terça-feira, 2 de setembro de 2014

o público errou

 


 


 


Este post é de 24 de Setembro de 2012.


É impressionante como se esfumou o argumento que o MEC


usava para disfarçar os cortes a eito no sistema escolar.


 


O que sobra é uma falta de respeito pela escola pública,


pelos seus profissionais, alunos e encarregados de educação,


que me leva a repetir a interrogação:


"mas estas pessoas nunca mais são elevadas para uma qualquer fundação?"


 



Pede-me, o blogger Pedro Peixoto, que divulgue esta nota do Público que dá conta de um erro em relação às declarações de Nuno Crato sobre a redução de alunos. Ou seja: se a quebra de 200 mil alunos é referente a adultos, o argumento não podia ser usado para justificar os cortes; como o Público salienta na nota. Até já cansa um bocado escrever sobre isto e vou ver se arranjo fôlego.


Não sei quem é que tratou os dados. O que sei é que é hoje comum aplicar um modelo de regressão linear múltipla que melhor se ajuste aos dados em questão (aconselho a conhecida aplicação SPSS da IBM).


Se se estabelecer a redução de professores (y) como a variável dependente, podemos introduzir as seguintes variáveis independentes: aumento do número de alunos por turma (x1), aumento da componente lectiva dos professores (x2), agregações de escolas (x3), nova estrutura curricular (x4), diminuição da natalidade (x5), alteração nos fluxos migratórios (x5) e diminuição do número de alunos por eliminação do programa novas oportunidades (x6).


 


Se pretendermos saber a influência que as variáveis independentes tiveram na variável dependente, o SPSS nos dirá, nas tabelas de coefficients e ANOVA, e através da aceitação ou rejeição das hipóteses nula e alternativa e na significação global do modelo, que o modelo está situado bem à direita e rejeita a hipótese nula, portanto, existirá pelo menos um B=0 e uma relação linear entre a variável dependente e algumas das variáveis independentes seleccionadas.


 


O estudo do coeficiente de determinação permitirá perceber que o modelo explica mais de 98% dos casos de redução de professores o que será considerado muito bom.


 


Da análise individual dos parâmetros concluir-se-á que a variável independente x6 (diminuição do número de alunos por eliminação do programa novas oportunidades) aceita h0 e que, portanto, não influencia a variável dependente e que poderia ser retirada do modelo.


 


Também as variáveis, diminuição da natalidade (x5) e alteração nos fluxos migratórios (x5) aceitarão h0 e não influenciarão a variável dependente e poderiam ser retiradas do modelo e incluídas num modelo de regressão linear múltipla que tenha como objectivo perceber o que se vai passar em 2020, sendo seguro que as conclusões não acompanharão as epifanias de Passos Coelho quando remete para 2027 ou 2032 a possibilidade de sairmos da zona de empobrecimento. 


 


Importa referir que a utilização do modelo de regressão linear múltipla requer a verificação de alguns pressupostos.



  1. Pressuposto: se a distribuição dos erros é normal;

  2. Pressuposto: se os erros são variáveis aleatórias de média zero;

  3. Pressuposto: se os erros são variáveis aleatórias de variância constante – homocedasticidade -;

  4. Pressuposto: se as variáveis aleatórias dos erros são independentes;

  5. Pressuposto: se as variáveis independentes estudadas no modelo são não correlacionais – ausência de multicolinearidade -.


 

É também comum aplicar-se o teste de Durbin Watson (d*) para avaliar a veracidade da independência dos erros, ou seja, a sua auto-correlação ou de primeira ordem. Se os erros forem independentes não influenciam o valor do erro seguinte e nesse sentido a correlação entre erros sucessivos é nula. Seria natural que o estudo do d* aceitaria h0 como significado de que era conclusivo e que não existiria auto-correlação entre as variáveis do modelo.

 


Da matéria estudada também se observaria que a matriz das variáveis independentes permitia concluir que o módulo dos coeficientes de correlação e a respectiva dependência linear eram relevantes e que os valores eram inferiores a 0,8; portanto, não se verificava o problema da multicolinearidade.


