sábado, 3 de outubro de 2015

administrar?

 


 


 


 


 


 


Há duas ideias a ter em conta nos picos de contestação: o aforismo de Wittgenstein que diz que "as relações humanas seriam muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra" e a certeza de Rainer Maria Rilke de que, em qualquer circunstância e por mais rodeados de pessoas que estejamos, "estamos irremediavelmente sós".


 


Os professores não escapam à devastação a que têm sido sujeitos a maior parte dos portugueses. Têm até a particularidade de andarem há anos a fio em "mobilidade especial". A união que se está a verificar neste grupo profissional terá uma estreita relação com a "impossibilidade" de escapar à tragédia e com a necessidade de contrariar o infortúnio em solidão. A catarse colectiva manifesta-se de várias formas e está longe de se esgotar. A distância que nos separa do fim da linha é tão longínqua como a que medeia as "realidades" de 2006 e 2013. Os administradores da mesa negocial devem ponderar muito bem sobre o momento de excepção que vivemos e podem passar os olhos pela última e excepcional obra de Herberto Helder.


 


1ª edição em 10 de Junho de 2013.


 



 


Herberto Helder (2013:78). "Servidões". Assírio e Alvim. Lisboa.


 


 


 


 


 


 

4 comentários:

  1. Levo, principalmente "Wittgenstein que diz que "as relações humanas poderiam ser muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra""

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  2. A sua coragem e lucidez chegam a ser comoventes. Habitualmente leio-o com a sensação que me está a ler o cérebro pois escreve tantas vezes o que estamos a pensar. Como Encarregada de Educação Avó e como Professora Jubilada estou incondicionalmente do vosso lado. Para bem de Portugal, não desistam.

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