Estamos no 4.0: da indústria à política e passando pela Europa, com o sublinhado nas pessoas e "no que significa ser humano" ("A Quarta Revolução Industrial" de Klaus Schwab). Apesar da escala global e da complexidade inédita, há um conjunto controlável de mudanças.
E o que é preciso mudar, por cá, na educação 4.0? Encontrar questões chave. A OCDE "agendou" a queda do modelo de acesso ao ensino superior. Entre outras conclusões, os nossos jovens são os campeões da ansiedade: "sempre acima da média. Quando começam a estudar, ou vão fazer um teste, ou em muitas outras situações." Há uma legião de medicados para a concentração (um eufemismo), outra de viciados em jogos de computador (são horas a esquecer o mundo) e ainda outra com dificuldades relacionais (os desportos de grupo, por exemplo, "desapareceram" na idade 14-18; sobrevive o ubíquo futebol). Se todas as idades são belas e inesquecíveis, a dos 14-18 ficará marcada pela substituição de amigos por rivais e pela falta de tempo para ter tempo. É uma tristeza, um imperativo de saúde pública e um processo que se arrasta às idades inferiores. É por causa destas consequências, e de um rol de injustiças comprovadas, que defendo há muito alterações no sacrossanto acesso ao superior, como defendi o fim de provas nacionais anuais (finais ou intermédias) nos mais pequenos, a par de toda a parafernália de procedimentos que publicitam e hierarquizam as classificações das crianças e sobrecarregam a competição. E nada disto se relaciona com rigor na avaliação ou exigência. Talvez, e aí confesso algum arcaísmo, coloque em lugar cimeiro a confiança nos professores.
Nota: o esgotamento, e a desorientação, do modelo de acesso fica patente na argumentação (prós e contras) à volta da nota de Educação Física.

De acordo.
ResponderEliminarTive uma aluna no secundário. Era sobre dotada. Empenhava-se muito. Mas, mais do que isto, rebelava-se contra tanto trabalho, testes e exames e mais isto e mais aquilo e mais os fins de semana a estudar.
Disse-me uma vez: " Sou adolescente. Adoro os meus amigos, adoro conhecer pessoas, tenho hobbies e muitas coisas mais que gosto de fazer, uma delas é o voluntariado. Deixem-me viver!"
E começou a viver mais esta ideia. Creio que as notas baixaram bastante- dos 19 e 20s cá para baixo. Creio que ingressou em Psicologia. Podia ter escolhido dezenas de outros cursos mais sonantes, incluindo Medicina.
Creio que dará uma óptima psicóloga.
Enfim. Às tantas, emigrou. Pelo que percebo, os serviços de saúde necessitam do reforço de psicólogos. A sério.
ResponderEliminar