terça-feira, 14 de setembro de 2010

a idade e a história - dificuldade ou impossibilidade

 



 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Um dos textos mais interessantes que li sobre a História foi este e se o republicasse resolvia logo o problema.


 


Mas decidi aventurar-me num tema que me é raro neste registo. São pensamentos que me têm acompanhado. Não direi que são uma descoberta, mas são evidências que confirmam suposições antigas.


 


Conto-o em pouca palavras.


 


Encontro pessoas que me falam de factos antigos que conheci bem. E nesse interessante exercício de incursão na memória, acontece-me tropeçar amiúde com deturpações por parte de que quem mos relata com uma aura de certeza; contesto pouco, principalmente quando sinto que seria uma desilusão para os prazeres alheios. Tenho ideia que isso só é possível por estar a viver há vinte anos consecutivos na mesma cidade e por já não ser uma criança.


 


Mas mais: verifico nalguns casos uma intenção interesseira, digamos assim, e noutros o fenómeno de adulteração da verdade deve ter origem na socialização do facto; o conhecido revisionismo histórico não tem apenas um carácter voluntário. E por tudo isto interrogo-me: escrever a História é apenas uma missão difícil ou é mesmo impossível?


 


 


"(...) Sentimos num mundo e pensamos e qualificamos noutro;


podemos estabelecer uma concordância entre os dois,


mas não preencher o intervalo. (...)"




 


 


Marcel Proust,


"Em busca do tempo perdido",


tradução de Pedro Tamen,


volume 3, página 50.


 


(1ª edição em 9 de Setembro de 2009)

3 comentários:


  1. Citação excelente. Proust e as memórias.
    O intervalo não é nunca preenchido. É o momento que força o pensamento a pensar( o acontecimento ).

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