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segunda-feira, 10 de abril de 2023

O regresso da flexibilidade curricular e o tempo das aulas - post de 23.07.2018


O regresso da flexibilidade curricular e o tempo das aulas


23.07.18




 


No final do século passado, discutiu-se muito a gestão flexível dos currículos e as aulas de 90 minutos. Concluiu-se o óbvio e estabeleceu-se um consenso: as disciplinas têm necessidades horárias diferentes e os anos de escolaridade mais ainda. Há, como sempre houve, espaço para inovar e adequar o tempo das aulas às disciplinas e aos anos de escolaridade. Só vejo uma finalidade em se fazer tábua rasa (e com esta carga curricular) e regressar aos anos 1990 com aulas de 50 minutos para todas as disciplinas em todos os anos: lançar mais turmas nos horários dos professores de uma parte das disciplinas.



sexta-feira, 6 de maio de 2022

Do Caso Finlandês e Das Mudanças Escolares

O modelo escolar finlandês reentrou na agenda por causa da generalização da flexibilização curricular. É importante comparar, mas é fundamental que cada sistema tenha o seu caminho. A Finlândia tem um século de independência e "mandatou" os professores, nomeadamente os do primeiro ciclo, para a construção da identidade nacional. Ou seja, confiam, mas confiam mesmo, nos professores e desconhecem a lógica do "cliente escolar". Não há avaliação do desempenho, a carreira é aliciante, não existe serviço de inspecção e só existem exames nacionais no 12º ano. A Finlândia começou a ser muito mediatizada por causa dos resultados internacionais e com um ensino clássico centrado no professor. Só em 2012 é que começaram a estudar a flexibilização curricular e apenas em 2016 deram os primeiros passos. E porquê institucionalizar a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais e do pouco entusiasmo dos alunos com as aulas (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). O processo tem seis anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e registava em 2016 o pessimismo de 34% dos professores; 21% registavam benefícios. A opinião dos professores conta. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, desburocratizada e autónoma e que percebeu que o imobilismo será uma irresponsabilidade perante a quarta revolução industrial em curso acelerado. Mesmo que o exercício de professor não conste explicitamente das tabelas (Klaus Schwab (2017:39), "A Quarta Revolução Industrial") das profissões mais ou menos propensas à automatização, existem alunos com futuros profissionais.


1ª publicação deste post em 23 de Abril de 2018


 


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quinta-feira, 25 de junho de 2020

Escolas no Meio da Ponte

 


 


1ª edição em 23 de Setembro de 2018.


"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado que responsabilizará as instituições do ensino superior na escolha de alunos. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.


O Governo ficou-se pelo mais fácil. Legislou os eixos e não tocou no AES. Parou a meio da ponte e estacionou as escolas por lá. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 


Obtive a imagem a meio do tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto. A ribeira é encantadora, mas a imagem não traduz a sua complexidade quando se passeia com atenção pelas ruas "ouvindo" portuenses e o que resta dos moradores: "estamos como um tolo no meio da ponte".


 


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Ribeira do Porto.


 


 

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Da Interdisciplinaridade

 


É antiga a crítica à escola-industria e muito raramente as escolas escapam à normalização de horários, de currículos e por aí fora. É um assunto muito interessante, que está sempre à mercê de "cíclicos inventores da roda" e que exige muitos caracteres. Por exemplo, a ideia em curso de tentar implementar uma "interdisciplinaridade sem financiamento" é semelhante à área-escola do início da década de noventa do século XX que desaguou na área de projecto no fim dessa década para permitir sensatez e um mínimo de exequibilidade.


Recorro muitas vezes a este post (onde por ler vários remédios) que começa assim:



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se fossem novidades. Parece um percurso circular.


Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre reformas. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. 20 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo.


O remédio interdisciplinaridade diz assim:


Interdisciplinaridade.

Registo da patente: acredita-se que teve início da década de 80, mas sem registo da patente devido à provisoriedade dos diversos governos de então.

Composição: a plenitude dos saberes integrados.

Indicações terapêuticas: eliminar todos os bloqueios que impedem a comunicação entre os diversos saberes.

Contra-indicações: o seu tempo de eficácia é cirúrgico (julga-se que o medicamento é desconhecido por quem se dedica a fazer programas escolares).

Precauções especiais de utilização: quando utilizada de forma demasiado optimista pode provocar sérias indigestões aos alunos de todos os escalões etários.