 


 

7 comentários:

  1. Paulo, o que acabou de fazer resume-se, quanto a mim e sem querer ofendê-lo, em confundir e fugir à questão essencial.
    A questão essencial era a de perceber que a generalidade dos jornalistas e bloggers pegaram nas declarações do Ministro ("houve uma diminuição de 200000 alunos nos últimos três anos, tendo por base várias razões") e resolveram inventar que o Ministro teria dito que apenas a demografia estaria na base dessa diminuição... Como sabe, quem mais fomentou esta ideia até foi o Paulo Guinote!
    Ora, o Ministro não disse o que muitos disseram que disse e, finalmente o Público veio admitir que tinha errado. Outros jornais o fizeram, mas bloggers, que eu saiba nem um...
    Ora, todos sabemos que a diminuição do número de professores contratados este ano tem por base muitos factores. O mais decisivo será o das alterações efectuadas na organização deste ano lectivo em termos de distribuição do serviço lectivo. Mas, não sejamos ingénuos: a própria OCDE afirma que nos próximos anos o número de alunos irá decrescer...
    Contudo, houve muitos bloggers que resolveram dizer que o Ministro fez declarações que, de facto, não fez e inventaram o boato de que o Ministro teria dito que haveria menos professores porque haveria menos alunos apenas por via da menor natalidade. Pura invenção...
    A mim pareceu-me que o Prudêncio e outros bloggers conhecidos induziram em erro os seus leitores e não quiseram admitir o erro. Fui dos poucos (ou o único) que tentei alertar-vos para o erro, mas a resposta que tive foi a fuga ou a confrontação pouco séria.
    Espero sinceramente que o encontro das Caldas não tenha exemplos deste género e que saibam respeitar a opinião alheia e aceitar a verdade (sim, porque a verdade é diferente do boato ou do "diz que disse").
    E pode ter a certeza que baralhar para confundir não faz o meu género. Pode haver muitas opiniões (e ainda bem), mas factos são factos...
    Já agora, poderia ter dito que fui eu que o aconselhei a colocar a notícia do Público. Agradeço-lhe o facto de ter seguido o conselho, embora me tenha desiludido a forma como discorreu sobre o mesmo…
    Não seja como o Cavaco quando disse "nunca me engano e raramente tenho dúvidas". Todos nos enganamos; uns mais do que outros...
    Já agora, outro conselho: o debate de ideias diferentes (sim, porque debater ideias iguais ou parecidas não leva a lado nenhum) não tem de ser feito só em encontros de bloggers; também pode ser feito na própria blogosfera através da leitura e do comentário de outros blogues que têm uma linha de pensamento diferente da seguida por cada um de nós... Entenda isto como um incentivo à pluralidade de ideias.

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  2. Pedro: já corrigi o esquecimento à sua solicitação.

    Mais logo volto.

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  3. Pedro: não vou voltar à discussão da forma e não do conteúdo.

    Quem me conhece bem, sabe que não tenho qualquer problema com o erro. Neste caso, não consigo fazer melhor do que o já fiz e só voltei a abordar o assunto pelo respeito ao contraditório longo que por aqui têm estabelecido e por sua solicitação.

    Já lhe expliquei por mail o modo e a intenção deste post. Pensava que se divertiria a lê-lo e não encontro no seu comentário qualquer questão que me obrigue a justificar o que escrevi no conteúdo do post.

    Já lhe disse mais do que uma vez para se inscrever no referido debate e que depois tirará as suas conclusões.

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  4. Fica claro que cada um de nós fica com a sua opinião. O Paulo diz que eu minto e eu digo que o Paulo induziu em erro (consciente ou inconscientemente, não tenho a certeza) os seus leitores.
    Depois, há duas certezas que, para mim, são óbvias:
    1. O Paulo, dadas as intervenções que tem na televisão, nas rádios, nos jornais e no seu blogue tem uma responsabilidade acrescida de ter cuidado nas ideias que veicula, porque, quer queira, quer não, tem o poder de inflluenciar a opinião pública e até publicada, enquanto que eu não passo de um mero blogger, sem "tropas", nem "aficionados"
    2. Pelo que acompanho do blogue do Paulo, apesar da sua excelente capacidade para escrever e para se fazer entender, tenho a clara ideia que tem um enorme dificuldade em assumir qualquer erro que cometa (mesmo que sem intenção), para além de que "ferve em pouca água" com opiniões diferentes da sua. Contudo, isso não quer dizer que assuma um papel muito importante na forma como defende a classe docente.
    Tal como o Paulo espero encerrar de vez esta polémica consigo. Pode ser que mais surjam, desde que não tenham por base o erro ou a omissão intencionada.
    Um abraço

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  5. Compreendo a sua posição e agradeço os seus conselhos.

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