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domingo, 9 de julho de 2023

Universo Escolar e Plataformas Digitais

Não é surpreendente que se apontem as "empresas externas" (o outsourcing e as plataformas digitais) como uma das componentes mais desfavoráveis nas organizações modernas. A opção facilitou o aumento da escala, mas desprezou a gestão de proximidade como valor precioso e inalienável. A "gestão do exterior" satisfez os investidores porque permitiu a subida dos lucros com a redução de profissionais. Essa supressão cerebral (na maioria dos casos, e incluindo o escolar, sem qualquer relação com a 4ª indústria ou com a robotização) deslocou para o exterior a definição da informação a obter.


As instituições deixaram de agir livremente sobre os sistemas de informação e perdeu-se a ideia de cooperação em que "todos" ajudavam na programação do software. E foi também uma dupla perda: se antes o poder era exercido por quem decidia sobre o financeiro, a partir daí surgiu um pólo paralelo: a informação. A "gestão do exterior" apoderou-se dos dois domínios e pode sempre argumentar: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar".


A dependência externa generalizou-se. Como disse Niklas Luhman, o homem perdeu "a posição de centralidade no organismo social e foi remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Tornou-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes" (com mais visibilidade, no caso escolar, para professores e restantes profissionais, mas com consequências para os alunos).


Já usei parte desta argumentação noutros textos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Do Inferno da (Híper) Burocracia; Também a Digital

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Recolhi a imagem neste post do Paulo Guinote.


A questão de mais ou menos insanidades burocráticas não passa pelo organização das escolas em trimestres ou semestres. Quando uma plataforma digital integra a ideia de avaliação intercalar sem sequer criar um layout que relacione e inclua o campo com o nome dos alunos, está tudo dito sobre o desconhecimento informacional de programadores e decisores; para além da falta de respeito por quem lança os dados.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

As Escolas e as Plataformas Digitais São Como as Guitarras (2)

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Não me digas a marca da tua guitarra, diz-me antes o que fazes com ela.


Não me digas quais as plataformas digitais que a tua escola escolheu, diz-me antes o que fazem com elas.


O desenho na imagem, "Still life with guitar", é de Pablo Picasso.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

As "salas de aula do futuro" e o Digital

Duas palavras entraram na moda: disruptor (rompe com o que está) e pós-verdade ("os factos objectivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos emocionais e as crenças pessoais"). Se fosse um pessimista, diria que estamos enclausurados numa sociedade (septuagenária e erguida nas ruínas da II guerra) em queda sem fim e que esperneamos porque não podemos partir de imediato para outro planeta.


Mas como o post é sobre a escola, e como sou optimista, façamos a disrupção a pensar na escola-indústria considerando as "salas de aula do futuro" uma pós-verdade. Desde que há escola que se tenta escapar ao ensino tradicional. Foi assim, por exemplo, "a seguir à II guerra" com Freinet, Montessori e Summerhill e, já com o digital, com as plataformas Moodle que se tornaram processos descontrolados quando aplicados em crianças e mais ainda em turmas numerosas. São também intemporais os comportamentos. Os modistas acusam os tradicionalistas de acomodados e os segundos reivindicam o fim da história. É difícil mudar a escola-indústria, mais ainda em sistemas centralizados por controle burocrático. É aí que o digital pode ajudar a ideia de "sala de aula do futuro". Não há organização que ensine em ambiente digital se não viver numa atmosfera correspondente. O clima organizacional tem de assentar na confiança e a simplificação de procedimentos, e tem de eliminar o lançamento de informação inútil, repetida ou redundante. No caso português, está quase tudo por fazer.


Este post é de 27 de Novembro de 2016.


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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

As Escolas e as Plataformas Digitais São Como as Guitarras

Captura de ecrã 2021-10-24, às 21.13.17.png


Não me digas a marca da tua guitarra, diz-me antes o que fazes com ela.


Não me digas quais as plataformas digitais que a tua escola escolheu, diz-me antes o que fazem com elas.


O desenho na imagem, "Still life with guitar", é de Pablo Picasso.


