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(publicado em 16 de Outubro de 2020).
As orientações para a Educação Física Escolar incluem aulas sem máscara para turmas completas que chegam aos 30 alunos ou mais. Inscrevem ainda três metros de distanciamento físico e ausência de testes à covid-19. Sugira-se aos muito treinados profissionais da NBA ou do futebol que tentem uma coisa parecida e sem viverem em qualquer bolha. Seguramente que recusam liminarmente e até aconselham um internamento aos proponentes.
Mas se na Educação Física Escolar é assim, nas outras salas de aula apenas se acrescenta a máscara em espaços também apinhados. Como o distanciamento físico é naturalmente, e constantemente, contrariado, é natural que os jovens, na maioria assintomáticos com capacidade de contágio, sejam transportadores do vírus no vai e vem entre as escolas, as habitações e as tais festas familiares. Para além disso, a teoria das bolhas é uma "impossibilidade" com as escolas, e as suas envolventes, lotadas. Mas não nos admiremos que a culpa ainda será dos jovens porque não cumprem procedimentos insensatos que eliminaram qualquer ideia de gradualismo.
Que disparate
ResponderEliminarPorquê? Há exemplos, até em Portugal, em que os alunos frequentam as aulas semana sim, semana não, reduzindo para metade as presenças na escola e na sala de aula. Em caso de quarentena como já está a acontecer em inúmeras turmas, apenas metade da turma a cumpre e a outra metade tem aulas presenciais.
ResponderEliminarBoa análise!
ResponderEliminarIncongruências no Desporto Escolar
ResponderEliminarA publicação do RGPE 2020-2021 determina no seu preâmbulo, que teve em consideração a suspensão das atividades letivas e não letivas em 2019-2020 como consequência da declaração da pandemia da doença COVID19.
No presente ano letivo a DGS e a DGE publicaram as orientações para a realização em regime presencial das aulas práticas de Educação Física (EF). Este documento teve como referência as propostas para organização do ano letivo 2020/2021 elaborado pela CNAPEF e SPEF, que apresentou os requisitos necessários para a lecionação da EF, sem a desvirtuar os fundamentos da disciplina e faz referências objetivas ao Desporto Escolar.
Infelizmente a DGE valorizou os contributos da CNAPEF e da SPEF para a realização presencial das aulas práticas de EF, mas a Coordenação do Desporto Escolar não teve em consideração as propostas da CNAPEF/SPEF para o Desporto Escolar na elaboração do regulamento do Programa do Desporto Escolar 2020/2021.
Incongruência 1 – Início do processo de elaboração do Plano do Clube do Desporto Escolar (PCDE) e de inscrição de alunos termina a 8 de novembro sem definir a data de publicação do Plano de Retoma do Desporto Escolar (PRDE).
Incongruência 2 – Permissão excecional de alunos de outras escolas do Agrupamento poderem participar nas atividades do grupo-equipa (GE), mas não define o que é exceção e as implicações que poderá ter nas atividades internas.
Incongruência 3 -Todo o trabalho de preenchimento do PCDE poderá ficar sem efeito após a publicação do PRDE. Questiona-se a pressa em definir o PCDE
Incongruência 4 – O preenchimento do PCDE é generalizado a toda as modalidades que integram a oferta desportiva das escolas e não as diferencia de acordo como a orientação 036 publicada pela DGS.
Incongruência 5 – Os planos de contingência das escolas elaborados na preparação do ano letivo, foram feitos de acordo com o conceito de “bolhas” por ciclos de ensino. O RPDE não flexibiliza o número mínimo de alunos a inscrever no GE, esquecendo-se que há escalões que juntam 2 ou mais ciclos de ensino.
Incongruência 6 – O RPDE suspende a existência de protocolos entre escolas, mas deixa em aberto a possibilidade de altera após a publicação do PRDE o que impede a participação nos treinos dos alunos protocolados nos anos anteriores.
Incongruência 7- Os CFD podem abrir as suas atividades a todos os alunos independentemente da sua escola de origem, contrariando os requisitos expressos na inscrição de alunos nos GE.
Incongruência 8 – Dá-se enfâse no RPDE aos CFD através da existência de artigos específicos, mas retiraram-se os artigos específicos do Projeto DE sobre Rodas, Nível III, DE+ e DE Territórios.
Incongruência 9 – As exigências para atribuição de falta de comparência ou administrativas no RPDE 20-21, são iguais às exigências definidas no RPDE 19-20. Não há qualquer flexibilidade num período de exceção.
