Os professores são muitos (57% da administração central), ficam mais à mão em termos financeiros e ponto final; o resto é ruído. O Governo excluiu os professores e estes reagiram. Um Governo democrático negoceia, corrige e procura uma solução digna enquadrada na política financeira e orçamental. Os professores (99 mil do quadro contra 145 mil em 2006) estão no lugar cimeiro dos cortes na administração pública. Não reivindicam 9 mil milhões de retroactivos, quantia equivalente à autorização do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira para os pagamentos antecipados ao FMI - 9.400 milhões, 60% do empréstimo - ou a quase metade da ajuda à banca. Mas isso, os mediáticos irritados silenciam. Nem sequer estudam o resultado salarial dos descongelamentos ou comparam os detalhes das carreiras. Aliás, um dos mais benevolentes insinuou, no decadente eixo-do-mal, que os professores deviam ter rejeitado, veja-se bem, os cortes a eito e apagou o momento mais difícil que ocorreu em Junho de 2013.
Quando se percebeu a exclusão dos professores, surgiram novos geringonceiros dos sítios mais improváveis. Regressaram à base com o andar da carruagem. O livro "On bullshit" ("Conversa da treta", na tradução), do filósofo americano Harry Frankfurt, explica o fenómeno irritadiço. O bullshit é mais ameaçador para a verdade do que a mentira e é objecto de uma estranha tolerância. Aumentou muito porque se exige opinião sobre tudo, mesmo sobre o que não se sabe. O mundo dos media constitui um inigualável caldo de cultura bullshit. A coisa está tão no fundo, que num debate na televisão pública - com o nome sintomático, "O último apaga a luz" - um interruptor (googlei a ficha técnica e tem Deus como último nome) foi taxativo: "os professores são miseráveis".
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sem referência ao autor
Tudo o que envolva valorização financeira dos profs, usam a sujidade toda para justificar não a usar. Por isso, se os profs se baldarem, desde que não falem em dinheiro, está tudo nice...
ResponderEliminarComo são muitos, gasta muito, e não sobra para distribuir pelos 'adesivados' que enriquecem encostados ao orçamento...
Deixá-los ladrar...desde que a caravana passe...
o problema é se o ladrar pára a caravana...
(Nesse debate até Raquel Varela disse uma asneira: que o Cavaco tinha permitido a simplificação nos cursos de formação de profs. É errado pois foi nessa época que surgiram os cursos de especialização para profs, chamados 'via ensino', sendo licenciaturas apenas direcionadas para formar profs nas várias áreas cientificas - hoje equivalentes a mestrado).
Nem mais. Há muito desconhecimento da história; para além dos outros desconhecimentos.
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