segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O Orçamento do Estado português não pára de desinvestir na Educação. Mas isso não tem qualquer interesse. O que interessa é a burqa e o niqab.

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Enquanto o vestuário de 0,0000000001% das mulheres que residem em Portugal ocupa a bolha político-mediática e as redes sociais (parece que os demagogos chefiados por mais um da escola tutti-frutti não tiveram o resultado esperado nas recentes autárquicas e usam a burqa e o niqab - "símbolos do machismo, da humilhação da mulher e do extremismo religioso que adultera as origens" - para acicatar as hostes dominadas pelos algoritmos do ódio), o Orçamento do Estado português não pára de desinvestir na educação e atinge silenciosamente cerca de 1 milhão e 340 mil alunos, mais de 100 mil professores e milhares de outros profissionais.


Se no orçamento para 2024 a percentagem do PIB para a educação foi de 3% (8 mil milhões de euros), “o Orçamento do Estado para 2026 prevê um total de 7,7 mil milhões de euros”. Ou seja, abaixo dos 2,9% que muitos consideram ser o executado em 2025 (e como o PIB cresce, 7,7 mil milhões de euros será abaixo dessa percentagem). Para esta queda contribuiu o número de aposentações que se situa, anualmente e desde 2021, entre 3.500 e 4.000, valor que se manterá até 2030. Note-se, e sem grandes detalhes técnicos, que por cada 3 aposentações (10,2 mil euros brutos) entram 2 profissionais (3,4 mil euros brutos).


A percentagem do PIB investida em educação em Portugal variou naturalmente ao longo do tempo. Mas regista-se uma tendência de subida desde 1974, decorrente da notável democratização do ensino. Já agora, o valor médio para o período de 1973 a 2021 foi de 4,23% e o valor mais baixo foi atingido em 1973 (1,63%). Os dados indicam 2021 com o valor recente mais elevado: 4,78%. Nesse ano, o investimento médio na Europa foi de cerca de 4,81%. A Islândia (8,22%) e a Noruega (6,4%) obtiveram os valores mais altos e a Irlanda (3,5%) e o Mónaco (1,42%) os mais baixos. Portugal está a tudo fazer para ultrapassar o Mónaco.


Mas tudo isso não tem qualquer interesse. Como não tem qualquer interesse que caiam as aprendizagens, que faltem professores, que as crianças e os adolescentes naveguem na selva digital, que a avaliação dos professores e a gestão das escolas continue a engrenagem diabólica que tritura a dignidade das pessoas e que, associada ao inferno burocrático e à indisciplina nas salas de aula, origine a "fuga" dos professores novos e dos menos novos. O que interessa é a burqa e o niqab.

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