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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Do Caso Finlandês e Das Mudanças Escolares

O modelo escolar finlandês reentrou na agenda por causa da generalização da flexibilização curricular. É importante comparar, mas é fundamental que cada sistema tenha o seu caminho. A Finlândia tem um século de independência e "mandatou" os professores, nomeadamente os do primeiro ciclo, para a construção da identidade nacional. Ou seja, confiam, mas confiam mesmo, nos professores e desconhecem a lógica do "cliente escolar". Não há avaliação do desempenho, a carreira é aliciante, não existe serviço de inspecção e só existem exames nacionais no 12º ano. A Finlândia começou a ser muito mediatizada por causa dos resultados internacionais e com um ensino clássico centrado no professor. Só em 2012 é que começaram a estudar a flexibilização curricular e apenas em 2016 deram os primeiros passos. E porquê institucionalizar a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais e do pouco entusiasmo dos alunos com as aulas (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). O processo tem seis anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e registava em 2016 o pessimismo de 34% dos professores; 21% registavam benefícios. A opinião dos professores conta. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, desburocratizada e autónoma e que percebeu que o imobilismo será uma irresponsabilidade perante a quarta revolução industrial em curso acelerado. Mesmo que o exercício de professor não conste explicitamente das tabelas (Klaus Schwab (2017:39), "A Quarta Revolução Industrial") das profissões mais ou menos propensas à automatização, existem alunos com futuros profissionais.


1ª publicação deste post em 23 de Abril de 2018


 


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terça-feira, 12 de abril de 2022

Heurística em 3d

A heurística, como arte de inventar ou descobrir, pode também manifestar-se em desenhos a três dimensões ou em gráficos com linhas ou barras.


A figura que se vê a seguir, e o problema colocado, recorda-me as manipulações de vária ordem dos ideólogos do Estado mínimo. O seu discurso anti-professor e anti-funcionário público em geral não sofre oscilações por mais que se comprovem as inverdades nos números ou nos factos, como foi o caso recente do relatório FMI ou das atoardas do primeiro-ministro e de quem o influencia ou guia directamente.



Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


É mesmo assim. Nem com régua os defensores do Estado mínimo lá vão. A despesa com professores será sempre exagerada e nunca se comoverão com a brutalidade dos cortes já efectuados. Mesmo os que dizem que na Educação já se chegou ao limte mínimo, omitirão essa fatalidade e repetirão o chavão da atracção dos "melhores".


Outra forma heurística muito em voga é a demonstração por gráficos. A escolha das escalas, mais ainda no eixo do y, digamos assim, provoca um efeito parecido ao demonstrado por Daniel Kahneman.


Vejamos dois gráficos com os mesmos números de alunos matriculados no 1º anos de escolaridade. A diferença está na escala usada no eixo do y e o resultado permite as mais variadas leituras. Repare-se que quem fez o primeiro gráfico é um blogger comprovadamente comprometido com a causa da escola pública.


 


Este gráfico foi inserido neste post.


 


Este gráfico é de um leitor do blogue a quem agradeço a colaboração.


1ª publicação deste post em 19 de Maio de 2013. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Comentei pelo Facebook Sobre as Avaliações Externas com Crianças

Ideias soltas para uma espécie de arquivo.


Se "Singapura, Taipé-Chinês, Coreia, Japão e Hong Kong foram os que obtiveram melhores resultados nos testes TIMSS, sendo que Singapura lidera todos os rankings", e se considerarmos a influência das tais "Mães-Tigre" no treino intensivo das crianças top-perfomers (até criticado pelo actual ME de Singapura), temos que considerar que mais treino intensivo em aritmética garantirá melhores resultados, e não piores, neste domínio parcelar. Por outro lado, qualquer precipitação na aplicação de uma flexibilidade curricular pouco sustentada poderá provocar algum laxismo. Contudo, no nosso universo do primeiro ciclo será um fenómeno muito, mas muito, parcelar. Discutir neste modo passa-culpas na comunicação social é confrangedor e revelador do excesso ideológico que campeia no nosso sistema e que revela a sua fragilidade; e de pouca importância efectiva para os governos. É um sector de terceira linha.


