quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Na Educação Física Escolar o Contágio é Inevitável

 


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(publicado em 16 de Outubro de 2020).
As orientações para a Educação Física Escolar incluem aulas sem máscara para turmas completas que chegam aos 30 alunos ou mais. Inscrevem ainda três metros de distanciamento físico e ausência de testes à covid-19. Sugira-se aos muito treinados profissionais da NBA ou do futebol que tentem uma coisa parecida e sem viverem em qualquer bolha. Seguramente que recusam liminarmente e até aconselham um internamento aos proponentes.


Mas se na Educação Física Escolar é assim, nas outras salas de aula apenas se acrescenta a máscara em espaços também apinhados. Como o distanciamento físico é naturalmente, e constantemente, contrariado, é natural que os jovens, na maioria assintomáticos com capacidade de contágio, sejam transportadores do vírus no vai e vem entre as escolas, as habitações e as tais festas familiares. Para além disso, a teoria das bolhas é uma "impossibilidade" com as escolas, e as suas envolventes, lotadas. Mas não nos admiremos que a culpa ainda será dos jovens porque não cumprem procedimentos insensatos que eliminaram qualquer ideia de gradualismo.

15 comentários:

  1. Porquê? Há exemplos, até em Portugal, em que os alunos frequentam as aulas semana sim, semana não, reduzindo para metade as presenças na escola e na sala de aula. Em caso de quarentena como já está a acontecer em inúmeras turmas, apenas metade da turma a cumpre e a outra metade tem aulas presenciais.

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  2. Incongruências no Desporto Escolar
    A publicação do RGPE 2020-2021 determina no seu preâmbulo, que teve em consideração a suspensão das atividades letivas e não letivas em 2019-2020 como consequência da declaração da pandemia da doença COVID19.
    No presente ano letivo a DGS e a DGE publicaram as orientações para a realização em regime presencial das aulas práticas de Educação Física (EF). Este documento teve como referência as propostas para organização do ano letivo 2020/2021 elaborado pela CNAPEF e SPEF, que apresentou os requisitos necessários para a lecionação da EF, sem a desvirtuar os fundamentos da disciplina e faz referências objetivas ao Desporto Escolar.
    Infelizmente a DGE valorizou os contributos da CNAPEF e da SPEF para a realização presencial das aulas práticas de EF, mas a Coordenação do Desporto Escolar não teve em consideração as propostas da CNAPEF/SPEF para o Desporto Escolar na elaboração do regulamento do Programa do Desporto Escolar 2020/2021.
    Incongruência 1 – Início do processo de elaboração do Plano do Clube do Desporto Escolar (PCDE) e de inscrição de alunos termina a 8 de novembro sem definir a data de publicação do Plano de Retoma do Desporto Escolar (PRDE).
    Incongruência 2 – Permissão excecional de alunos de outras escolas do Agrupamento poderem participar nas atividades do grupo-equipa (GE), mas não define o que é exceção e as implicações que poderá ter nas atividades internas.
    Incongruência 3 -Todo o trabalho de preenchimento do PCDE poderá ficar sem efeito após a publicação do PRDE. Questiona-se a pressa em definir o PCDE
    Incongruência 4 – O preenchimento do PCDE é generalizado a toda as modalidades que integram a oferta desportiva das escolas e não as diferencia de acordo como a orientação 036 publicada pela DGS.
    Incongruência 5 – Os planos de contingência das escolas elaborados na preparação do ano letivo, foram feitos de acordo com o conceito de “bolhas” por ciclos de ensino. O RPDE não flexibiliza o número mínimo de alunos a inscrever no GE, esquecendo-se que há escalões que juntam 2 ou mais ciclos de ensino.
    Incongruência 6 – O RPDE suspende a existência de protocolos entre escolas, mas deixa em aberto a possibilidade de altera após a publicação do PRDE o que impede a participação nos treinos dos alunos protocolados nos anos anteriores.
    Incongruência 7- Os CFD podem abrir as suas atividades a todos os alunos independentemente da sua escola de origem, contrariando os requisitos expressos na inscrição de alunos nos GE.
    Incongruência 8 – Dá-se enfâse no RPDE aos CFD através da existência de artigos específicos, mas retiraram-se os artigos específicos do Projeto DE sobre Rodas, Nível III, DE+ e DE Territórios.
    Incongruência 9 – As exigências para atribuição de falta de comparência ou administrativas no RPDE 20-21, são iguais às exigências definidas no RPDE 19-20. Não há qualquer flexibilidade num período de exceção.
    Incongruência 10 – Os alunos com NEE vivem em “bolhas” nas escolas e o RPDE não faz qualquer referência ou ajustamento.