Prazo de validade: resiste a várias intempéries; provoca inúmeros seminários e colóquios sobre a problemática dos prefixos, inter, trans, pluri e multi?; rapidamente pode mudar de nome e transformar-se, ainda, em algo compulsivamente quase obrigatório (área escola) ou mesmo obrigatório (área de projecto).


domingo, 15 de setembro de 2019

Exclusão Escolar

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À excepção de uma referência de António Costa à "flexibilização das escolas", que nivelou a medida pela importante redução dos preços nos "passes dos transportes públicos", a escola foi excluída do debate eleitoral: ou seja, está tudo conversado.


A "flexibilização das escolas" oxigenou o ambiente doentio, para alunos, professores e encarregados de educação, provocado pelo inferno da medição reforçado por Coelho, Portas e Crato e iniciado nos governos de Sócrates e Barroso, porque a diversificação das formas de avaliação dos alunos reduziu a ansiedade global. Para além disso, a "flexibilização das escolas" diferencia-as e exige-lhes inovação sustentada. Mas é muito cedo para avaliações definitivas, até porque nos universos comprovadamente ainda mais patológicos - hiperburocracia (também a digital), gestão e organização das escolas (agravar-se-á com esta municipalização) e estatuto dos professores e de outros profissionais - está quase tudo por fazer. Nos próximos meses haverá mais dados, até porque já se terão perdido, por efemeridade e esgotamento da indiferença dos profissionais, alguns sinais precipitados do “milagre educacional português” - como sublinha António Sampaio da Nóvoa (ver nota) - que preenchem o universo mediático escolar.


Nota: no prefácio do recente livro, "Conhecimentos versus competências", de João Costa (SE da educação) e João Couvaneiro, António Sampaio da Nóvoa escreve assim na página 12: "(...)Ao longo do século XX, fizeram-se muitas reformas de currículos, dos programas e dos métodos, mas ficaram intactos os ambientes educativos (por "ambiente" não me refiro apenas ao espaço físico, mas também à divisão do tempo, ao trabalho dos professores, à estrutura da sala de aula e a da escola, etc.)(...)" e acrescenta na página 13: "(...)Quando fiz as conferências de 2006 e de 2010, vivia-se um tempo de críticas radicais à escola e aos educadores.(...)Rapidamente se percebeu que estas críticas se destinavam, sobretudo, a instaurar uma nova ordem educativa, ortodoxa, ideologicamente marcada, que se escondia numa retórica de rigor e de exigência, de conhecimento e de ciência.(...)Hoje, quando escrevo este prefácio, vive-se um tempo de euforia, com alguma imprensa estrangeira a falar do “milagre educacional português” e de Portugal como a "estrela emergente" no quadro PISA. É preciso ter cuidado com esta visão lisonjeira da nossa escola e do nosso sistema de ensino. Nem tanto ao mar nem tanto à terra.(...)"

terça-feira, 9 de julho de 2019

"Há uma Onda de Energia e Entusiasmo nas Escolas" (3)

 


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E para encerrar as publicações à volta do "há, como nunca existiu na escola portuguesa, uma onda de energia e entusiasmo", precise-se: não me interessou, nesta pequena rubrica radiofónica, debater uma mudança da escala de avaliação para mais ou menos níveis ou até para letras ou designações qualitativas. Nesse domínio, há muito por onde escolher. Por exemplo, um procedimento bem mais interessante, e que considero emancipador, é eliminar a publicitação em pautas e documentos do género as avaliações dos alunos. A avaliação de cada aluno deve interessar apenas ao seu encarregado de educação.


Registo a preocupação de muitos com estes desenvolvimentos. E têm motivos, já que há decisões mais graves, até para a qualidade da democracia a médio prazo, do que as que referi. Ainda nesta onda curta e de difícil sintonização, ouvi defender o seguinte para as reuniões de avaliação intercalar: os representantes do alunos (crianças e jovens), e depois de ouvirem os colegas, devem avaliar cada um dos professores nesse plenário onde também marcam presença os representantes dos encarregados de educação. Seria um verdadeiro laboratório de desautorização. São decisões demagógicas (ainda piores do que as populistas) que escapam à elementar sensatez. Para além de tudo, educar crianças e jovens (alunos ou filhos) é uma relação com "outros" e não com "iguais".


Encontrei a imagem na internet numa rubrica "sonhar com ondas".

segunda-feira, 8 de julho de 2019

"Há uma Onda de Energia e Entusiasmo nas Escolas" (2)

 


 


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"Até um instrumento científico válido depende da cabeça que o utiliza", é uma ideia antiga que devia acompanhar o professor, que ouvi no sábado, na TSF, por volta das 16h00, que dirige uma escola em Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP). Disse que tem visitado muitas escolas e que "há, como nunca existiu na escola portuguesa, uma onda de energia e entusiasmo". São estas tiradas que condenam ao insucesso qualquer ideia que necessite da mobilização dos intervenientes.