Obviamente. Nem se percebe o contrário sobre o treino das crainças em matemática, a não ser quando se contraria os excessos.


Aliás, é muito interessante esta notícia sobre Singapura https://correntes.blogs.sapo.pt/aprender-nao-e-uma-competicao-2778522 .


Singapura tem sérios problemas com os adolescentes por causa das "Mães-Tigre" e dos seus treinos intensivos às crianças. E ninguém no mundo ocidental quer isso para as suas crianças: e fazem muito bem. Há mais vida para além dos Timms e dos Pisas. Aliás, o burnout começa cada vez mais cedo se as crianças e jovens forem treinadas obsessivamente (é também isso que Singapura tenta contrariar). (já agora, o contrário de treino não é interdisciplinaridade; esses antagonismos são do domínio do radicalismo).


Tenho ideia que nesse domínio está quase tudo por estudar. É assustador, ou talvez não, pensar que com a IA consegue-se o que há muito a pedagogia aspira: ensino individualizado e avaliação contínua rigorosa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Triste Debate

O Expresso repete uma imagem (de José Caria) de uma notícia de 29 de Abril de 2017 para ilustrar mais um episódio do triste debate de passa-culpas na avaliação externa de alunos do 4º ano num país com 2 milhões de pobres (500 mil crianças). O estudo, entre conclusões interessantes e óbvias, salienta: "A diferença de desempenho entre os alunos com mais recursos em casa, tanto em Portugal como na média internacional, ronda e chega a superar os 100 pontos face a quem tem poucos meios de apoio no contexto familiar."
Na imagem, Passos Coelho pede um basta a Nuno Crato. Talvez também o faça hoje. António Costa devia exigir o mesmo aos seus que participam no rol de tristezas. Nos países civilizados estes debates são técnicos e os excessos ideológicos são impossíveis. Em Abril de 2017 escrevi assim a propósito da imagem e da notícia: "Nuno Crato provou que é dado a epifanias e entra num fenomenal mês mariano (visita do Papa) com revelações que indiciam outro fenómeno preocupante tembém muito estudado. O grego classifica-o como παραληρητικές μυαλό, o chinês tradicional como 妄想心態, o latim como delusional mentis, o inglês como delírios mind e o português como mente delirante. Até Passos Coelho parece implorar para que pare com o "Passos Coelho é um herói nacional".


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"Avaliação internacional. Alunos do 4.º ano estão piores a Matemática do que em 2015 - Governo culpa reformas do tempo de Passos Coelho"

E o óbvio repete-se:



"A diferença de desempenho entre os alunos com mais recursos em casa, tanto em Portugal como na média internacional, ronda e chega a superar os 100 pontos face a quem tem poucos meios de apoio no contexto familiar."


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

É Professor e tem mais de 55 anos?

 


Se reúne esses requisitos, está em condições de pré-reforma. Falta conhecer os critérios. Percebe-se o pessimismo, apesar do Governo reconhecer que tem que começar pelos professores. Mas os professores acima dos 55 esperam a reforma, porque uma pré-reforma só terá viabilidade se for decente e não muito distante materialmente da reforma sem penalizações. E pensando nos países mais próximos, os seus colegas espanhóis reformam-se na totalidade com 60 anos de idade e 35 de serviço e os franceses têm programas ainda mais favoráveis. Veremos os desenvolvimentos.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Funil

 


Os desenhos das três pessoas têm o mesmo tamanho? Meça. Concluirá que têm. A distorção é provocada pelo funil e obriga a pensar.


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Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".
Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


 

sábado, 15 de dezembro de 2018

Da memória e da falta de professores

 


 


Já lá estamos. Se ler o que se segue, identificará o sítio onde nos apressamos a chegar.


 


Em 27 de Fevereiro de 2018 escrevi assim:


 



A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal(...). Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como em França ou Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa.


