
"Até um instrumento científico válido depende da cabeça que o utiliza", é uma ideia antiga que devia acompanhar o professor, que ouvi no sábado, na TSF, por volta das 16h00, que dirige uma escola em Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP). Disse que tem visitado muitas escolas e que "há, como nunca existiu na escola portuguesa, uma onda de energia e entusiasmo". São estas tiradas que condenam ao insucesso qualquer ideia que necessite da mobilização dos intervenientes.
Disse mais sobre o tema central do debate: a passagem de três períodos para dois semestres na avaliação dos alunos. Defendeu dois semestres de avaliação em escala numérica, intercalados por duas avaliações qualitativas descritivas (os descritivos já existiram nos anos 80 e 90 do século passado; a história da docimologia reconhece esses momentos como copy-paste descritivos inúteis que infernizavam com mais burocracia a docência e que foram justamente eliminados; nem por acaso, ouvi, noutro espaço, outro defensor da mesma onda declarar, sem sequer vislumbrar o absurdo e o faz de conta: "a avaliação, formativa e sumativa, deve ser acompanhada por um texto descritivo personalizado. Com o excel automatizam-se as grelhas e o descritivo corresponde, automaticamente, à inserção de um dado numérico; ou seja, todos os alunos que têm 3 ou 10, por exemplo, têm o mesmo descritivo".
E mais: pelo que ouvi na rádio, estas "inovações" param se encarregados de educação ou autarcas discordarem. Fiquei perplexo com esta inversão de papéis, e de responsabilidades, que encerra uma demagogia que institucionaliza, e institucionalizou, a nefasta desconfiança nos professores. E depois, os legisladores "admiram-se" com o aumento da burocracia, da digital também, e das reuniões com agenda repetida até à exaustão, que é, essa sim, uma onda que submerge qualquer ideia interessante como devia ser um Projecto Piloto de Inovação Pedagógica como instrumento científico moderno, sensato, civilizado, antecipador e emancipador.
Encontrei a imagem na internet numa rubrica "sonhar com ondas".
Exacto!
ResponderEliminarSubscrevo totalmente e estou, cada vez mais, com medo desta escalada/"onda" que é uma reencarnação/ressurreição de um passado que se desejava reduzido a cinzas. Agora parece novamente legitimado por um grupo de iluminados, que se julgam senadores, pouco ou nada entendidos na realidade educativa. Ou então, são meros cumpridores do que o(s) poder(es) lhes encomendam.
Esta parte ainda não consegui entender: serão estes iluminados que influenciam/envenenam o poder, ou vice-versa?
É capaz de ser recíproco...
Enfim. Parece que caminhamos em círculo.
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarMuito bom. Vou usar um dia destes. Obrigado.
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