quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Da hiperburocracia, da inércia e da cíclica bancarrota

 


 


 


 


Há anos, mesmo há décadas, que se constata no sistema escolar: o inferno da hiperburocracia é um rol de inutilidades e é inamovível. Se a sociedade portuguesa até tem alguma obra feita na desburocratização, o sistema escolar é um mundo à parte onde saber de procedimentos de gestão parece uma excentricidade. Tanto como no MEC, os actores das escolas parecem asados para o inferno.


 


Há escolas no centro da Europa onde, por exemplo, não existem actas de reuniões nem registo de sumários. Em Portugal, produzem-se "biliões" de actas em cada ano com informação inútil. Um apoio educativo, como exemplo de um informação útil, pode ser solicitado a quem de direito, sem uma acta. Mas o mais elucidativo acontece com as visitas de estudo: paira a ideia que sem acta não há seguro escolar e, por via disso, cada visita é registada em actas de reuniões de grupo, departamento, conselhos de turma ou pedagógico. Sei lá: se tenho um acidente com o meu automóvel a companhia de seguros exige-me a acta com a informação da viagem? 


 


Não compreendo este estado vegetativo que se eterniza. Muito sinceramente. A desconfiança nos professores tem um preço elevado e é um sinal de atraso civilizacional. Bem sei que a organização e a escola não são valores preciosos na nossa sociedade, mas é aí que tudo começa e não estranhemos as cíclicas bancarrotas.


 


 


 


 

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