 

domingo, 24 de maio de 2020

Nem no Ensino por Internet e em Plena Pandemia

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O elogiado ensino finlandês consolidou há muito características determinantes que incluem a não avaliação do desempenho dos professores e a inexistência de serviços de inspecção escolar (mas existem, obviamente, os órgãos da justiça). A pandemia proporcionou-lhes um desafio formativo no ensino por internet. No resto da Europa não é tanto assim nos mecanismos de controlo, mas o que se passa em Portugal está muito distante e nem a crise serviu para qualquer avanço civilizacional que permita uma escola mais humanizada.


E não é apenas por causa do efeito sistémico do injusto acesso ao superior. Os especialistas em direito reconhecem que em Portugal se legisla mal e em excesso e, para além disso, o país tem mais de 20 anos de insucessos na organização de um sistema decente de gestão da informação escolar. A conjugação das duas insuficiências estimula um clima desregulado e de fingimento que tanto permite boas inovações como ilegalidades raramente penalizadas. Aliás, ainda no regresso à escola presencial tanto foi noticiado, com merecido elogio, o agrupamento que contornou o protocolo (pasme-se mas com um sorriso) como apareceu o ministro a prometer disciplinar a inflação de notas que é um produto antigo de um acesso ao superior que quase todos dizem querer mudar e que o próprio promete repensar; enfim. E é este ambiente de excessos, imprecisões, inacções, impreparações, desconfianças e irregularidades que cansa professores e alunos (os segundos cada vez gostam menos da escola, como se observou em estudos recentes).


E se a qualidade dos sistemas se regista nos detalhes, é a sua soma que faz a diferença. Por exemplo, os professores rapidamente se viram rodeados por excessos no processo digital. E não foi apenas por causa da "impossibilidade" da escola através da máquina. Como se recordam, os fantásticos professores passaram a leccionar, com os seus meios e de um dia para o outro, nas plataformas da google, microsoft, zoom, cisco webex, whatsapp, facebook ou moodle onde ficam os meta-dados com a devida notificação (por exemplo, presenças, com dia e hora, de alunos e professores) e se alojam conteúdos, tarefas, actividades e conexões digitais. Mas para o legislador é insuficiente. Como as escolas financiam plataformas digitais de empresas privadas, por causa do referido insucesso do Estado, para todos estes registos no tempo normal, os professores repetem o lançamento da informação para preencherem horários que deixaram de existir. Mas para o legislador ainda é insuficiente. As orientações centrais ainda prevêem a obtenção das informações de um modo que resulta em ficheiros digitais (em regra, em word ou excel e nas já célebres e infernais grelhas) com uma periodicidade que pode (o deve fica sempre nas entrelinhas) ser diária, semanal, quinzenal, mensal, trimestral, semestral ou anual. É o tal estímulo às ideias de fingimento e contorno do protocolo.


Em regra, apontam-se duas razões (aconselho a leitura do "Temos que parar para pensar" de António Galopim de Carvalho) para este universo estranhamente pouco estudado: impreparação na análise e programação de sistemas de informação e o "modo como há muito se preenchem os lugares no parlamento, nos gabinetes ministeriais e na máquina escolar". Parecem-me conclusões razoáveis (digo razoáveis porque não são exclusivas de Portugal; embora por cá se exagere, realmente), mas com elevado grau de acerto. De qualquer modo, é uma letargia que nem o ensino por internet, e em plena pandemia, inquietou verdadeiramente. E isso cria apreensão com a logística da anunciada "blended learning" (presencial e internet), ou dos seus derivados na sociedade das conexões, num futuro próximo que radiografará os países.


Duas pequenas notas:


1. O Público entrevistou Ruth Wagen, doutorada em comportamento organizacional pela Universidade de Harvard, que diz: “Em teletrabalho, não ceda à tentação de monitorizar as pessoas, de as pressionar ainda mais”.


2. A pandemia teve uma utilidade: caiu por terra a ideia da substituição de professores por máquinas.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Grelhados de Natal

 


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As grelhas são um modo de vida no tratamento da informação escolar que se intensifica nos finais de período. 


Repitamos:



Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais.



1ª versão publicada em 4 de Novembro de 2018.


Os estudos mais diversos repetem a conclusão: "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas, e estranhamente, não há um relatório dos serviços centrais (direcções-gerais e avaliadores externos) do ministério da educação que o detecte e nem sequer os governantes o identificam; bem pelo contrário. São, aliás, dois híperes (a hiperburocracia e o emergente hiperagrupamento de escolas) com uma bactéria comum.