Disse mais sobre o tema central do debate: a passagem de três períodos para dois semestres na avaliação dos alunos. Defendeu dois semestres de avaliação em escala numérica, intercalados por duas avaliações qualitativas descritivas (os descritivos já existiram nos anos 80 e 90 do século passado; a história da docimologia reconhece esses momentos como copy-paste descritivos inúteis que infernizavam com mais burocracia a docência e que foram justamente eliminados; nem por acaso, ouvi, noutro espaço, outro defensor da mesma onda declarar, sem sequer vislumbrar o absurdo e o faz de conta: "a avaliação, formativa e sumativa, deve ser acompanhada por um texto descritivo personalizado. Com o excel automatizam-se as grelhas e o descritivo corresponde, automaticamente, à inserção de um dado numérico; ou seja, todos os alunos que têm 3 ou 10, por exemplo, têm o mesmo descritivo".


E mais: pelo que ouvi na rádio, estas "inovações" param se encarregados de educação ou autarcas discordarem. Fiquei perplexo com esta inversão de papéis, e de responsabilidades, que encerra uma demagogia que institucionaliza, e institucionalizou, a nefasta desconfiança nos professores. E depois, os legisladores "admiram-se" com o aumento da burocracia, da digital também, e das reuniões com agenda repetida até à exaustão, que é, essa sim, uma onda que submerge qualquer ideia interessante como devia ser um Projecto Piloto de Inovação Pedagógica como instrumento científico moderno, sensato, civilizado, antecipador e emancipador.


Encontrei a imagem na internet numa rubrica "sonhar com ondas".


 

domingo, 7 de julho de 2019

"Há uma Onda de Energia e Entusiasmo nas Escolas"

 


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Encontrei a imagem na internet na rubrica "sonhar com ondas".


Ouvi, ontem na TSF, por volta das 16h00. Um professor, que dirige uma escola em Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP), disse que tem visitado muitas escolas e que "há, como nunca existiu na escola portuguesa, uma onda de energia e entusiasmo". São estes comportamentos que condenam ao insucesso qualquer ideia.


Espero publicar amanhã a continuação deste post.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

"Escolas preparam alunos para um mundo que já não existe"

 


 


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Desta vez, a "nova" veio pela voz de Rod Allen: "Escolas preparam alunos para um mundo que já não existe. Se queremos saber alguma coisa temos os telemóveis que sabem muito mais do que nós. Já não faz sentido a escola que debita informação memorizada até ao dia do exame e rapidamente esquecida para decorar outra matéria. O foco transferiu-se do “saber” para o “perceber”." O canadiano tem, desde logo, um mérito: se a 4ª industria transporta um universo de incertezas, a começar pela escola, o mundo só pode pôr os olhos nas suas certezas. A começar pelos gurus tecnológicos de Silicon Valley que desesperam, mas com conhecimento, por desconectar das tecnologias as crianças e jovens até aos 13, 14 anos. Querem que leiam em papel e que substituam o tempo tecnológico por brincadeiras que desenvolvam competências sociais, corporais e ambientais.


Sem ironia: se o contraditório é uma exigência, a corrente do canadiano contribui. E isso é relevante. Não ajuda "amar ou odiar" o que defende. Importa discutir, sem ignorar que os retrocessos civilizacionais, ou os imobilismos, levam anos a recuperar. Aliás, Portugal é um espelho desse fenómeno. A escola, que é, quase por definição, uma instituição em crise, foi exposta à desorientação que tomou conta da sociedade com a importação sucessiva de modelos.
Centremos o debate: coração do currículo, interdisciplinaridade (um desejo antigo anterior às novas tecnologias), sucesso escolar, avaliação contínua e inclusão, são, há muito, os atributos democráticos. Estabelecem o denominador comum. Não faz sentido, por exemplo, contrapor o "ler, escrever e contar" ao imperativo moderno dos saberes estruturantes das ciências, humanidades, línguas, artes ou desportos. Se se oscila nos extremos, abre-se espaço à desorientação e ao tribalismo. As sociedades só "sobrevivem" com sistemas modernos e sensatos. Antecipam-se se sintetizarem a incomunicabilidade das ciências da educação com as da gestão e administração, se não desprezarem o que disse William Golding, Nobel da literatura (1983) e professor no 1º ciclo durante 30 anos: "com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes", e se não devassarem a organização escolar nem as carreiras. Pelo contrário, têm que lhes testemunhar confiança e uma atmosfera desburocratizada, sensata e, obviamente, mobilizadora para o essencial: a sala de aula e as suas condições de realização (a finalidade da organização escolar). Portugal fez o oposto. A hiperburocracia e a desconfiança na escola e nos professores foram causa e consequência da desorientação das políticas educativas e da sucessiva regulamentação de opostos. A última década e meia foi tão instável que está, de novo, quase tudo por fazer. Não haverá, isso com toda a segurança, mundo para tanta exclusão. Mais ainda, e como disse Niklas Luhman - (2001:14) "A improbabilidade da comunicação" -, quando o homem perdeu "a posição de centralidade no organismo social e foi remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Tornou-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes" .


