Reuni algumas vezes com Álvaro Laborinho Lúcio nas Caldas da Rainha. Ele coordenava o Programa Malhoa, de apoio social, que tinha uma relação próxima com a escola pública que eu dirigia. Guardo as melhores memórias. Que descanse em paz.
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Reuni algumas vezes com Álvaro Laborinho Lúcio nas Caldas da Rainha. Ele coordenava o Programa Malhoa, de apoio social, que tinha uma relação próxima com a escola pública que eu dirigia. Guardo as melhores memórias. Que descanse em paz.
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No cinema:
1977 |
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1980 |
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1984 |
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1986 |
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1988 |
Zelly & Me |
1990 |
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1992 |
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1997 |
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1999 |
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2001 |
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2006 |
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2014 |
Twin Peaks: The Missing Pieces |
2017 |
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2017 |
Lucky |
Em televisão (tem mais, obviamente):
| 1990-1991 | Twin Peaks |
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Foi com surpresa e com uma profunda tristeza que li a notícia da morte de Santana Castilho. Que surpresa tão triste. Lia há muito a sua escrita distinta. Deixa um legado impressivo em quem se interessa pela defesa da escola pública. Conversámos diversas vezes. Partilhei com ele alguns momentos difíceis e inesquecíveis nesta longa luta pela escola pública. Ainda ontem comentámos a ausência das suas crónicas no Público. Foi um dos analistas mais marcantes da Educação.
O editor do Público, o jornalista Álvaro Vieira, escreveu, onde dei com a triste notícia, em
(...)Morreu o professor que detestava o “eduquês”
(...)Quando a 6 de Outubro de 2001 começou a assinar uma coluna com o título genérico "Prova escrita", numa altura em que só capa, contracapa e alguns anúncios eram a cores neste jornal, Santana Castilho deixava já claro ao que vinha e como vinha e contra quem vinha. “Ano após ano, ministro após ministro, os problemas de fundo continuam intocáveis, sujeitos ao atavismo dos ‘pedabobos’ que influenciam a 5 de Outubro. Falando um erudito ‘eduquês’, essa corte tem imposto estereótipos pedagógicos ineficazes e eternizado tabus que vão conduzindo o país à desgraça, pela mão da permissividade e do facilitismo, únicos universos em que são competentes”, escreveu.
(...)Nascido em Beja, a 7 de Junho de 1944. Manuel Henrique Santana Castilho foi professor durante mais de 40 anos em diferentes níveis de ensino. Foi presidente do Conselho Directivo da Escola Preparatória Francisco de Arruda, logo a seguir ao 25 de Abril, e presidente da direcção da Escola Superior de Educação de Santarém e do Instituto Politécnico de Setúbal. Foi também consultor e formador de quadros de várias empresas, tendo sido autor de vários livros e inúmeros artigos, publicados em vários jornais e revistas, sobre Educação."
A fotografia é de Miguel Manso e de 2020.
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Durante muitos anos fomos vizinhos, mas as nossas conversas foram quase sempre virtuais. Vim residir para as Caldas da Rainha em 1989 e conheci o João Serra nessa altura. Passámos a conversar com frequência. O João Serra tinha um conhecimento profundo sobre vários assuntos. Há algum tempo que estranhava a sua ausência. Que descanse em paz.
Um amigo comum recordou-me esta passagem do seu blogue. O texto que o João me ofereceu é muito pertinente. Caracteriza o tempo que estamos a viver na educação e as intemporalidades que nos impedem de crescer como país. Foi publicado em 1981 e o João ofereceu-mo no seu blogue em 2008. Insiro também o comentário que fiz na altura.
"Aos comentadores mais assíduos deste blog, uma lembrança de Natal. Esta é para Paulo Prudêncio.A escritora Eduarda Dionísio, autora do texto escolhido, foi dirigente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, em 1978/79.- Temos que agir dentro das próprias aulas - diz Ivone. Recusar os alunos se forem mais de 25, recusar as partes dos programas que nos repugnam, recusar de facto as horas extraordinárias, recusar as tarefas de secretaria, recusar o que ultrapasse o nosso horário de trabalho.- Qual é o sindicato que te apoia? - pergunta Carlos. Não é este que temos com certeza. Estes sindicatos que avançam pedindo licença, esperando que os deixem passar, não chegando nunca à primeira fila e assistindo ao espectáculo só pelo som. Aceitam dispor-se num palanque para assistir à parada na ordem hierárquica que sedimentam. Aceitam sentar-se à mesa do banquete segundo as regras da Baronesa X: à direita da dona da casa e à esquerda, à esquerda do dono da casa e à direita, assim por diante, nos topos da mesa, ao meio. Estes sindicatos que pedem licença para incomodar.