Recorde-se que escolas e agrupamentos pagam licenças a empresas para a gestão de diversas áreas onde se incluem os dados dos alunos. Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais. Como não o faz, as escolas e agrupamentos entram, como mais ou menos "criatividade", numa infernal circulação por email de ficheiros excel e word que origina uma doentia repetição de dados, de inutilidades e de reuniões de agenda repetida. É uma patologia que é ainda inúmeras vezes impressa. Ou seja, as ciências da educação ignoram os princípios elementares das ciências da administração e dos sistemas de informação e são posteriormente certificadas pelos registos info-excluídos dos avaliadores externos.


Por outro lado, foram esses serviços centrais que projectaram há mais de uma década a imposição de um (híper)agrupamento de escolas por concelho. Parece que estão perto de o conseguir. Sublinhe-se que o modelo que "gere" as escolas foi testado e desaconselhado já no século passado. Apesar de desenhado para uma escola, os serviços centrais impuseram-no (agrupando a eito dez, vinte ou trinta escolas das mais variadas tipologias) ampliando o fenómeno da hiperburocracia. Mas quem ler os relatórios dos avaliadores externos sobre uma amostra dos agrupamentos que existem, convence-se que tudo funciona entre a perfeição e o paraíso e mais se atreve ao aumento da escala de mega para híper; e sem alterar o modelo e com a municipalização como meta.


A sobrevivência implica olhar para os híperes com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarra" - e pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas". Cumpri os dois últimos e vou atrás dos restantes.


 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O Híper que Adoece Professores e Outros Profissionais

 



Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais.



1ª versão publicada em 4 de Novembro de 2018.


Os estudos mais diversos repetem a conclusão: "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas, e estranhamente, não há um relatório dos serviços centrais (direcções-gerais e avaliadores externos) do ministério da educação que o detecte e nem sequer os governantes o identificam; bem pelo contrário. São, aliás, dois híperes (a hiperburocracia e o emergente hiperagrupamento de escolas) com uma bactéria comum.


Recorde-se que escolas e agrupamentos pagam licenças a empresas para a gestão de diversas áreas onde se incluem os dados dos alunos. Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais. Como não o faz, as escolas e agrupamentos entram, como mais ou menos "criatividade", numa infernal circulação por email de ficheiros excel e word que origina uma doentia repetição de dados, de inutilidades e de reuniões de agenda repetida. É uma patologia que é ainda inúmeras vezes impressa. Ou seja, as ciências da educação ignoram os princípios elementares das ciências da administração e dos sistemas de informação e são posteriormente certificadas pelos registos info-excluídos dos avaliadores externos.


Por outro lado, foram esses serviços centrais que projectaram há mais de uma década a imposição de um (híper)agrupamento de escolas por concelho. Parece que estão perto de o conseguir. Sublinhe-se que o modelo que "gere" as escolas foi testado e desaconselhado já no século passado. Apesar de desenhado para uma escola, os serviços centrais impuseram-no (agrupando a eito dez, vinte ou trinta escolas das mais variadas tipologias) ampliando o fenómeno da hiperburocracia. Mas quem ler os relatórios dos avaliadores externos sobre uma amostra dos agrupamentos que existem, convence-se que tudo funciona entre a perfeição e o paraíso e mais se atreve ao aumento da escala de mega para híper; e sem alterar o modelo e com a municipalização como meta.


A sobrevivência implica olhar para os híperes com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas". Cumpri os dois últimos e vou atrás dos restantes.


 


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Obtive esta imagem do "Still life with guitar",


de Pablo Picasso,


no Albertina museum em Viena.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

"Há uma Onda de Energia e Entusiasmo nas Escolas" (2)

 


 


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"Até um instrumento científico válido depende da cabeça que o utiliza", é uma ideia antiga que devia acompanhar o professor, que ouvi no sábado, na TSF, por volta das 16h00, que dirige uma escola em Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP). Disse que tem visitado muitas escolas e que "há, como nunca existiu na escola portuguesa, uma onda de energia e entusiasmo". São estas tiradas que condenam ao insucesso qualquer ideia que necessite da mobilização dos intervenientes.


