domingo, 31 de janeiro de 2016

do contrário de infantilizar

 


 


 


"O director de turma tem três dias úteis para informar o aluno adulto que faltou" era a redacção de um artigo do estatuto do aluno que vigorou em boa parte do que levamos de milénio e que traduzia com eloquência a infantilização da nossa sociedade que transformou o sistema escolar num grande primeiro ciclo.


 


Como os extremos se tocam, sucedeu-se o contrário de infantilizar (adultizar crianças?) concretizado num retrocesso civilizacional que aplicou aos anos escolares das crianças as normas e os procedimentos do fim da adolescência ou mesmo do ensino de adultos.


 


E depois é só assistir ao contraditório em forma de quadratura do círculo de simultaneidades: incluir e ensinar para a excelência (no que raio que isso seja com crianças), brincar e reunir, o mais cedo possível, recursos para um mundo cada vez mais competitivo (não será "apenas" mais desigual?), tempos livres e modelo industrial de organização escolar e por aí fora. Por mais que se diga que os sistemas bem sucedidos sempre foram os que trataram as crianças como crianças, os jovens como jovens e os adultos como adultos, e que alargaram a base, a contenda ideológica parece que eliminou a sensatez.


 


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4 comentários:

  1. Sempre a educá-los Senhor Professor.

    Joana Fialho.

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  2. Entrei aqui do nada, buscando o oposto da palavra infantilizar para construir um texto para uma reunião na escola em que eu trabalho. Gostei da reflexão do seu texto.

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  3. Muito obrigado. Tem mais reflexões sobre o tema clicando nas etiquetas que estão no rodapé do texto.

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