segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Acabaram com o exame do 4º ano de um dia para o outro?

 


 


 


E Nuno Crato não recuperou os exames do 4º ano de um dia para o outro sem qualquer recomendação conhecida? Para além disso, ainda se contraditou ao generalizar sem testar e deu razão aos que o acusaram de motivações exclusivamente ideológicas.


 


A repetição tornou-se o nosso modo de ser e o sistema escolar não escapa ao desnorte, mesmo que se considere que para aprender é necessário repisar muitas vezes. Os exames são um metabolismo útil nos sistemas que incluem mais do que um aluno. Desta vez, o eduquês (ou rol de inutilidades inventado por quem tem falta de terreno), que vem sempre de onde menos se espera, baptizou-os de prova final.


 


Num sistema com escala industrial, generalizar sem testar pode criar um peso burocrático que transforme um procedimento docimológico num pesadelo organizacional redundante, que apenas confirme o que já se sabia e que se vire contra o próprio como comprovam a história das correntes ideológicas e pedagógicas. E já que estamos em maré de exaustivas repetições, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns dias:




Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise (não estou a ser ingénuo, não). E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema.



 


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16 comentários:

  1. Excelente análise. Muito bem, muito bem, muito bem,.

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  2. Obrigado. O desenho não é meu e tem por lá um n a mais; mas até fica com piada.

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  3. Verificar se a retórica coincide com a realidade: é nisso mesmo que falhamos clamorosamente.

    E não são só os políticos, mais ou menos eduqueses, no seu afã de construir realidades virtuais assentes nos seus delírios e preconceitos e com as quais julgam ficar para a posteridade.

    Somos também muitos de nós, no terreno, porque achamos ser nossa obrigação, porque é preciso justificar uma qualquer verba que há-de vir ou porque vamos no embalo da converseta de tolos, que acabamos também a trabalhar para os papéis.

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  4. Os exames do 4º ano foram mais uma das medidas brilhantes do ex-desgoverno, à conta disto o meu sobrinho de 10 anos andou a tomar anti-depressivos (receitados pelo médico). Medidas parvas de um ex-governo parvo

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  5. Olha que giro ... anti-depressivos.

    A cada obstáculo de um governo ou desgoverno, a cada adversidade vida fora ... está encontrada a solução - anti-depressivos; um culpado para o obstáculo educativo - governo parvo; para as adversidades ... talvez um dia mal escolhido para "procriar".

    Fraco legado para ruins legatários!

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  6. Ao que julgo saber, somos a sociedade europeia com mais consumo de depressivos por parte de crianças. Estranhíssima doença, realmente.

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  7. ... isto agora é engraçado! ...no meu tempo passávamos ANOS da n/ infância e juventude a "impinar" tudo, e mais alguma coisa, e para além dos testes ao fim de cada matéria e ao fim de cada período, ainda tínhamos os exames finais. Ricos e pobres tinham de saber, quem não gostava ou não queria, ia trabalhar. Que eu saiba, nunca ninguém morreu por isso, e muito menos tomava antidepressivos ( que praticamente eram desconhecidos) o que era preciso era estudar... agora à mínima "coisa" coitadinhas das criancinhas... e então os SRS. POLÍTICOS, não tendo mais nada para fazer, criam estes GRANDES PROBLEMAS, para entreter o PAÍS e não resolverem efetivamente o que É PRECISO. FRANCAMENTE!!!



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  8. Não me parece que esse tipo de comparações adiantem alguma coisa. Em regra, servem para intoxicar as discussões.

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  9. O fim do exame da 4ª classe já foi amplissimamente debatido quando há muitas dezenas de anos deixou de ser a graduação oficial dos portugueses.

    Estamos muito longe dessa longínqua época da iliteracia oficial que se dava por satisfeita com o “ler, escrever e contar”.

    Crato revoltado com a sua própria revolta, arrependido de ter estado do lado do fim do país do “povo na sua tranquilizante ignorância e nós, muito acima na altivez do bacharelato” ou por revivalismo patético tirou do baú o bolorento exame da 4ª classe.

    Pela terceira vez se fez o debate nacional e por três vezes se concluiu pela aberração da medida.

    Acabou, uma vez mais, essa bandeira e barreira, esse muro do atraso que protege uns poucos da concorrência dos que não são filhos de Algo.

    Em boa verdade Crato nunca conseguiu repor o que o tranquilo movimento da terra já derrubou há muito. Decretou e ninguém respeitou. A estupidez não é respeitável nem por decreto.

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  10. Há matérias que não podem constituir armas de arremesso político.

    Eu não tenho certezas relativamente a esta questão, assim como não tenho relativamente a tantas outras ligadas ao ensino (um singelo exemplo: os trabalhos para casa: sim ou não?

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  11. Outra questão do mesmo género; sem dúvida.

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  12. Trabalhos de casa?

    Tantas horas passadas na escola, tantos 90 sobre 90 minutos....

    E que tal utilizar-se todo este tempo e permanência na escola para qualquer coisa como a realização/correcção dos "trabalhos de casa?

    No secundário, justificam-se, nalguns casos.

    No 1, 2º e 3º ciclos, não se justificam.

    Fala 1 professora e, acima de tudo, uma mãe que via os filhos chegarem a casa cheios de trabalhos de casa, incluindo fins de semana e férias.

    Sem tempo para socialização, jogos, desporto e outras actividades, que, entretanto, foram largando.

    Para os pais, um suplício.......

    Não tenho quaisquer dúvidas quanto a isto - a estupidez de TPCs, todos os dias, após 1 dia inteiro de aulas.

    É muito eduquesa esta opinião?

    Quero lá saber.

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