Incongruência 10 – Os alunos com NEE vivem em “bolhas” nas escolas e o RPDE não faz qualquer referência ou ajustamento.
Só se o disparate são as orientações para a educação física. Concordo.
ResponderEliminarMuito bom contributo.
ResponderEliminarO contágio é inevitável!
ResponderEliminarO título "Na Educação Física Escolar o contágio é inevitável" é mais uma daquelas afirmações que, desinseridas completamente da realidade, apenas pretende chamar a atenção para um artigo sobre uma realidade que se vive na escola, mas que é completamente enganadora! Para isso basta para isso olhar de uma forma global para a situação vivida diariamente pelos alunos em contexto escolar (e nem vou falar dos transportes para a escola). Em qual das seguintes situações, que acontecem todos os dias nas escola e agrupamentos escolares, estão os alunos mais próximo de um "contágio inevitável":
1. Entrada e saída dos alunos do estabelecimento escola, com os alunos a menos de 1 metro de distância e com/sem máscara.
2. Intervalos entre as aulas, com os alunos a menos de 1 metro de distância e com (alguns casos, sem) máscara.
3. Aulas teóricas na sala de aula fechada, com os alunos, em média, a 1 metro de distância, com máscara.
4. Aulas práticas na sala de aula fechada, com os alunos a menos de 1 metro de distância, com máscara.
5. Aulas de Educação Física (que só acontece 1 ou 2 vezes por semana), em espaço aberto ou pavilhão (com áreas 5 a 10 vezes maiores que as salas de aulas), com os alunos, em média, a 3 metros de distância, sem máscara.
Não tenho a mínima dúvida que o grau de contágio vai diminuindo de 1 para 5, pelo que a situação da Educação Física Escolar é obviamente aquela que, no ambiente escolar, tem menos perigo de contacto para os alunos., para além de ser a única que contribui para a saúde física dos alunos, aumentando assim as resistências ao COVID-19.
E por favor não se compare o que não é possível comparar, ou seja, Educação Física Escolar com Desporto Profissional!
É que o pensamento livre deve de ser expresso de uma forma responsável e verdadeiramente integrada, e não ir identificar uma situação isolada para um título verdadeiramente enganador!
Chamar a atenção para um artigo?! Tenho este blogue quase há 20 anos e nem sequer partilhei o post para fora do meu blogue. Não inserido na realidade? Sou professor de Educação Física e lecciono 5 turmas. Leia os posts que tenho por aqui sobre o assunto.
ResponderEliminarO último diz assim: Surpreendi-me com o regresso às aulas. Parecia-me sensato um modelo gradual para salvar vidas e proteger a saúde e a economia. Somos um país com turmas e escolas numerosas e sabe-se que uma turma de 20 contacta com 800 pessoas em 48 horas (e uma de 30 com 1200). Como detalhei noutro texto, turnos de semana sim, semana não, e intervalos descentrados, reduziriam a frequência para números civilizados: uma escola de 1000 alunos nunca teria mais de 250, os espaços fora da sala de aula registariam 15 a 60 e existiriam entradas e saídas faseadas nas escolas; é que é crucial prever o congestionamento no exterior e nos portões de acesso. É óbvio que milhares de jovens a conviver, dentro e fora da escola, contrariam qualquer teoria das bolhas e transportam (nos dois sentidos) o vírus para as famílias e para o tais festejos tradicionais; e são, quase garantidamente, assintomáticos com elevada capacidade de contágio, com a agravante de se saber (Johan Giesecke) que o "distanciamento físico é mais importante do que usar máscara" (o que não contraria, obviamente, a importância da máscara). Apesar da impreparação para tempos tão difíceis que justifica todas as pedagogias, não adianta culpar os miúdos e quem os educa pelas previsíveis e inevitáveis aglomerações.
Mas o post diz exactamente o que refere "Mas se na Educação Física Escolar é assim, nas outras salas de aula apenas se acrescenta a máscara em espaços também apinhados. Como o distanciamento físico é naturalmente, e constantemente, contrariado, é natural que os jovens, na maioria assintomáticos com capacidade de contágio, sejam transportadores do vírus no vai e vem entre as escolas, as habitações e as tais festas familiares. Para além disso, a teoria das bolhas é uma "impossibilidade" com as escolas, e as suas envolventes, lotadas. Mas não nos admiremos que a culpa ainda será dos jovens porque não cumprem procedimentos insensatos que eliminaram qualquer ideia de gradualismo."
