sábado, 10 de setembro de 2016

A abertura do ano escolar não deve ser uma contenda futebolística

 


 


 


Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há disparates como a eliminada BCE. E o que fez o Governo para além disso para ser elogiado pela claque de apoio? Reverteu cortes salariais, eliminou, com coragem informada, contratos com "privados" e alterou provas dos mais pequenos com uma logística desconfiada. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis bélicas somadas aos excessos ideológicos de Crato que instituiu um preconceituoso back to basics a cavalgar o além da troika.


Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.


 


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8 comentários:

  1. "Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis"

    É isso mesmo.
    Porque a política de PS e PSD /CDS para a escola é muito semelhante.

    Com uma diferença que acaba por ser de intenção: A escola para o PS é a escola a tempo inteiro e dos afectos; a do PSD é a escola a tempo inteiro e dos exames.

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  2. Para quem ainda se lembra (já serão poucos?), as escolas estão em força na Pedagogia Diferenciada, nas tutorias e apoios e na volta da Área Escola e nos afectos a rodos.

    Um círculo vicioso que alarga ou diminui mas sempre se encontra, parecendo aqueles animais neuróticos que rodam para apanhar a cauda.

    Fez-se algum trabalho sério sobre estas experiências no seu devido tempo? O que era eficaz e o que não era, o que se devia manter e melhorar ou largar?

    Pois não. Então voltamos ao mesmo de há umas décadas, com mais entropia e com menos recursos.

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  3. Desculpe a insistência, mas veio-me à ideia três conceitos batidos:

    A escola Summerhill, a escola aberta e as concepções da Paideia.


    Os regulamentos internos são completamente estranhos a isto? toda a vida organizativa da escola também? Os curricula também?
    A formação de professores também?


    Não sejam Velhos do Restelo. A gente trata já disso......

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  4. Pode. Embora deva saber mais disto do que eu.

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  5. :) huuummmm. Era para uma banda desenhada mas fica para outra vez.

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