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  3. Só se o disparate são as orientações para a educação física. Concordo.

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  4. O contágio é inevitável!
    O título "Na Educação Física Escolar o contágio é inevitável" é mais uma daquelas afirmações que, desinseridas completamente da realidade, apenas pretende chamar a atenção para um artigo sobre uma realidade que se vive na escola, mas que é completamente enganadora! Para isso basta para isso olhar de uma forma global para a situação vivida diariamente pelos alunos em contexto escolar (e nem vou falar dos transportes para a escola). Em qual das seguintes situações, que acontecem todos os dias nas escola e agrupamentos escolares, estão os alunos mais próximo de um "contágio inevitável":
    1. Entrada e saída dos alunos do estabelecimento escola, com os alunos a menos de 1 metro de distância e com/sem máscara.
    2. Intervalos entre as aulas, com os alunos a menos de 1 metro de distância e com (alguns casos, sem) máscara.
    3. Aulas teóricas na sala de aula fechada, com os alunos, em média, a 1 metro de distância, com máscara.
    4. Aulas práticas na sala de aula fechada, com os alunos a menos de 1 metro de distância, com máscara.
    5. Aulas de Educação Física (que só acontece 1 ou 2 vezes por semana), em espaço aberto ou pavilhão (com áreas 5 a 10 vezes maiores que as salas de aulas), com os alunos, em média, a 3 metros de distância, sem máscara.
    Não tenho a mínima dúvida que o grau de contágio vai diminuindo de 1 para 5, pelo que a situação da Educação Física Escolar é obviamente aquela que, no ambiente escolar, tem menos perigo de contacto para os alunos., para além de ser a única que contribui para a saúde física dos alunos, aumentando assim as resistências ao COVID-19.
    E por favor não se compare o que não é possível comparar, ou seja, Educação Física Escolar com Desporto Profissional!
    É que o pensamento livre deve de ser expresso de uma forma responsável e verdadeiramente integrada, e não ir identificar uma situação isolada para um título verdadeiramente enganador!

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  5. Chamar a atenção para um artigo?! Tenho este blogue quase há 20 anos e nem sequer partilhei o post para fora do meu blogue. Não inserido na realidade? Sou professor de Educação Física e lecciono 5 turmas. Leia os posts que tenho por aqui sobre o assunto.
    O último diz assim: Surpreendi-me com o regresso às aulas. Parecia-me sensato um modelo gradual para salvar vidas e proteger a saúde e a economia. Somos um país com turmas e escolas numerosas e sabe-se que uma turma de 20 contacta com 800 pessoas em 48 horas (e uma de 30 com 1200). Como detalhei noutro texto, turnos de semana sim, semana não, e intervalos descentrados, reduziriam a frequência para números civilizados: uma escola de 1000 alunos nunca teria mais de 250, os espaços fora da sala de aula registariam 15 a 60 e existiriam entradas e saídas faseadas nas escolas; é que é crucial prever o congestionamento no exterior e nos portões de acesso. É óbvio que milhares de jovens a conviver, dentro e fora da escola, contrariam qualquer teoria das bolhas e transportam (nos dois sentidos) o vírus para as famílias e para o tais festejos tradicionais; e são, quase garantidamente, assintomáticos com elevada capacidade de contágio, com a agravante de se saber (Johan Giesecke) que o "distanciamento físico é mais importante do que usar máscara" (o que não contraria, obviamente, a importância da máscara). Apesar da impreparação para tempos tão difíceis que justifica todas as pedagogias, não adianta culpar os miúdos e quem os educa pelas previsíveis e inevitáveis aglomerações.

    Mas o post diz exactamente o que refere "Mas se na Educação Física Escolar é assim, nas outras salas de aula apenas se acrescenta a máscara em espaços também apinhados. Como o distanciamento físico é naturalmente, e constantemente, contrariado, é natural que os jovens, na maioria assintomáticos com capacidade de contágio, sejam transportadores do vírus no vai e vem entre as escolas, as habitações e as tais festas familiares. Para além disso, a teoria das bolhas é uma "impossibilidade" com as escolas, e as suas envolventes, lotadas. Mas não nos admiremos que a culpa ainda será dos jovens porque não cumprem procedimentos insensatos que eliminaram qualquer ideia de gradualismo."

