sexta-feira, 10 de março de 2017

a auto-estima, quinze anos depois

 


 


 


Estas epifanias são cíclicas e podemos esperar como a proposta do Francis Bacon: sentados. Lembro-me de um pico semelhante em 2004 que foi o ano em que comecei o blogue. Receei que não tivesse registado o momento, mas não. Em 27 de Maio de 2004 escrevi assim e os resultados são conhecidos no presente (é muito interessante a plêiade de especialistas):




"Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não ter muita estima por si próprio.

Ouvi hoje uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios comprovados, ao que julgo saber afectos à maioria que nos desgoverna, vai discutir o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel inclui: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges, que julgo que seja um empresário bem sucedido. Espera-se que, depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas suba em flecha."


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Francis Bacon.


Albertina, museum.


Viena.


1 comentário:

  1. Não te intrometes nem tens que pedir desculpa, Luís! Nunca! Aquele abraço.

    Obrigado. Já lá vou.

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