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

alunos e estudos comparados

 


 


 


É óbvio o interesse na auscultação dos alunos sobre políticas educativas. Mas surpreendem-me os que argumentam a favor de experiências suportadas na opinião de crianças do pré-escolar, dos primeiros anos do primeiro ciclo ou até com mais idade. Para além de tudo, essas opiniões não têm termo de comparação. E não me estou a referir a graus de satisfação. Isso é outro domínio.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Os professores, sempre os professores

 


 


 


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O Público destaca que os "Professores ganham mais 35% do que média dos trabalhadores qualificados. Os salários dos docentes portugueses estão abaixo dos colegas estrangeiros, mas acima dos outros trabalhadores nacionais com cursos superiores.", com base no relatório Education at a Glance da OCDE. O "eterno" arremesso ao professor não tem emenda. Há 115 índices remuneratórios na administração pública. O topo dos professores está no 57º lugar. Há 58 índices remuneratórios acima dos professores (os do topo recebem quase o dobro dos professores), mas só os professores é que interessam à estratégia comunicacional que enche os órgãos de comunicação social. Dá vontade de perguntar assim: esses 58 índices acima não exigem curso superior? Os "jornalistas" não repararam que as carreiras que ganham menos 35% não exigem formação superior apesar de muitos desses profissionais terem essa formação (e não estou a dizer que é justo; aliás, foram as agências de comunicação que destacaram o argumento da formação; se olharem para a tabela mais abaixo com um sublinhado a vermelho para o topo dos professores, verão que o topo recebe mais ou menos 120% do que a média)? Enfim. Cansa este mais do mesmo e agora até se torna mais enjoativo com o silêncio da totalidade do parlamento.


O Expresso, por exemplo, salienta que os "Professores representam 25% da despesa prevista com progressões para 2019" e são "uma classe profissional a envelhecer, com salários relativos altos". Ou seja, se os professores são cerca de 47% da administração central, há 53% dessas pessoas (não professores, portanto) que representam 75% dos descongelamentos. Em que é que ficamos?


 


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quinta-feira, 21 de junho de 2018

"Os factos de Alexandra Leitão estão baseados em cálculos errados"

 


 


 


Recebi o texto que se segue por email devidamente identicado.


 



"Os factos da SE estão baseados em cálculos errados.


 


O que a SE está a fazer é misturar minutos com segundos. Ou euros com cêntimos.


As contas da SE estão erradas.(...)Imaginemos duas carreira, ambas correspondendo a técnicos superiores da administração pública. Uma tem 10 escalões de 4 anos e outra tem 4 escalões de 10 anos. Ambas perfazem um total de 40 anos.


E a média salarial mensal, ao longo desses 40 anos, até pode ser a mesma.


Agora usemos a mesma lógica da SE, mas para fazer outro cálculo.


Se for contado aos professores 2 anos, 9 meses e 18 dias, perdem 6 anos, 6 meses e 15 dias. Perdem o equivalente a 100% de 1 escalão e 62,5% de outro.


Então, pela justiça e equidade da SE todos devem perder o mesmo. Quem tem escalões de 10 anos deve perder 100% de um escalão e 62,5% de outro. Deve perder 16,25 anos de progressão.


É essa perda que fará os restantes técnicos superiores da administração pública perceberem o que querem tirar aos professores.


 


Rui Araújo"


segunda-feira, 18 de junho de 2018

os professores e a avaliação do desempenho

 


 


 


Dizia-me alguém bem informado sobre avaliação do desempenho (mais ou menos assim, claro):



"Era interessante uma discussão pública sobre a avaliação nas diversas carreiras (privado também). Ainda concluíamos que, e considerando a natureza das profissionalidades, que a avaliação do desempenho dos professores é das mais exigentes".


segunda-feira, 23 de abril de 2018

das mudanças escolares e do modelo finlandês

 


 


 


