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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

a simbiose e o ensino

 


A associação cultural de uma freguesia rural convidou-me para os ajudar num programa de actvidade física para crianças e jovens que tinham aulas de educação física na escola e natação num clube. Questionei-os sobre as vantagens dos petizes terem de suportar mais actividade física ao fim do dia e até pela noite dentro. Propus-lhes que utilizássemos as instalações e o tempo para um programa para adultos. A começar pela dezena que estava reunida. Pareciam-me sem hábitos de exercício físico e com sérios desvios alimentares. Dei conta que os choquei um bocado. Estavam focados nas crianças e esgotavam-se aí o que era mau para os dois grupos. Vinte anos depois, dou conta do processo que estava em construção e que é descrito por Winterhoff (2008:130).


 


"(...)O modelo simbiose explica também as crescentes dificuldades que professores e educadores têm com pais, quando se trata de descortinar em conjunto as perturbações das crianças. As queixas destas sobre os professores são, de um modo geral, tidas em conta pelos pais que se encontram num nível de simbiose (no mesmo patamar dos filhos e diluídos num só, digamos assim; comandados pelos petiizes, acrescento), que o professor visado terá feito algo de errado, já que não é de todo possível que a criança diga coisas sem sentido. (...)Contrariamente, uma queixa por parte do professor desencadeia, na maior parte dos casos, uma acção contra o próprio.


(...)Os professores que dão ordens e fornecem uma estrutura são já vistos como reaccionários, consequência de uma autoridade pervertida ao longo de décadas e que suscita conotações exclusivamente negativas. (...)são vistos pelos pais como sendo frios, distantes e pouco afectuosos na sua relação com as crianças. (...)."


 


Winterhoff, Michael (2008).


"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".


Lisboa. Lua de papel

domingo, 6 de novembro de 2011

ambição escolar

 


 


Já há evidências empíricas que nos dizem que a ambição escolar de uma sociedade ou família é tão ou mais determinante que o índice socio-económico. 


Winterhoff (2008:88) relata um caso elucidativo: "(...) A mãe não procura ajuda para elevar o nível que é exigido na escola. Pelo contrário, acha esse nível já demasiado elevado, pelo que se coloca absolutamente do lado da filha, não tencionando de todo confrontá-la. Não lhe ocorre a ideia de que assim não está a ajudar. (...)".


 


Winterhoff, Michael (2008).


"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".


Lisboa. Lua de papel.

sábado, 5 de novembro de 2011

necessidades das crianças?

 


Sejamos francos: uma grande parte do mundo ocidental não tem-tempo-nem-vontade-para-educar-os-petizes. A solução é armazená-los. Sabe-se que, para além da subida no consumo de Ritalina, essa decisão provoca o aumento da indisciplina nas escolas e, a prazo, contribui para a baixa da natalidade que é um problema grave para a organização das sociedades.


 


É interessante observar os eufemismos que se foram utilizando, nomeadamente as denominadas necessidades das crianças


 


Winterhoff (2008:80) encontrou uma pérola, em 2007, num jornal alemão: "As torneiras não são propriamente de ouro, mas há um ginásio com as paredes espelhadas, uma elegante zona de bem-estar com sauna, e um motorista à porta. (...) A concorrência para entrar na nova creche de luxo é grande, apesar da mensalidade mínima de 980 euros. (...) Nesta creche bilingue, as crianças têm à sua disposição, entre outras coisas, educação musical, natação, ballet ou ainda aulas de chinês, tudo isto mediante pagamento adicional. Para além disso, os pais, que tantas vezes se encontram extremamente ocupados, podem usufruir, caso o solicitem, de um serviço que leva as crianças à escola e depois as vai buscar. Há também uma sala destinada à fisioterapia. A directora da creche não vê qualquer perigo de exagero, uma vez que as ofertas correspondem às necessidades das crianças".


 


Winterhoff, Michael (2008).


"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".


Lisboa. Lua de papel.



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

certificação

 



 


 


A Escola Secundária Nikolaus August Otto, em Berlim Lichterfeld, implementou, em 2003 e de acordo com Winterhoff (2008:70), a necessidade de um documento semelhante a uma carta de habilitação parental no acto de matrícula dos alunos. Os pais tinham de fazer prova certificada da sua competência.


 


Uma medida tão colectivista pode ser perigosa e evidencía o óbvio: ter filhos não requer certificação prévia, mas a educação dos petizes é o factor fundamental do seu crescimento. As escolas e os professores acrescentam o ensino, que também educa, obviamente, mas não corrigem a ausência de sociedade e de família. Cair no logro da reforma permanente dos sistemas escolares é andar muito para não sair do mesmo sítio.


 


 


Winterhoff, Michael (2008).


"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".


Lisboa. Lua de papel.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

na alemanha e por cá também

 


 


Ja tinha escrito sobre o livro de Michael Winterhoff (2008), "Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?", mas só hoje terminei a leitura. Muito interessante.


 


O psiquiatra infantil alemão não apresenta evidências empíricas fortes e provavelmente não necessita. O que se conclui de imediato é que a realidade educativa na Alemanha é tão preocupante como em Portugal e que estão mesmo alarmados. Quem diria.


 


Tenho insistido numa espécie de algoritmo convencido que, grosso modo, 60% do sucesso escolar se deve à sociedade e ao ambiente familiar, 30% à organização escolar e 10% aos professores. Também sublinho que os 60% são por defeito para deixar espaço às outras variáveis e que em Portugal se tem invertido o algoritmo com consequências nefastas para as taxas de abandono e de insucesso escolar efectivo e a prazo para a sociedade e para a democracia. O que não sabia é que Michael Winterhoff dedica á sociedade e às famílias uma responsabilidade que atinge uns 90%. Sempre que cita a escola e os professores é para dar exemplos negativos que têm origem nessas variáveis.


 


É um livro de leitura obrigatória. Farei, nos próximos dias, mais posts a partir do livro. "(...) o facto de nenhuma instituição pública estar em condições de funcionar como correctivo para as falhas do ambiente familiar. (...)". (p.154), é uma conclusão bem fundamentada e o pública é apenas a abrangência destes países para estas coisas.