E Nuno Crato não recuperou os exames do 4º ano de um dia para o outro sem qualquer recomendação conhecida? Para além disso, ainda se contraditou ao generalizar sem testar e deu razão aos que o acusaram de motivações exclusivamente ideológicas.
A repetição tornou-se o nosso modo de ser e o sistema escolar não escapa ao desnorte, mesmo que se considere que para aprender é necessário repisar muitas vezes. Os exames são um metabolismo útil nos sistemas que incluem mais do que um aluno. Desta vez, o eduquês (ou rol de inutilidades inventado por quem tem falta de terreno), que vem sempre de onde menos se espera, baptizou-os de prova final.
Num sistema com escala industrial, generalizar sem testar pode criar um peso burocrático que transforme um procedimento docimológico num pesadelo organizacional redundante, que apenas confirme o que já se sabia e que se vire contra o próprio como comprovam a história das correntes ideológicas e pedagógicas. E já que estamos em maré de exaustivas repetições, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns dias:
Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise (não estou a ser ingénuo, não). E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema.
Excelente análise. Muito bem, muito bem, muito bem,.
ResponderEliminarObrigado. O desenho não é meu e tem por lá um n a mais; mas até fica com piada.
ResponderEliminarVerificar se a retórica coincide com a realidade: é nisso mesmo que falhamos clamorosamente.
ResponderEliminarE não são só os políticos, mais ou menos eduqueses, no seu afã de construir realidades virtuais assentes nos seus delírios e preconceitos e com as quais julgam ficar para a posteridade.
Somos também muitos de nós, no terreno, porque achamos ser nossa obrigação, porque é preciso justificar uma qualquer verba que há-de vir ou porque vamos no embalo da converseta de tolos, que acabamos também a trabalhar para os papéis.
Sem dúvida António.
ResponderEliminarOs exames do 4º ano foram mais uma das medidas brilhantes do ex-desgoverno, à conta disto o meu sobrinho de 10 anos andou a tomar anti-depressivos (receitados pelo médico). Medidas parvas de um ex-governo parvo
ResponderEliminarImpressionante. É uma sociedade doente.
ResponderEliminarOlha que giro ... anti-depressivos.
ResponderEliminarA cada obstáculo de um governo ou desgoverno, a cada adversidade vida fora ... está encontrada a solução - anti-depressivos; um culpado para o obstáculo educativo - governo parvo; para as adversidades ... talvez um dia mal escolhido para "procriar".
Fraco legado para ruins legatários!
Ao que julgo saber, somos a sociedade europeia com mais consumo de depressivos por parte de crianças. Estranhíssima doença, realmente.
ResponderEliminar... isto agora é engraçado! ...no meu tempo passávamos ANOS da n/ infância e juventude a "impinar" tudo, e mais alguma coisa, e para além dos testes ao fim de cada matéria e ao fim de cada período, ainda tínhamos os exames finais. Ricos e pobres tinham de saber, quem não gostava ou não queria, ia trabalhar. Que eu saiba, nunca ninguém morreu por isso, e muito menos tomava antidepressivos ( que praticamente eram desconhecidos) o que era preciso era estudar... agora à mínima "coisa" coitadinhas das criancinhas... e então os SRS. POLÍTICOS, não tendo mais nada para fazer, criam estes GRANDES PROBLEMAS, para entreter o PAÍS e não resolverem efetivamente o que É PRECISO. FRANCAMENTE!!!
ResponderEliminarNão me parece que esse tipo de comparações adiantem alguma coisa. Em regra, servem para intoxicar as discussões.
ResponderEliminarO fim do exame da 4ª classe já foi amplissimamente debatido quando há muitas dezenas de anos deixou de ser a graduação oficial dos portugueses.
ResponderEliminarEstamos muito longe dessa longínqua época da iliteracia oficial que se dava por satisfeita com o “ler, escrever e contar”.
Crato revoltado com a sua própria revolta, arrependido de ter estado do lado do fim do país do “povo na sua tranquilizante ignorância e nós, muito acima na altivez do bacharelato” ou por revivalismo patético tirou do baú o bolorento exame da 4ª classe.
Pela terceira vez se fez o debate nacional e por três vezes se concluiu pela aberração da medida.
Acabou, uma vez mais, essa bandeira e barreira, esse muro do atraso que protege uns poucos da concorrência dos que não são filhos de Algo.
Em boa verdade Crato nunca conseguiu repor o que o tranquilo movimento da terra já derrubou há muito. Decretou e ninguém respeitou. A estupidez não é respeitável nem por decreto.
Há matérias que não podem constituir armas de arremesso político.
ResponderEliminarEu não tenho certezas relativamente a esta questão, assim como não tenho relativamente a tantas outras ligadas ao ensino (um singelo exemplo: os trabalhos para casa: sim ou não?
Enfim.
ResponderEliminarOutra questão do mesmo género; sem dúvida.
ResponderEliminarTrabalhos de casa?
ResponderEliminarTantas horas passadas na escola, tantos 90 sobre 90 minutos....
E que tal utilizar-se todo este tempo e permanência na escola para qualquer coisa como a realização/correcção dos "trabalhos de casa?
No secundário, justificam-se, nalguns casos.
No 1, 2º e 3º ciclos, não se justificam.
Fala 1 professora e, acima de tudo, uma mãe que via os filhos chegarem a casa cheios de trabalhos de casa, incluindo fins de semana e férias.
Sem tempo para socialização, jogos, desporto e outras actividades, que, entretanto, foram largando.
Para os pais, um suplício.......
Não tenho quaisquer dúvidas quanto a isto - a estupidez de TPCs, todos os dias, após 1 dia inteiro de aulas.
É muito eduquesa esta opinião?
Quero lá saber.
Sem dúvida.
ResponderEliminarEduquesa? Ora essa.