O modelo escolar finlandês reentrou na agenda por causa da generalização da flexibilização curricular. É importante comparar, mas é fundamental que cada sistema tenha o seu caminho. A Finlândia tem um século de independência e "mandatou" os professores, nomeadamente os do primeiro ciclo, para a construção da identidade nacional. Ou seja, confiam, mas confiam mesmo, nos professores e desconhecem a lógica do "cliente escolar". Não há avaliação do desempenho, a carreira é aliciante, não existe serviço de inspecção e só existem exames nacionais no 12º ano. A Finlândia começou a ser muito mediatizada por causa dos resultados internacionais e com um ensino clássico centrado no professor. Só em 2012 é que começaram a estudar a flexibilização curricular e apenas em 2016 deram os primeiros passos. E porquê institucionalizar a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais e do pouco entusiasmo dos alunos com as aulas (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). O processo tem seis anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e registava em 2016 o pessimismo de 34% dos professores; 21% registavam benefícios. A opinião dos professores conta. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, desburocratizada e autónoma e que percebeu que o imobilismo será uma irresponsabilidade perante a quarta revolução industrial em curso acelerado. Mesmo que o exercício de professor não conste explicitamente das tabelas (Klaus Schwab (2017:39), "A Quarta Revolução Industrial") das profissões mais ou menos propensas à automatização, existem alunos com futuros profissionais.


 


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segunda-feira, 5 de março de 2018

"acordar antes das 10h da manhã é equivalente a tortura"

 


 


 


Não sei se será equivalente a tortura, mas há todo um caminho a percorrer nos horários (escolares também). Aquela ideia do treino militar de acordar na alvorada, "produzir" até às dez e ficar à espera de um lauto, e bem regado, almoço que finaliza a jornada laboral, será aceitável para o próprio mas nunca recomendável como regra exemplar; e muito menos imposta. São já inúmeros os estudos a fundamentar a sensatez e a sublinhar que o pico laboral pode ocorrer nos períodos da tarde ou noite.


 



"Um estudo britânico, publicado no Nuffield Department of Clinical Neurosciences, sugere que forçar alguém a acordar antes das 10h da manhã, é extremamente prejudicial para o metabolismo corporal e equivale a tortura.


De acordo com Paul Kelley, da Universidade de Oxford, forçar alguém a trabalhar e estudar antes das 10 horas da manhã, afecta fisicamente e emocionalmente o desempenho do corpo, podendo causar stress e exaustão.


Antes dos 55 anos de idade, o ritmo circadiano dos humanos é iniciado a partir das 10 horas da manhã.


O estudo indica que as crianças não são favorecidas na aprendizagem se acordarem antes das 8h30, podendo aumentar os resultados com um horário mais adequado ao relógio biológico.(...)"


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Europa com falta de professores

 


 


 


 



A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal e no regresso dos professores titulares. Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como em França ou Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Os nossos jovens são os campeões da ansiedade na OCDE

 


 


 


Estamos no 4.0: da indústria à política e passando pela Europa, com o sublinhado nas pessoas e "no que significa ser humano" ("A Quarta Revolução Industrial" de Klaus Schwab). Apesar da escala global e da complexidade inédita, há um conjunto controlável de mudanças.


E o que é preciso mudar, por cá, na educação 4.0? Encontrar questões chave. A OCDE "agendou" a queda do modelo de acesso ao ensino superior. Entre outras conclusões, os nossos jovens são os campeões da ansiedade: "sempre acima da média. Quando começam a estudar, ou vão fazer um teste, ou em muitas outras situações.Há uma legião de medicados para a concentração (um eufemismo), outra de viciados em jogos de computador (são horas a esquecer o mundo) e ainda outra com dificuldades relacionais (os desportos de grupo, por exemplo, "desapareceram" na idade 14-18; sobrevive o ubíquo futebol). Se todas as idades são belas e inesquecíveis, a dos 14-18 ficará marcada pela substituição de amigos por rivais e pela falta de tempo para ter tempo. É uma tristeza, um imperativo de saúde pública e um processo que se arrasta às idades inferiores. É por causa destas consequências, e de um rol de injustiças comprovadas, que defendo há muito alterações no sacrossanto acesso ao superior, como defendi o fim de provas nacionais anuais (finais ou intermédias) nos mais pequenos, a par de toda a parafernália de procedimentos que publicitam e hierarquizam as classificações das crianças e sobrecarregam a competição. E nada disto se relaciona com rigor na avaliação ou exigência. Talvez, e aí confesso algum arcaísmo, coloque em lugar cimeiro a confiança nos professores.


