Os norte-americanos parece que descobriram o algoritmo que nos diz que a sociedade desempenha o papel fundamental no sucesso escolar.
Há muito que se sabe que as alunos que reúnem boas condições socioeconómicas têm melhores resultados, como se comprova em todos os testes internacionais. Os países que conseguem aumentar as classes médias e que impedem que os sistemas escolares segreguem alunos através de escolas financiadas pelos Estados, criam condições para a igualdade de oportunidades e para uma vida com liberdade de escolha. É tudo isto que os nossos descomplexados competitivos negaram e destruíram. Portugal estava num caminho interessante. Mas é sempre assim: a ganância da privatização de lucros na Educação faz com que não valorizemos o bem comum e é necessário o sofrimento de muitos para que aprendamos o que devia ser óbvio entre humanos.
Os EUA são o expoente máximo das falsas moralidades, por isso estas evocações, ainda que muito pertinentes e optimistas, soam sempre a retórica populista.
ResponderEliminarInclusive há uma conclusão do estudo algo preocupante:
«Numa mesma cidade, as oportunidades podem também variar entre uma pessoa que viva numa zona de transportes fáceis, boas escolas, cuidados de saúde e uma boa rede comunitária de participação e ajuda, e outra que esteja confinada aos subúrbios, viva longe do trabalho, seja obrigada a passar várias horas nos transportes ou a deixar os filhos em escolas problemáticas.»
Será que o problema dos americanos pobres é terem de deixar os filhos "em escolas problemáticas", por não terem dinheiro para suportar os custos de uma escola "recomendável", ou o facto de haver escolas "problemáticas" é que também devia merecer uma grande atenção por parte dos responsáveis políticos do país?!
Ficamos com a sensação de que, se reduzirem o número de crianças a frequentar as ditas "escolas problemáticas", alterando um pouco estes dados...
"o mundo de oportunidades que se abre para uma criança nascida numa família pobre, hoje, é praticamente o mesmo que era há 40 anos anos nos Estados Unidos."
... já poderão cantar vitória.
O mais triste de tudo é perceber que o desejo de alteração da realidade americana, mesmo que apenas retórico, parece ser o que preconizam os governantes portugueses, mas no sentido inverso.
Concordo Ana.
ResponderEliminarTanta investigação e as conclusões não variam. O que também não muda são os políticos, que dizem uma coisa e fazem outra.
ResponderEliminarClaro Ruca.
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