Qualquer visão com uma dose realista de cinismo sobre a história da política nos dirá que uma ideologia é, acima de tudo, um conjunto de interesses inconfessáveis que se acentua nos partidos políticos com poderes ou benesses por atribuir. É também evidente que o tempo de construção dessas organizações enraíza os tais interesses inconfessáveis; tornam-se mais sofisticados e dissimulados. É isso que se verifica, naturalmente, no arco da governação que "capturou" a democracia.
Os observadores olham para a movimentação dos militantes e percebem uma lógica que parece inalienável: o apoio, e mais ainda o voto, é calculado em função do benefício pessoal que se sobreporá ao interesse do partido e mais ainda a essa coisa longínqua que se denomina interesse colectivo ou país. É isso que se joga no PS. Veremos como acaba a contenda numa fase em que o país desespera por uma alternativa de poder. É mais um teste exigente à depauperada democracia.
Qual é a pressa...
ResponderEliminarÀs tantas, e falando sério, não vá o irrevogável fazer das suas, coitado, e o PR ter de antecipar legislativas já para o verão, coitado também.
ResponderEliminarDiscordo disto: "uma ideologia é, acima de tudo, um conjunto de interesses inconfessáveis que se acentua nos partidos políticos com poderes ou benesses por atribuir."
ResponderEliminarA ideologia é o que é manifesto, o discurso. O que é inconfessável é o que a ideologia não diz.
Sim, concordo que pode ser olhado dessa perspectiva. Ouvi a asserção pela primeira vez numa conferência de Prado Coelho e nunca tinha pensado no assunto desse modo. Não gosto de olhar o mundo com cargas de cinismo, mas há momentos e ocorrências que acentuam o facto.
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