Tem muitos posts no blogue sobre este assunto e é a primeira vez que refiro a Educação Física porque as orientações aconselham aulas sem máscara e em que é "impossível" de garantir 3 metros de distanciamento físico durante 90 minutos com turmas de 30 alunos. Refiro os profissionais do desporto porque são testado diariamente. Sem um teste rápido prévio é muito arriscado fazer desporto em espaços fechados (o inverno está aí) sem máscara.
Obrigado pelo contributo. Pode identificar-se. Responder a anónimos é sempre menos agradável. Mas tudo bem.
ResponderEliminarAs orientações da DGS não são cumpridas, nem é realista esperar que os jovens as cumpram, porque para além da maioria dos próprios não querer saber, a própria natureza da disciplina não o permite. É ridículo haver aulas de EF com as indicações atuais da DGS, enquanto aluna sei bem que se 1 na turma estiver infetado os outros todos também ficarão.
ResponderEliminarBoa tarde,
ResponderEliminarSó não me identifiquei, porque o Comentário a tal não solicita, nem solicitou aos outros Colegas que escreveram, por exemplo, sobre o Desporto Escolar.
De qualquer maneira, sou do Porto e por isso não tenho “papas na língua”: o meu nome António Baptista, tenho 55 anos, sou Professor de EF há maios de 30 anos e quando li no seu comentário que também é Professor de EF, então deixe-me que lhe reforce o que escrevi:
Aquele título é um autêntico hara-kiri na EF.
Se é certo que fala das outras situações, mas ao puxar para título as aulas de EF, quando essas são as menos prováveis de haver contágio nas escolas, é um erro enorme por parte de alguém que deveria saber melhor que todos da realidade escolar.
E juntar a esse seu comentário, coloca a notícia do maior número de contágios em Portugal torna ainda mais falaciosa o seu comentário.
Quanto à questão de chamar a atenção, eu apenas constato factos: a sua noticia saiu no Expresso, foi partilhada no blogue ComRegras (onde já coloquei o mesmo comentário que lhe escrevi ontem) e tem sido motivo de muita conversa nas redes sociais. Foi assim que lá cheguei eu e alguns Colegas incrédulos.
Se me permite um conselho como Colega: devia ter mais cuidado com o que escreve sobre a EF porque, da forma que o fez, não só pode induzir em erro muitas pessoas desinformadas, como descredibiliza uma disciplina fundamental no processo educativo dos alunos, para além de ser a única disciplina que se preocupa na prática com a saúde deles.
Concordo Camila.
ResponderEliminarBoa tarde, António. Só falei na identificação por ser mais interessante quando se estabelece uma discussão. Nunca coloquei essa obrigação no blogue em 20 anos e não me arrependo. Hara-kiri nesta fase é não cumprir o dever de cidadania de tudo se fazer para salvar vidas. Nos países totalitários é que "está tudo bem" o que emana do poder central para se garantir uma boa imagem externa e a saúde das oligarquias. Na maioria das instalações escolares para Educação Física não se consegue manter 3 metros de distanciamento físico para cerca de 30 alunos estáticos quanto mais em movimento. Há algumas em que nem estáticos. Podem estar o tempo todo estáticos, mas se fizerem exercício com intensidade irão para as aulas seguintes todos suados, e sem direito a balneário e intervalo, e estarão mais 90 minutos mas com máscara.
ResponderEliminarNão vi a publicação no Expresso e reparei que o Alexandre do ComRegras partilhou e, por acaso, deu-me toda a razão (também é professor de Educação Física). Quando envio textos para os jornais publico também aqui. Não foi o caso desse. Nem lhe dei grande importância por ser uma constatação tão óbvia. Nada tenho a ver com quem partilha os meus posts. Mas já agora, releia lá o que escreveu de forma tão dogmática que mais parece um conselho proveniente de um dos países totalitários que referi: "Se me permite um conselho como Colega: devia ter mais cuidado com o que escreve sobre a EF porque, da forma que o fez, não só pode induzir em erro muitas pessoas desinformadas, como descredibiliza uma disciplina fundamental no processo educativo dos alunos, para além de ser a única disciplina que se preocupa na prática com a saúde deles." Desinformar é dizer que se cumprem 3 metros de distanciamento físico e que é única disciplina que se preocupa com saúde dos alunos.
Obrigado pelo contribuito.
"a única disciplina que se preocupa na prática com a saúde deles" é uma afirmação pretenciosa, a 'puxar demasiado a brasa à sardinha", já que a saúde é um conceito transversal. Não entremos por aí, que é um caminho conflituoso...
ResponderEliminarNem mais, Mário Silva.
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