    Tem muitos posts no blogue sobre este assunto e é a primeira vez que refiro a Educação Física porque as orientações aconselham aulas sem máscara e em que é "impossível" de garantir 3 metros de distanciamento físico durante 90 minutos com turmas de 30 alunos. Refiro os profissionais do desporto porque são testado diariamente. Sem um teste rápido prévio é muito arriscado fazer desporto em espaços fechados (o inverno está aí) sem máscara.

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  6. Obrigado pelo contributo. Pode identificar-se. Responder a anónimos é sempre menos agradável. Mas tudo bem.

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  7. Camila Valério Monteiro18 de outubro de 2020 às 14:04

    As orientações da DGS não são cumpridas, nem é realista esperar que os jovens as cumpram, porque para além da maioria dos próprios não querer saber, a própria natureza da disciplina não o permite. É ridículo haver aulas de EF com as indicações atuais da DGS, enquanto aluna sei bem que se 1 na turma estiver infetado os outros todos também ficarão.

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  8. Boa tarde,
    Só não me identifiquei, porque o Comentário a tal não solicita, nem solicitou aos outros Colegas que escreveram, por exemplo, sobre o Desporto Escolar.
    De qualquer maneira, sou do Porto e por isso não tenho “papas na língua”: o meu nome António Baptista, tenho 55 anos, sou Professor de EF há maios de 30 anos e quando li no seu comentário que também é Professor de EF, então deixe-me que lhe reforce o que escrevi:
    Aquele título é um autêntico hara-kiri na EF.
    Se é certo que fala das outras situações, mas ao puxar para título as aulas de EF, quando essas são as menos prováveis de haver contágio nas escolas, é um erro enorme por parte de alguém que deveria saber melhor que todos da realidade escolar.
    E juntar a esse seu comentário, coloca a notícia do maior número de contágios em Portugal torna ainda mais falaciosa o seu comentário.
    Quanto à questão de chamar a atenção, eu apenas constato factos: a sua noticia saiu no Expresso, foi partilhada no blogue ComRegras (onde já coloquei o mesmo comentário que lhe escrevi ontem) e tem sido motivo de muita conversa nas redes sociais. Foi assim que lá cheguei eu e alguns Colegas incrédulos.
    Se me permite um conselho como Colega: devia ter mais cuidado com o que escreve sobre a EF porque, da forma que o fez, não só pode induzir em erro muitas pessoas desinformadas, como descredibiliza uma disciplina fundamental no processo educativo dos alunos, para além de ser a única disciplina que se preocupa na prática com a saúde deles.

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  9. Boa tarde, António. Só falei na identificação por ser mais interessante quando se estabelece uma discussão. Nunca coloquei essa obrigação no blogue em 20 anos e não me arrependo. Hara-kiri nesta fase é não cumprir o dever de cidadania de tudo se fazer para salvar vidas. Nos países totalitários é que "está tudo bem" o que emana do poder central para se garantir uma boa imagem externa e a saúde das oligarquias. Na maioria das instalações escolares para Educação Física não se consegue manter 3 metros de distanciamento físico para cerca de 30 alunos estáticos quanto mais em movimento. Há algumas em que nem estáticos. Podem estar o tempo todo estáticos, mas se fizerem exercício com intensidade irão para as aulas seguintes todos suados, e sem direito a balneário e intervalo, e estarão mais 90 minutos mas com máscara.
    Não vi a publicação no Expresso e reparei que o Alexandre do ComRegras partilhou e, por acaso, deu-me toda a razão (também é professor de Educação Física). Quando envio textos para os jornais publico também aqui. Não foi o caso desse. Nem lhe dei grande importância por ser uma constatação tão óbvia. Nada tenho a ver com quem partilha os meus posts. Mas já agora, releia lá o que escreveu de forma tão dogmática que mais parece um conselho proveniente de um dos países totalitários que referi: "Se me permite um conselho como Colega: devia ter mais cuidado com o que escreve sobre a EF porque, da forma que o fez, não só pode induzir em erro muitas pessoas desinformadas, como descredibiliza uma disciplina fundamental no processo educativo dos alunos, para além de ser a única disciplina que se preocupa na prática com a saúde deles." Desinformar é dizer que se cumprem 3 metros de distanciamento físico e que é única disciplina que se preocupa com saúde dos alunos.
    Obrigado pelo contribuito.

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  10. "a única disciplina que se preocupa na prática com a saúde deles" é uma afirmação pretenciosa, a 'puxar demasiado a brasa à sardinha", já que a saúde é um conceito transversal. Não entremos por aí, que é um caminho conflituoso...

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