Imagem: desenho de Quino.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Flexibilizar

 


 


 


Flexibilizar o currículo - ou as ideias de "área-escola" e "área de projecto" -, é um desejo antigo anterior às "novas" tecnologias e relacionado com a necessidade de ir além da escola-indústria. Considerar uma interdependência essencial entre essas categorias, flexibilização e uso de tecnologias, está num nível relacional tão escusado como o que impõe excessos competitivos para elevar aprendizagens. Como se tem observado nas competições desportivas para jovens, os quadros competitivos devem ser adaptados às idades e a sobrecarga competitiva deve ser gradual. Não é por acaso que os sistemas mais consolidados não têm campeonatos nas idades mais jovens e os resultados escolares não são públicos; são apenas conhecidos pelos respectivos encarregados de educação.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

"O Fundamental é Descobrir o Fio à Meada"

 


 


 


"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.


O Governo legislou os eixos e não tocou no AES. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Da ideia de flexibilizar

 


 


Flexibilizar o currículo - ou as ideias de "área-escola" e "área de projecto" -, é um desejo antigo anterior às "novas" tecnologias e relacionado com a necessidade de ir além da escola-indústria. Considerar uma interdependência essencial entre essas categorias, flexibilização e uso de tecnologias, está num nível relacional tão escusado como o que impõe competições em catadupa para elevar aprendizagens.

domingo, 9 de setembro de 2018

localizar aprendizagens essenciais?!

 


 


 


Decorre mais uma tentativa de institucionalizar a antiga interdisciplinaridade. Não há nada de novo, nem sequer no universo vocabular. Há quase um século que a "escola" percebeu essa necessidade. Se compararmos com as recentes "reformas" anteriores - 1992 (área-escola) ou 1998 (área de projecto) - esta é menos "ousada" por receios financeiros. Esperava-se que se aprendesse com as componentes críticas anteriores: hiperburocracia, consubstanciada em inutilidades informacionais, e reuniões de agenda repetida. Mas teme-se que não. Por exemplo, as "aprendizagens essenciais" (uma competência macro que, a exemplo dos programas ou provas nacionais, tem indicadores que reduzem o grau de imprecisão e generalidade no país) não são localizáveis. São aprendizagens essenciais (e não, por exemplo, alternativas) exactamente por isso. Desde logo, um aluno pode mudar de escola sem ter de recomeçar um qualquer ciclo de escolaridade. A publicitação das "aprendizagens essenciais" é feita exclusivamente no site do Ministério da Educação e a operacionalização na gestão dos programas. A localização dos critérios e instrumentos de avaliação nem sequer pode ser muito diferenciada para as "aprendizagens essenciais". Iniciar um processo de construção de modelos de "aprendizagens essenciais" por agrupamento, escola, ano, disciplina, turma e alunos (recorrendo, em regra, às infernais grelhas e porta-folhas) é uma evidência, e uma inutilidade, a caminho da entropia informacional e um contributo essencial para o "burnout" dos profissionais. As experiências anteriores foram conclusivas: as variáveis inovadoras determinantes não se centram tanto no ensino ou nas didácticas, mas no domínio da organização e gestão e na relação com os sistemas de informação.


 


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 Nemo Science Museum. Amesterdam.


 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

O regresso da flexibilidade curricular e o tempo das aulas

 


 


 


No final do século passado, discutiu-se muito a gestão flexível dos currículos e as aulas de 90 minutos. Concluiu-se o óbvio e estabeleceu-se um consenso: as disciplinas têm necessidades horárias diferentes e os anos de escolaridade mais ainda. Há, como sempre houve, espaço para inovar e adequar o tempo das aulas às disciplinas e aos anos de escolaridade. Só vejo uma finalidade em se fazer tábua rasa (e com esta carga curricular) e regressar aos anos 1990 com aulas de 50 minutos para todas as disciplinas em todos os anos: lançar mais turmas nos horários dos professores de uma parte das disciplinas.