 


Nota: o esgotamento, e a desorientação, do modelo de acesso fica patente na argumentação (prós e contras) à volta da nota de Educação Física.


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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

"a culpa é dos currículos ou dos professores?", pergunta o Público

 


 


 


 


Ainda recentemente, dirigentes partidários e sindicais usaram os bons resultados internacionais dos alunos para defenderem as causas dos professores. E agora? Como é que fazem nos maus resultados? Os professores não precisam de entrar no argumentário demagógico que descredibiliza a política. Conhecem muito bem as percentagens comprovadas do sucesso escolar - não vou repetir em detalhe -: 60% para a sociedade (por defeito, para não eliminar o contraditório), 30% para a organização escolar e 10% para os insubstituíveis professores que, como repete o estudo, são amplamente reconhecidos por alunos e familiares. Para a defesa fundamentada das causas, basta a sala de aula no período abrangido: mais alunos por turma, mais turmas por professor em horários ao minuto recheados de inutilidades, congelamento das carreiras (facto exclusivo que os media se apressaram a falsificar e inverter), programas indecentes de aposentações, modelo "impensado" de gestão das escolas, hiperburocracia, atenuação do descontrole parental e do flagelo da desnutrição, tudo fazer na tal décima do sacrossanto acesso ao superior, substituição de assistentes sociais, psicólogos, médicos e electricistas de redes de computadores. Quando os dirigentes usam os resultados dos alunos para se justificarem ou promoverem, o que é que esperam da mediatização?


 



Nota para dois factos do período de escolaridade abrangido (2011-2016): aumento da pobreza e opções de Nuno Crato. 



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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Da queda nos testes internacionais

 


 


 


O Público informa que a "avaliação internacional mostra que alunos do 4.º ano estão pior na leitura. Entre 2011 e 2016, a média dos alunos portugueses desceu 13 pontos na avaliação da literacia em leitura feita pelo PIRLS. É a segunda maior queda em 50 países analisados. Metas e mudanças na avaliação poderão ter influenciado o desempenho dos estudantes."


Há nesta conclusão uma responsabilização das obsessões cratianas. Os retrocessos civilizacionais (medir as palavras lidas por minuto, por exemplo) fundamentados nas epifanias de Nuno Crato, provocaram afunilamentos curriculares que originaram o que escrevi há dias: para um aluno do 3º ano para cima, é tão óbvio ter explicações como ir à escola.


É precipitado concluir nestas matérias. Há, contudo, uma explicação que não me canso de repetir:



A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades, na mesma sociedade e organização, com 100 professores diferentes, os resultados oscilariam muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É também por isso que é um logro que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que tudo se resolve mudando o conteúdo físico dos 30%. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% não há ensino.


 


 



Nota: no período 2011 a 2016 houve, objectivamente, muito menos sociedade.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

dos topos das carreiras e das mistificações

 


 


 


 


Por que é que foi criado um escalão no topo da carreira dos professores (onde ainda ninguém está)? Porque era embaraçoso manter os professores tão longe dos topos de uma boa parte das carreiras da administração pública; e os governos sabem bem disso. E é sempre a mesma coisa: os professores são muitos e ponto final. É evidente que há toda uma inteligência política mediatizada que tenta manter o estado das coisas com duas intenções e uma justificação: não falar dos baixos salários dos professores (e dos funcionários públicos dos índices remuneratórios inferiores), manter os privados num nível salarial que envergonha e porque os professores são muitos. 


Ora veja as tabelas apresentadas no link que se segue:


 



Topos de Carreira