Disse mais sobre o tema central do debate: a passagem de três períodos para dois semestres na avaliação dos alunos. Defendeu dois semestres de avaliação em escala numérica, intercalados por duas avaliações qualitativas descritivas (os descritivos já existiram nos anos 80 e 90 do século passado; a história da docimologia reconhece esses momentos como copy-paste descritivos inúteis que infernizavam com mais burocracia a docência e que foram justamente eliminados; nem por acaso, ouvi, noutro espaço, outro defensor da mesma onda declarar, sem sequer vislumbrar o absurdo e o faz de conta: "a avaliação, formativa e sumativa, deve ser acompanhada por um texto descritivo personalizado. Com o excel automatizam-se as grelhas e o descritivo corresponde, automaticamente, à inserção de um dado numérico; ou seja, todos os alunos que têm 3 ou 10, por exemplo, têm o mesmo descritivo".


E mais: pelo que ouvi na rádio, estas "inovações" param se encarregados de educação ou autarcas discordarem. Fiquei perplexo com esta inversão de papéis, e de responsabilidades, que encerra uma demagogia que institucionaliza, e institucionalizou, a nefasta desconfiança nos professores. E depois, os legisladores "admiram-se" com o aumento da burocracia, da digital também, e das reuniões com agenda repetida até à exaustão, que é, essa sim, uma onda que submerge qualquer ideia interessante como devia ser um Projecto Piloto de Inovação Pedagógica como instrumento científico moderno, sensato, civilizado, antecipador e emancipador.


Encontrei a imagem na internet numa rubrica "sonhar com ondas".


 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

"Quem Quer Ser Professor?"

 


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"Quem Quer Ser Professor?" foi a pergunta do dia para o fórum da Antena 1 e relacionou-se com mais um estudo com indicadores muito negativos para a profissão de professor: "75% está em burnout ou para lá caminha e só 1% tem menos de 30 anos". A mediatização dos sucessivos Governos sobre educação, e até o registo "colectividades de instrução e recreio" (com todo o respeito por estas, obviamente) dos planos de actividades, interrogará os menos informados: mas afinal não preparamos o futuro como quase ninguém? Na minha modesta opinião, a imagem é elucidativa. Importa conhecer o que está abaixo da linha de água e além das festividades e campanhas. O facto, é que se sucedem as reformas, algumas com inscrições opostas, e a carga burocrática aumenta. Ciclicamente, lê-se: "o tempo dos professores deve ser ocupado no processo de ensino e não em burocracias, recomenda o Conselho Nacional de Educação."


Consideremos o seguinte exemplo: um avaliador externo, que classifica escolas, faz gala da sua info-exclusão, exige toda a informação impressa, verifica se a mesma informação está repetidamente inscrita em inúmeros documentos impressos (actas, relatórios e por aí fora) e tem uma aura de severidade que intimida as escolas (e faz de tal modo escola, que uma "espécie de síndrome de Estocolmo" acrescenta documentos ou as já famosas grelhas). Leu bem. É mesmo como leu. Façam-se visitas guiadas aos arquivos das escolas e, se se quiser inscrever um cúmulo, conte-se o número de plataformas digitais licenciadas ou criadas pelo ME que repetem dados lançados por professores e restantes profissionais. Ou seja: o quadro descrito seria impossível num qualquer ambiente moderno de gestão. E nem era preciso ir a Silicon Valley para se perceber a atmosfera doentia de gestão e administração do sistema escolar português. A escalada tem duas décadas de acumulação e lançou-a no limiar da implosão.


 

sábado, 18 de maio de 2019

Futuro

 


 


Passei por um conjunto de conferências viradas para o futuro da educação que decorre perto da minha localização. Quando entrei, o conferencista dizia: "a avaliação formativa e sumativa deve ser acompanhada por um texto descritivo. Com o excel automatizam-se as grelhas (o descritivo corresponde, automaticamente, à inserção de um dado numérico)". Compreendo todas as apreensões com o futuro.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

a desconfiança nos professores dois anos depois (e o que é feito do CNE?)

