1ª edição em 27 de Março de 2014.
Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.
Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")
Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.
Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.
Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.
Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.
Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.
Obrigado.
ResponderEliminarEste senhor foi despedido do banco mundial em 2000 quando detinha o cargo de vice presidente por ter posto a nú o tratado secreto entre os países ocidentais, o banco mundial e FMI, onde de acordo com ele, o objectivo passava por transferir tudo o que era de governação pública para privados. A sua punição foi o afastamento dos círculos superiores durante oito anos, até Sarkozy o ter ido buscar para o seu conselho económico. Ajudou ainda em 2001 a descrever o que era o CAS (country assistance strategy), um dos documentos que hoje em dia comanda a troika e que é entregue aos governos que procuram ajuda financeira no FMI ou Banco Mundial. Se há pessoa que sabe porque é que os países entraram em desgraça, este é um deles.
ResponderEliminarO Joseph Stiglitz é um economista notável, e dos poucos juntamente com o Roubini que previu esta crise. É bom que se lembre que ele é o pai das teorias que explicam a imperfeição dos mercados e da informação assimétrica, que reabilitaram o papel do Estado como regulador no virar do milénio. Foi ele que trouxe a evidência sobre o preço da desigualdade social e económica, no livro do mesmo nome. O livro de Stiglitz sobre a forma inadequada como a crise foi atacada (Freefall: America, Free Markets, and the Sinking of the World Economy) e a sua contribuição escrita para compreender a globalização (Making Globalization Work e Globalization and its Discontents) são notáveis. O ponto de vista dele sobre o caminho trilhado pela Europa e pelo euro merecem no mínimo ser atentamente considerados.
ResponderEliminarO meu comentário anterior foi em defesa do economista. É notável, sem senhor e honesto...
ResponderEliminarOK.
ResponderEliminarObrigado pela informação.
ResponderEliminarInteressante! São estas pessoas - Stiglitz e outros - que, perante a queda do marxismo, nos dão alento e coragem, que nos permitem reconhecer alguém que nos ajude a pensar e a posicionarmo-nos fundamentadamente.
ResponderEliminarExacto Luís. Concordo com o teu comentário.
ResponderEliminarSubscrevo o comentário de Redes. Alento, nem mais. Interessante post.
ResponderEliminarO que seria interessante saber agora é o que as pessoas tencionam fazer com esse conhecimento.
ResponderEliminarExactamente. Fala-se, fala-se, mas a engrenagem...
ResponderEliminar