caldas da Rainha, de Alfredo Cunha e de Adelino Gomes.


 


Amanhã espero estar no parlamento para assistir à homenagem ao capitão de Abril António Marques Júnior.


 


 



 


A Assembleia da República homenageia António Marques Júnior, com o lançamento do opúsculo António Marques Júnior: Homenagem ao “Deputado Capitão de Abril”. A presidente da Assembleia da República preside a esta cerimónia que conta com a presença de Vasco Lourenço, Maria de Belém Roseira, José Magalhães e Luísa Marques Júnior.


 


 


 


No dia 25 de Abril estarei no Largo do Carmo, às 11h00, onde as celebrações não terão a presença de pessoas muito contrariadas.


 


 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

dos optimismos e dos pessimismos

 


 


 


 


Acompanho há algum tempo a mediatização à volta da privatização da rede escolar. Quem conhece a constituição portuguesa, e concorda com o texto como é o meu caso, sabe que está previsto o ensino gerido por particulares (privado ou cooperativo). São poucos os que advogam a "impossibilidade" desse tipo de ensino.


 


Desde que se tornou demasiado evidente a privatização de lucros associada à ilegalidade na edificação de escolas e à precarização ilegal de professores, a mediatização foi em crescendo atingindo anteontem mais um pico. São processos que também acontecem nas democracias. É evidente que era bom que não fosse assim. As reacções pessimistas são as habituais: não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora.


 


Sejamos francos: existe matéria divulgada pela comunicação social a que ninguém ficou indiferente e, pelo que se sabe, o poder judicial também. Há um ano, no mínimo, que anda a investigar e fica a ideia que o processo investigativo vai para além das vontades partidárias. É a justiça a funcionar e, pelo que se lê, há pessoas dos mais variados géneros partidários a serem investigadas.


 


É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. Os que fazem do exercício da cidadania um dever, têm o quarto poder (hoje mais vasto do que nunca) para dar corpo ao seu "optimismo". Sim, porque sem algum optimismo e sem uma crença, mesmo que mínima, na democracia, não é possível ajudar a que a justiça funcione.


 


 



 


 


 


 

é isso e a roda

 


 



 



 


 


 


Os norte-americanos parece que descobriram o algoritmo que nos diz que a sociedade desempenha o papel fundamental no sucesso escolar.


 


Há muito que se sabe que as alunos que reúnem boas condições socioeconómicas têm melhores resultados, como se comprova em todos os testes internacionais. Os países que conseguem aumentar as classes médias e que impedem que os sistemas escolares segreguem alunos através de escolas financiadas pelos Estados, criam condições para a igualdade de oportunidades e para uma vida com liberdade de escolha. É tudo isto que os nossos descomplexados competitivos negaram e destruíram. Portugal estava num caminho interessante. Mas é sempre assim: a ganância da privatização de lucros na Educação faz com que não valorizemos o bem comum e é necessário o sofrimento de muitos para que aprendamos o que devia ser óbvio entre humanos.


 


 


 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

retrato

 


 


 


 


 


 


Quando li o desabafo que vai ler a seguir lembrei-me de ir à procura do texto do post anterior que intitulei "A liberdade evolui". Só aparentemente é que não têm qualquer relação. Este retrato da presidência envergonha-nos.


 


 


 


 


a liberdade evolui

 


 


 



 


 





Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 


"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 


 


 


 


(Não é a primeira vez que


transcrevo esta história


num post).