 


 


Ora leia este post de Junho de 2016 e compare com o que se passa:



"(...)Entre as tarefas que desviam os professores da sua “missão essencial”, figuram “a sobrecarga de reuniões e de múltiplas tarefas de natureza burocrática”, como por exemplo o preenchimento de aplicações instaladas em plataformas electrónicas, que “poderiam ser desenvolvidas por assistentes técnicos”, destaca o CNE num parecer sobre a condição docente.(...)". Digamos que a hiperburocracia está há muito identificada e que a passagem para o digital torna ainda mais ridícula a ausência de estratégia informacional. Aos sucessivos discursos governamentais com promessas de eliminação da praga, corresponde sempre mais burocracia. Conclui o CNE, que acorda tardíssimo, mas acorda, que “nos últimos anos, as condições de trabalho dos docentes nas escolas têm vindo a tornar-se mais difíceis”, o que contribui para que se registem “processos de stress e burnout [exaustão]".



Estamos, objectivamente, pior e ponto final. (e o que é feito do CNE?)


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domingo, 4 de novembro de 2018

O híper que adoece os professores

 


 


 


Os estudos mais diversos repetem a conclusão: "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas, e estranhamente, não há um relatório dos serviços centrais (direcções-gerais e avaliadores externos) do ministério da educação que o detecte e nem sequer os governantes o identificam; bem pelo contrário. São, aliás, dois híperes (a hiperburocracia e o emergente hiperagrupamento de escolas) com uma bactéria comum.


Recorde-se que escolas e agrupamentos pagam licenças a empresas para a gestão de diversas áreas onde se incluem os dados dos alunos. Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais. Como não o faz, as escolas e agrupamentos entram, como mais ou menos "criatividade", numa infernal circulação por email de ficheiros excel e word que origina uma doentia repetição de dados, de inutilidades e de reuniões de agenda repetida. É uma patologia que é ainda inúmeras vezes impressa. Ou seja, as ciências da educação ignoram os princípios elementares das ciências da administração e dos sistemas de informação e são posteriormente certificadas pelos registos info-excluídos dos avaliadores externos.


Por outro lado, foram esses serviços centrais que projectaram há mais de uma década a imposição de um (híper)agrupamento de escolas por concelho. Parece que estão perto de o conseguir. Sublinhe-se que o modelo que "gere" as escolas foi testado e desaconselhado já no século passado. Apesar de desenhado para uma escola, os serviços centrais impuseram-no (agrupando a eito dez, vinte ou trinta escolas das mais variadas tipologias) ampliando o fenómeno da hiperburocracia. Mas quem ler os relatórios dos avaliadores externos sobre uma amostra dos agrupamentos que existem, convence-se que tudo funciona entre a perfeição e o paraíso e mais se atreve ao aumento da escala de mega para híper; e sem alterar o modelo e com a municipalização como meta.


A sobrevivência implica olhar para os híperes com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas". Cumpri os dois últimos e vou atrás dos restantes.


 


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Obtive esta imagem do "Still life with guitar",


de Pablo Picasso,


no Albertina museum em Viena.


 

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A confiança nos professores e o que diz a lei

 


 


 


artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções burocráticas (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas estimulada, em grande parte, pelos serviços centrais do respectivo ministério.


 


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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

De vento em popa

 


 


 


As infernais grelhas são um modo de vida no tratamento da informação escolar. A coisa já não se intensifica apenas nos finais de período. Começa nas tais intercalares com um registo info-excluído traduzido em ficheiros excel e word. A escola actual é, realmente e em modo crescente, uma organização que adoece os professores.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

reduzir a papelada?!

 


 


 


"Governo proíbe garrafas, sacos e louça de plástico na Administração Pública. A resolução, aprovada em Conselho de Ministros, prevê ainda a redução em 25% da despesa em papel e consumíveis". Esta decisão de 18 de Outubro de 2018 não é assim tão moderna. Ou seja, do ponto de vista escolar é até do século XX. Claro que há papelada e toneladas de plástico, mas a versão digital dos procedimentos está imparável e e com o pensamento na "repartição pública de meados do século XX". Moderno, mas moderno mesmo, seria reduzir também, mas em 95%, a circulação infernal de ficheiros excel e word na gestão da informação. Para quem desconheça (confissão dos actuais governantes), as grelhas já acrescentam hiper-grelhas: as grelhas que aglutinam as grelhas. Sempre que muda o ano com uma "reforma", a hiperburocracia digital acrescenta um patamar sem eliminar delírios anteriores.


 


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Foto:  Mohamed Azakir/Reuters

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Da época das grelhas escolares

 


 


 


As grelhas são um modo de vida no tratamento da informação escolar. Mas se a coisa se intensifica nos finais de período, imagine-se nos finais de ano lectivo.