- Não tínhamos nenhum antes do 25 de Abril - diz Alberto. E não foram vocês que o fabricaram. Onde estavas tu, Carlos? Que fazias? Rezavas missas, ouvias os pobres pecadores em comunhão, oprimias os pensamentos livres, destruías os sentimentos espontâneos que se formavam nas aldeias, nos campos, que atrofiavas, deitando-lhes vinagres como em estômagos, por funil, regando de fel a serenidade dos camponeses, borrifando-os de soda cáustica. Ah! é verdade, estavas nas colónias.- A contestação não leva a nada - diz Raquel. O sindicato tem que ter força para negociar. Raquel vê as grandes salas, as grandes mesas, os blocos de apontamentos, os dossiers - dum lado o poder, com gravata; do outro, os sindicatos em mangas de camisa. Falam alternadamente, de acordo com uma ordem que ambos sabem, com uma distância e uma frieza estabelecidas. Terão ou não os resultados pretendidos. À noite, os dirigentes farão o comunicado que talvez transmitam pela rádio à meia-noite.- Negociar o quê? - diz Carlos. Carlos só sabe as palavras que se trocam entre os sindicatos e o poder e que nunca ninguém conhecerá, as promessas que se fazem sem cumprir, as cedências mal medidas, que se escondem - os comunicados fabricados com demora, monumentos de verdades e mentiras, frases com minutos, horas, ameaças, exclamações. Temos é que ser capazes de impor - diz Carlos.- Temos que falar com as pessoas - diz Alberto. Há tantas pessoas que exercem o poder e que pensam como nós. Saber tocá-las, lembrar conhecimentos antigos, expor as razões que temos, não assustar. Tu, por exemplo, A., quando chegas, assustas as pessoas que nas secretarias fazem todas as planificações e preparam as ordens, os decretos, os ofícios, as circulares, as portarias. Assusta-las, inunda-las de água fria e então esbracejam, dizem que não, receiam, muram-se. Que falta de tacto, A.!- Com que pessoas? Não te podes esquecer que são inimigos que tens à tua frente - diz Ivone. Podem ir almoçar a tua casa, podem ir contigo a manifestações a favor da reforma agrária e pela unidade sindical, mas naquele momento, Alberto, naquele momento são teus inimigos, são nossos inimigos, querem pura e simplesmente que o sistema capitalista do ensino que temos continue a funcionar, querem que nós sejamos funcionários duma grande empresa que oprime, que nos oprime, que oprime os trabalhadores, querem impor que não haja política na escola e o regresso ao que tínhamos antigamente que suportar.- Tens que falar. Mas a maneira conta - diz Marília. Têm que ser agredidos. Temos que ser ferozes. És tu, A., que sabes falar-lhes com essa violência nas sílabas. Porque te calas, A.?- Saberemos alguma vez conciliar o sindicalismo de negociação com o sindicalismo de contestação - pensa Manuel. Será possível conciliar? Será desejável? Em França é a CGT que negoceia, a CFDT contesta, pelo menos nas escolas. Manuel sente-se mal naquelas sessões morosas onde tem sido obrigado a estar: uma mesa; papéis brancos e escritos à máquina, outros impressos, em cima da mesa, sublinhados de várias cores, números à margem e letras, com círculos que não fecham em redor.Eduarda Dionísio, Histórias, Memórias, Imagens e Mitos duma Geração Curiosa. Lisboa, Círculo de Leitores, 1981. p. 328-330
Durante muitos anos fomos vizinhos, mas as nossas conversas foram quase sempre virtuais. Vim residir para as Caldas da Rainha em 1989 e contactei com o João logo nessa altura a propósito de um congresso. Tínhamos vários interesses em comum e conversávamos bastante. O João Serra tinha um conhecimento profundo sobre vários assuntos. Há algum tempo que estranhava a sua ausência.
Que descanse em paz.
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Nasceu em 15 de Abril de 1928 e morreu em 2 de Abril de 2018. Maria Isabel de Oliveira Trilho, a minha mãe, faz hoje noventa e quatro anos e mantém a aura de serenidade, leveza, resiliência, discrição e bondade.

15 de Abril - o dia do aniversário da minha mãe e o dia em que faleceu a minha sogra.
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Morreu o mentor e editor da Bedeteca, e fundador da editora Abysmo, João Paulo Cotrim. Pelo que se lê, a sua inesperada morte foi provocada pela covid-19.

"A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem."
Na semana em que faria 43 anos, o Basquetebol não se cansa de recordar vídeos de Kobe Bryant.
A NBA homenageou ontem Kobe Bryant. O atleta faria 43 anos. Fique com um dos inúmeros e espantosos vídeos.
"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do inesquecível cineasta iraniano. Encontrei-a por aqui quando ontem ouvi uma referência à sua obra.

A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).