terça-feira, 18 de janeiro de 2011

nêspera camaleão

 


 



 


 


 


A nêspera celebrizou-se nestes tempos sobreaquecidos das escolas portuguesas. A saga vai longa e observa-se a variância do género frutífero. Compreendo algumas tonalidades, mas surpreendo-me com o desplante da nêspera camaleão; passa pelos pingos da decência como se a ética fosse um jogo doutro tempo.


 


O que mais me "divertiu" na nêspera camaleão foi a sua propalada fidelidade à lei. A nêspera camaleão, qual sapiência do direito, afirmou-se crente nos normativos em detrimento da moral para se fazer aos caminhos mais acomodados à sua oportunidade e vidinha. Não havia espaço vazio libertado pelos mais destemidos anti-nêspera camaleão que não encontrasse uma nêspera camaleão a esfregar as mãozinhas de modo disfarçado.


 


Mas o tempo faz das suas. O legislador "endeusado" ensandeceu, tratou de cortar nas benesses da nêspera camaleão e o risível tomou o seu lugar.


 


A nêspera camaleão, com salário e suplemento cortado, manda às malvas a nova lei e procura laços para ameaçar (tipo agarrem-me, claro) uma demissão pelos mesmo motivos que levaram os seus pares a terem de aguentar com a crença normativa da nêspera camaleão.


 


Raio de tempos estes. É difícil manter a pachorra, realmente.

9 comentários:

  1. Fausto Viegas (Norte)18 de janeiro de 2011 às 23:03

    Lindo, carago. Mereciam umas cacetadas com o chuço.

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  2. O pior é que é só ameaça.......agarrem-me, agarrem-me, porque senão não faço nada, e, assim, pelo menos fico agarrado..... tira a nêspera , deixa ficar apenas o camaleão, é que, pelo menos, a nêspera come-se.......
    Abraço de sol

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  3. Nêspera

    Uma nêspera
    estava na cama
    deitada
    muito calada
    a ver
    o que acontecia

    chegou a Velha
    e disse
    olha uma nêspera
    e zás comeu-a

    é o que acontece
    às nêsperas
    que ficam deitadas
    caladas
    a esperar
    o que acontece

    Mário Henrique Leiria,
    in Novos Contos do Gin Tónic









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  4. Paulo G. Trilho Prudencio20 de janeiro de 2011 às 10:33

    Isso: publiquei-o por aqui em tempos;

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